José Maria é o pároco dos Fenais da Ajuda

“As pessoas estão mais afastadas do que nunca da prática religiosa”

José Maria Medeiros de Melo, de 65 anos de idade é o sacerdote da Freguesia dos Fenais da Ajuda, pertencente ao Concelho da Ribeira Grande.
O pároco José Maria nasceu na Lomba do Loução, Freguesia de Nossa Senhora dos Remédios, Concelho da Povoação, a 20 de Abril de 1954.
O nosso interlocutor foi ordenado padre a 29 de Junho de 1980 e foi colocado na ilha de São Jorge, em Setembro de 1981, onde permaneceu durante 10 anos, mas também esteve nas ilhas de Santa Maria e Flores.
Em São Miguel esteve nas paróquias das Sete Cidades, Ginetes, Várzea e Mosteiros, percorrendo também as paróquias da Bretanha (Remédios, Ajuda e Pilar). Em São Pedro foi colega do padre João Maria, passando igualmente pelas Capelas e Matriz da Ribeira Grande.
Na Freguesia dos Fenais da Ajuda, está já há sete anos, acumulando funções ainda no Curato da Lomba de São Pedro, Ouvidoria de Fenais de Vera Cruz.

“Missão difícil” reconhece

Sobre a sua missão na freguesia dos Fenais da Ajuda, diz que “tem sido a mais difícil”, justificando, que “as pessoas estão mais afastadas do que nunca da prática religiosa”.
A freguesia tem no entanto as suas tradições e as suas festas, “mas a prática cristã é diminuta”. Não querendo individualizar, reconhece também que “esta é uma realidade que acontece, de igual modo, em quase todas as freguesias, porque as pessoas estão muito entregues às preocupações materiais, numa sociedade de facilitismos e onde as pessoas têm tudo e são solicitadas para muitos outros apelos. Os jovens, por outro lado, são chamados para muitas outras actividades, que acabam por não ter tempo para a religião e para Deus”.
“A Igreja tem um pequeno grupo coral de jovens que incorpora-se nas procissões e tem romeiros, mas isso é só uma semana, mas na missa dominical não aparecem muitos e sinto a dificuldade que têm em aceitar a moral cristã e dos mandamentos da lei de Deus”, acrescenta.
No seu entender, “os Fenais da Ajuda ficam um bocado deslocados das outras localidades, mas com a autoestrada essa realidade acentuou-se”. Mesmo assim, “a antiga igreja e o convento são regularmente visitados turistas, mas em número reduzido”.
A este propósito registe-se que esta Freguesia teve uma pequena ermida de invocação a Nossa Senhora da Conceição, que existia por detrás do convento franciscano e no local onde hoje é o cemitério.
Em termos de festas religiosas, o padre José Maria destaca “a festa dos padroeiros Santos Reis Magos, que acontece quase sempre no dia de Reis, e depois desta surge a Quaresma, uma procissão de velas em honra de Nossa Senhora de Fátima, no dia 13 de Maio, e a festa da Paróquia, Nossa Senhora da Ajuda, no dia 15 de Agosto. Surgem ainda os impérios da Trindade, São João e São Pedro e coroações aos Domingos”.

“Falta de adesão dos jovens”

Para ajudar a igreja na preparação dos seus eventos, a Paróquia conta com uma comissão bastante numerosa e tem uma senhora que cuida do templo.
Na Freguesia havia ainda um grupo de escuteiros, que “já não existe por falta de adesão dos jovens”, realidade preocupante.
Na sua acção solidária, a Paróquia ajuda os mais necessitados com a angariação de produtos de primeira necessidade na quadra natalícia, com a envolvência de algumas crianças e jovens da catequese que depois fazem a entrega de alguns cabazes.
A terminar, o padre José Maria gostaria que “mais pessoas se envolvessem na Paróquia, até porque sem a prática cristã, a fé esvanece-se. Tem sido difícil fazer passar esta mensagem porque as pessoas não estão receptivas, apesar de reconhecerem que falham neste aspecto, mas o hábito é mais forte e é como já disse anteriormente, estão muito entregues às preocupações materiais”.

 

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