João Moniz ganha notoriedade e actua no Monte Verde e na Zambujeira do Mar

 Correio dos Açores - Estiveste presente em dois grandes eventos musicais este verão: o Festival Monte Verde, em São Miguel, e no Sudoeste, na Zambujeira do Mar. Como correram?
João Moniz - Correram muito bem. Foi um prazer enorme abrir a edição deste ano do Monte Verde no Palco Ribeira Grande, numa noite com grandes nomes da música nacional e internacional, e fui muito bem recebido no MEO Sudoeste. Foram duas experiências incríveis num tão curto espaço de tempo, ainda estou a digerir os momentos.

O que sentiste ao subir o palco LG?
Eu estava muito calmo porque acima de tudo quis aproveitar o momento. Apesar de estar num festival de grandes dimensões e com um estilo musical muito diferente do que faço o público ajudou a que eu mantivesse a minha postura divertida e serena em cima do palco.

A vitória no concurso “One Step 4 MusicFest” foi a tua grande oportunidade?
A minha vitória na edição 2019 do “One Step 4 MusicFest” foi sem dúvida uma forma de me afirmar (em especial nos Açores) como artista. Vencer um concurso onde eu era um desconhecido vindo dos Açores foi sem dúvida algo muito gratificante para mim.

Conta-nos a história de teres pedido emprestado uma guitarra para este concurso?
Esta história está relacionado com o “diz que disse”. Na semana da final perguntei a diversas pessoas se havia algum problema em transportar a minha guitarra na viagem entre Ponta Delgada – Lisboa – Ponta Delgada. Foram tantas as respostas com relatos tão diferentes uns dos outros que preferi não arriscar. Como tenho um amigo que também é músico em Lisboa, o Hugo Gomes fundador e vocalista/guitarrista dos “The Sleepwalkers”, pedi-lhe a guitarra acústica emprestada. 

O que mais te apaixona: cantar ou compor?
Nunca há uma resposta certa para esse tipo de questões. Eu vejo tudo como um processo único, acho que está tudo relacionado.

Onde te sentes mais à vontade: nos covers ou nos originais? Em Inglês ou Português?
Eu só apresento temas que me fazem sentir bem e confiante, sejam eles covers ou originais, em inglês ou em português. Os temas são escolhidos muito tempo antes já a pensar no público ou no objectivo que temos para esse ou aquele espectáculo. Claro que às vezes sinto a necessidade de fazer uma alteração ou outra a meio de um espetáculo por vários fatores, entre eles o meu/nosso estado de espírito ou o comportamento do público.

Onde vais buscar a inspiração para os teus trabalhos?
Do que vivencio, acho que é isso que dá um certo toque de autenticidade. Insularidade, amor, momentos menos bons, pensamentos sobre o estado das coisas, opiniões, etc. Vejo a música como ela realmente é: uma forma de exprimir o que sinto ou penso.

Qual o teu principal objetivo no mundo da música?
Partilhar o meu trabalho é acima de tudo o meu objectivo principal, não interessa se num palco pequeno ou num palco grande, desde que haja alguém para ouvir o que tenho a “dizer” ou o que sinto. Acho que se pensarmos no Palco “X” ou “Y” perdemos um pouco o foco no que realmente importa.

Fala-nos do projeto “TheDaydreamers”.
João Moniz &TheDaydreamers é acima de tudo um projecto de amigos que por acaso são excelentes músicos. Acompanham-me desde 2018, ou seja, é um projecto muito recente mas que já passou por festivais como: São João da Vila, Festival da Povoação, Monte Verde Festival, além de bares e festas na ilha de São Miguel. O nosso principal objectivo é adaptar os meus temas para o formato em banda.

Com apenas 3 anos de idade tiveste uma guitarra clássica de brincar. Foi uma premonição?
Hoje em dia, e olhando para o meu percurso, acho que as coisas estavam feitas para que tivesse sempre uma ligação à música mas nunca pensei que conseguisse viver da música como está a acontecer. Sempre tive uma paixão pela música, em especial pela guitarra e pelo canto, sempre quis ter bandas, sempre quis tocar para alguém, mas nunca pensei que chegasse ao ponto de tocar num festival nacional como aconteceu.

Como está a correr a tua participação na Academia das Expressões com o teu conterrâneo João Paulo Costa?
É uma experiência muito gratificante fazer parte do crescimento de artistas, não só na vertente musical como na vertente pessoal. Aliás, eu tenho crescido muito com este projecto, porque cada aluno tem os seus próprios objectivos. Além do mais, temos no mesmo espaço artistas a frequentar ateliers de diferentes expressões artísticas: música, dança, teatro, artes plásticas. E agora com as inscrições abertas iremos receber novos alunos em Setembro com vontade de um dia conseguirem alcançar os seus objectivos enquanto artistas.

É fácil ser um profissional da música nos Açores?
Acho que ser artista, seja de qualquer vertente artística, não é tarefa fácil, em especial na nossa Região por várias razões. Apesar da muito boa vontade dos promotores/organizadores falta, por vezes, preparação por parte do público para que aceitem algo novo ou diferente, o que dificulta a nossa prestação e a nossa sobrevivência no ramo.

Há 3 anos, neste mesmo jornal, fiz-te uma entrevista como tinhas iniciado a tua carreira musical. Imaginavas que chegarias a este ponto de notoriedade?
Não acho que tenha alcançado grandes feitos para comparar a minha notoriedade de agora com a de há 3 anos. O que eu noto é uma evolução positiva enquanto artista e pessoa, e uma vontade enorme de partilhar o que eu mais gosto de fazer. Tenho trabalhado muito e isso tem-me dado mais oportunidades.

Estás a preparar um novo álbum. Que temas escolheste para aquele trabalho?
Sim, estou a preparar um EP que será lançado em 2020 e que terá como single o meu tema “Saudade”. Os temas escolhidos já foram apresentados diversas vezes ao vivo o que é um bom motivo para que apareçam nos meus espetáculos.

Que concerto mais te deu satisfação e guardas na tua memória?
Acho que é injusto mencionar só um, mas o Festival da Povoação foi o primeiro festival que me deu a oportunidade de me apresentar no dia mais importante do cartaz. Lembro-me que a nossa palavra de ordem para essa atuação foi: diversão, e foi isso que fizemos, aproveitamos o momento ao máximo.

                                       

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