Bodas de ouro matrimoniais da Olga e do João José são inesquecíveis

 Bodas de Ouro! São 50 anos de união cristã… São 50 anos de matrimónio e de renovação dos votos e das promessas, comum e reciprocamente feitas, em casal, na cerimónia de casamento, segundo o preceito da Igreja de Cristo.
“BODAS” é uma expressão que provém do latim “vota”, que significa promessa, sendo em geral escrita no plural quando se refere a cerimónia relativa à união sacramental de  um homem e de uma mulher.
O nome “BODA” é, pois, o nome da celebração sacramental da união do casal, tomando também o nome de “BODAS” a celebração de cada um dos aniversários desta união, ganhando as “BODAS”, em cada ano, uma designação própria.
Assim, por exemplo, no primeiro aniversário celebram-se as “BODAS DE PAPEL”, no 10º as de “Estanho” ou “Zinco”, no 20º as de “Porcelana”, no 25º as de “Prata”, no 30º as de “Pérola”, no 40º as de “Esmeralda”, nos 50 as de “Ouro”, nos 60 as de “Diamante”, nos 70 as de “Vinho”, nos 75 as de “Brilhantes” ou de “Alabastro” e, aos 100 anos de matrimónio, os casais que lá chegarem celebrarão as “BODAS DE JEQUITEBÁ”.
De todas as bodas de casamento, as de diamante são as mais festejadas, seguidas das de ouro (50 anos), de prata (25 anos) e de estanho (10 anos).
No ocidente costuma dizer-se que, quando o casal atinge as “BODAS DE DIAMANTE”, este relacionamento nunca mais terá fim. Será eterno. Isto, talvez porque a maior parte dos que lá chegam ainda estão neste mundo, mas já não terão consciência disso, tal como não o terão e, muito menos, se aperceberão, mais tarde, da passagem ao mundo celeste…
As “BODAS DE OURO” – o ouro é um “metal nobre” -  têm esta designação porque este metal simboliza a nobreza da união dos casais. Refira-se, sintomaticamente, que um metal nobre é aquele que resiste à corrosão e à oxidação, não devendo confundir-se com os metais preciosos - muito embora muitos metais nobres sejam preciosos – pois estes só o são porque têm muito valor material.
Para além de ser usado como símbolo do sol, o ouro é também símbolo de pureza, valor, realeza e ostentação. Muitas competições premeiam o vencedor com ”Medalha de Ouro”.
Celebrar as “BODAS DE OURO” é, pois, uma ocasião solene para testemunhar a nobreza sublime da união do casal aniversariante, cujos sentimentos resistiram à voragem dos tempos e às contingências da vida em comum – em casal, em família, no trabalho, nas ocupações, nas diversões, nas diferentes e múltiplas condições e circunstâncias com que quotidianamente se depararam – perseverando no juramento um dia, 50 anos antes, feito perante os homens e perante Deus.
Este é também o testemunho que, hoje e aqui, quero trazer, porque o recolhi da vida de um casal muito amigo que, há dias, celebrou festivamente as suas “BODAS DE OURO” matrimoniais. E foi tudo isto, também passado nas suas vidas, que eu os vi reviver na linda cerimónia religiosa da celebração e na festa que se seguiu.
Refiro-me ao casal Maria Olga Moniz Ferreira e João José Salvador Dias que, no dia 27 do passado mês de Julho, celebraram o 50º aniversário da sua união matrimonial.
A Olga é natural da Ribeira das Taínhas, orago do Bom Jesus Menino, e o João José foi nado e criado nos Mosteiros, orago de Nossa Senhora da Conceição, tendo ambos “emigrado” para Ponta Delgada, onde a sua sede de saber e o desejo dos pais de os livrarem da vida dura que naqueles tempos se vivia, os chamou depois de concluída a escola primária, para prosseguirem estudos, percurso que só os juntou no Magistério Primário, onde se conheceram e de onde saíram Professores.
