Aeroporto de Ponta Delgada celebra 50 anos

Um marco importante para São Miguel e para a Região com os olhos no futuro

 “Só mudamos para melhor”, a Campanha dos 50 anos do Aeroporto de Ponta Delgada, foi lançada no passado mês de Junho, estando presente naquela aerogare “salientando o que de melhor há nos Açores, do equilíbrio ambiental e da natureza selvagem, à cultura regional e ao desenvolvimento sustentável”. Assim, o aniversário daquela que é considerada a principal porta de entrada do arquipélago dos Açores é associado às características não só da ilha onde se encontra, mas também da Região, assumindo-se como parte integrante deste desenvolvimento. Algumas das protagonistas da campanha são as vacas que encontramos nas nossas pastagens, realçando assim uma imagem de marca da Região.
Catarina Zagalo, Directora de Comunicação da ANA, “sublinha que a empresa reconhece o impacto do aeroporto em São Miguel e a forma como contribui para o desenvolvimento da Região e da comunidade local, que mantém a sua autenticidade.”
O Aeroporto João Paulo II “faz parte integrante da história e do desenvolvimento económico e social dos Açores, em particular dos micaelenses, e constitui um equipamento relevante ao serviço do transporte aéreo não só de passageiros, mas também de carga e correio. É a infraestrutura com maior expressão de tráfego aéreo na Região Autónoma dos Açores”.

A sua história

A 24 de Agosto de 1969 é inaugurado o novo aeroporto de São Miguel, situado na Nordela. A decisão quanto à sua construção data de 1963, e a pista que foi projectada e construída tinha um comprimento de 1 800 metros, limitando por isso o seu uso ao transporte inter- ilhas e à utilização intermitente de um Boeing 727, operado pela TAP, para as ligações de médio curso. As ligações regulares com Lisboa só tiveram início dois anos mais tarde,  ou seja em 1971, também através da TAP.
O almirante Américo Tomás, Presidente da República de então, deslocou-se de propósito a Ponta Delgada para presidir à cerimónia que representava uma melhoria relativamente ao serviço que era prestado pelo aeroporto de Santana, em Rabo de Peixe. Este, havia sido uma base militar de apoio aos aliados na II Guerra Mundial até 1945, dotado de três pistas, e em 1946, com o fim da Guerra, a Base Militar passou a aeroporto civil operando em duas pistas arrelvadas, sendo uma de 1500 metros e outra de 1000 metros de comprimento.
A mudança do aeroporto não foi uma opção consensual à data, pois havia quem defendesse que ele devia ser construído no aeroporto existente em Santana, mas acabou por prevalecer a opinião de quem entendia que o aeroporto na Nordela traria mais desenvolvimento a Ponta Delgada.

As soluções em estudo

A mesma questão colocou-se em 1980, quando se lançou o debate sobre a ampliação do aeroporto de Ponta Delgada ou a construção de um novo noutra localidade. O Governo da Região procedeu à elaboração dos necessários estudos que depois apresentaram como hipóteses de trabalho, a construção de um novo aeroporto ou a ampliação da pista existente. Como novas localizações foram apontadas as zonas de Santana em Rabo de Peixe, a Fajã de Cima e as Capelas.  Ponderados os prós e os contras de cada solução, acabou por ser decidido avançar com a ampliação da pista do aeroporto da Nordela para nascente, até aos 2 350 metros e com um novo terminal de passageiros.
Com a entrada ao serviço da nova pista e da nova torre de controlo em 1988, o aeroporto passou a designar-se aeroporto de São Miguel, tendo em 1991, depois da visita do Papa João Paulo II aos Açores sido aprovado pelo Governo Regional uma norma atribuindo ao aeroporto o nome de João Paulo II.
Com a entrada ao serviço da nova pista de 2 350 metros de extensão e 45 metros de largura, São Miguel pode aspirar a ligações directas com outros destinos, designadamente com a diáspora residente nos EUA e no Canadá. As primeiras ligações aéreas entre os EUA e São Miguel foram feitas por uma empresa de aviação criada por açorianos residentes na América e que acabou por se dissolver mais tarde. A operação enquanto foi realizada gerou entusiasmo por parte da comunidade nos EUA e dos familiares residentes nas Ilhas.
A ampliação do aeroporto com uma pista de 2 350 metros de comprimento foi um salto qualitativo de enorme importância para a mobilidade aérea de e para a Ilha de São Miguel, com impacto depois no crescimento económico.

Gare: Negociações morosas

Com a pista já em funcionamento, mas com o serviço de passageiros a ser feito no velho terminal, desenrolou-se depois um processo negocial entre a Região e a ANA para a construção do novo terminal de passageiros, já que o aeroporto inicial tinha sido obra do Estado, mas a grande obra da nova pista tinha sido obra feita pela Região e à custa do seu orçamento.
As negociações foram morosas chegando-se depois a um compromisso em que o Governo Regional assumiu o custo e a realização das obras respeitantes às placas de estacionamento para servir o novo terminal, e a ANA por sua vez assumiu a responsabilidade pela construção da nova aerogare, que entrou ao serviço em 1995, com capacidade de movimentar um milhão de passageiros por ano. 
Em 2011, os passageiros movimentados no Aeroporto João Paulo II atingiram a cifra de 935 mil. Nos anos subsequentes, com a liberalização do espaço aéreo, em Março de 2015, a Easyjet realiza o primeiro voo low-cost para São Miguel, tendo entretanto deixado de voar para o arquipélago no ano seguinte. A Ryanair continua a operar, estando a viajar inclusive para a ilha Terceira. Com o crescimento de tráfego aéreo em 2017, que chegou aos 1.849 000 passageiros, têm decorrido as necessárias ampliações da aerogare para responder ao aumento do fluxo de pessoas. No Verão de 2018, a Delta Airlines abre uma rota directa para Ponta Delgada, algo que veio repetir-se este ano. A partir desta estrutura, saem voos para 26 destinos diferentes. Em 4 anos, o número de passageiros no Aeroporto João Paulo II duplicou, passando de cerca de 980 mil, em 2014, para cerca de 1, 900 milhões em 2018.

E o futuro?

Para além de ser considerada principal porta de entrada no arquipélago dos Açores, o aeroporto João Paulo II constitui-se como plataforma de distribuição e concentração de passageiros de, ou com, outros destinos insulares. Prevê-se que em 2019 o aeroporto João Paulo II movimente dois milhões de passageiros.
O actual Director do aeroporto, José Luís Amaral, está a procurar que as companhias aéreas ajustem os horários dos aviões para ocupar as horas vazias isto porque a tendência das companhias aéreas é para ocupar determinados períodos muito específicos do dia. 
José Luís Amaral anuncia que está em preparação um Plano Director para o aeroporto de Ponta Delgada que tenha em conta a evolução do número de passageiros perspectivando com os parceiros da ANA Vinci o que vai ser necessário fazer para acompanhar os que os responsáveis pelo turismo açoriano pretendem.
O 50.º aniversário do Aeroporto João Paulo II será assinalado na tarde de hoje, entre as 14h e as 16h, num evento dirigido aos passageiros e a todos aqueles que visitarem a área pública da aerogare.                                    

 C.A.
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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