O casamento não tardou, celebrado na Ribeira das Taínhas, tendo fixado residência em Ponta Delgada. Mais tarde fizeram “up grade” em “Educação Física”, passando, nesta área, a Coordenar e apoiar o trabalho dos seus colegas junto das crianças, situação em que a aposentação os apanhou, há já uns bons anos, passando então a repartir o tempo entre Ponta Delgada e Ribeira das Taínhas e o continente, onde residem os seus dois filhos. Brindou-os de facto o Criador com dois filhos maravilhosos – a Sónia, Professora de Educação Física, e o Pedro, Conservador dos Registos e Notariado, que casou em Aveiro com a Eneida, tendo estes dado aos aniversariantes um neto “cinco estrelas”, o Bernardo, hoje com 15 anos, que é todo o seu enlevo.
Sempre conheci a Olga e o João José como uma exemplar referência nos domínios da união conjugal, da coesão familiar, da vivência social, da ligação à Igreja e do relacionamento com os amigos. Por muito grande que pudesse ser a tormenta era muito difícil e raro ver-lhes o copo da compostura a transbordar.
Para além da afinidade de Professores, a minha vida e a de minha mulher estiveram, a partir da segunda metade dos anos setenta do século passado, permanente e solidamente ligadas às da Olga e do João José. 
Foram os bailes e a convivência do Ateneu, as festas do Coliseu, as viagens fora do país e da região, foram as férias por perto ou em comum, foi o Movimento dos Cursos de Cristandade, foi o Movimento das Equipas de Nossa Senhora, onde juntos entrámos em 10 de Novembro de 1984, e foi, sobretudo, uma amizade cimentada e uma forte união consolidada que, durante todos estes anos, ligou os membros da nossa Equipa, com as reuniões mensais em família, os Retiros, as Jornadas de Reflexão, os Encontros Nacionais e Internacionais, os convívios familiares, as festas de aniversários e as tradicionais festas anuais do calendário, com ênfase para as do Natal, Páscoa, Santo Cristo e “Reveillon’s”… e foram também os extraordinários momentos  de fraterno convívio, de partilha, de crescimento e de fortalecimento da fé que professamos, foi tudo isto que me autoriza a afirmar serem a Olga e o João José um forte esteio na exemplaridade como pessoas, como amigos, como pais e como casal - como  casal cristão. 
Nestas celebrações das suas Bodas de Ouro matrimoniais, nas manifestações de apreço, de carinho, de admiração e de louvor que, na circunstância, lhe foram reiteradas, o casal poderá, sem dúvida, ter olhado para trás e ver, nas pegadas deixadas durante a caminhada, a perfeita noção de terem sabido cumprir – tanto quanto tal é humanamente possível – os desígnios do Senhor a seu respeito.
A cerimónia de aniversário do casamento foi linda! Com missa concelebrada na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, o Padre Norberto Brum, o Padre Basílio Agostinho Mendes e o Coro Paroquial, com as suas palavras, com as suas orações e com os seus cânticos, transformaram um acto quase normal numa extraordinária festa em família que dificilmente se varrerá da memória das várias dezenas de familiares e amigos que, no Templo, se associaram à alegria e à felicidade dos aniversariantes.
Igualmente inesquecível foi o convívio que, depois, a todos reuniu, no Hotel The Lynce, em torno da mesa da partilha de uma refeição esmeradamente servida, em que houve tempo para tudo – conviver, comer, beber e partilhar histórias em torno da verdadeira história de vida do Casal, do que um diaporama, criteriosamente organizado e elaborado a partir de fotos do álbum de família, com suporte oral adequado, no momento próprio, ao ser apresentado, deu exuberantemente conta.
Por tudo isto, foram mais que merecidas as efusivas manifestações de apreço então manifestadas pelos presentes aos aniversariantes, ao regozijarem-se com a nobilitante efeméride que, naquele dia e naquele momento, se estava a comemorar, ao mesmo tempo que formulavam votos de que a Olga e o João José, com a renovação do distante “SIM” do seu matrimónio na fé cristã, renovassem, também, a cumplicidade, a felicidade e o amor de que as suas vidas em casal são indelével testemunho. 

José Nunes
                                             

Print
Autor: CA

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima