25 de agosto de 2019

Crónica da Madeira

Alberto João Jardim: Um cidadão feliz, admirado e muito querido dos madeirenses

Na história da Madeira ninguém fez tanto pela sua terra como o Dr. Alberto João Jardim. Ele transformou-a completamente, permitindo aos madeirenses níveis de vida com qualidade. Político de exceção, pragmático, visionário, chega à chefia do Governo bastante jovem. Ele conhecia a fundo os gravíssimos problemas sociais de que enfermava a Madeira, como madeirense esses constituíam, para ele, uma preocupação constante. Havia, consequentemente, que dar prioridade a essas questões. Um dos seus pensamentos, repetido vezes sem conta, era que a Madeira estava sempre acima de tudo. O lema era servir e não servir-se. Mas servir com paixão. Os seus governos caraterizaram-se pela não perda de tempo e solução adequada dos problemas, ouvir atentamente as pessoas, porque era por elas que os Secretários estavam ali e, sobretudo, na medida do possível, resolver-lhes os problemas. Todas as cartas recebidas tinham resposta. 
A Madeira, quando o Dr. Alberto João Jardim entra para o Governo, era, na realidade, uma das regiões mais atrasadas do país. Os madeirenses eram cidadão de segunda (bem como os açorianos). Lisboa decidia tudo. Havia, julgo que as pessoas não perderam a memória, uma subserviência em relação aos continentais. Ele colocou orgulho nos madeirenses porque sempre os considerou e sempre os dignificou e exaltou-os, nas suas capacidades e talentos.
A sua vastíssima obra está hoje bem à vista: nas estradas, nas construções dos túneis, na eletricidade levada a toda a ilha, nas escolas, nos Centros de Saúde, na televisão que chegou aos mais longínquos recantos, a construção de piscinas e campos desportivos, miradouros, a Universidade, dando a possibilidade dos mais pobres terem acesso a graus académicos, abertura de museus, do arquivo, dos portos e aeroporto, enfim, tudo do que hoje usufruímos para nosso bem-estar. Nos anos da sua governação não houve uma só obra que a oposição tenha votado a favor, o que é bastante estranho numa democracia, sobretudo quando os políticos deviam estar conscientes que tudo isso era para bem da terra e da sua população, a quem, durante anos, tinha-lhe sido tirado os direitos de bem-estar e progresso, e de uma vida condigna.
Na realidade, quem atravessa a Madeira hoje, de norte a sul, em vias rápidas e cómodas, desfruta não só de comodidade, mas também da possibilidade de abranger com os olhos localidades antes inacessíveis, agora dotadas de caminhos agrícolas. E se compararmos que, no passado, para chegarmos a algumas freguesias levávamos cinco, seis, sete e mais horas e, ainda, a outras chegávamos de barco, em condições péssimas de acomodação, sujeitos às intempéries do mar... Evidentemente que as novas gerações receberam tudo isto de bandeja e, como tal, desconhecem o que era a Madeira no tempo dos seus avós e pais: a miséria que existia e as dificuldades que tínhamos de toda a ordem . É certo que fomos favorecidos pelos fundos comunitários, mas não é menos verdade que o Presidente Alberto João soube inteligentemente aproveitá-los e utilizá-los. Foi, sem dúvida, a sua visão esclarecida, a sua determinação e o seu conhecimento da Madeira profunda que lhe permitiu ir resolvendo as várias situações racionalmente, com prioridade para as mais urgentes. A sua luta pela autonomia é, ainda hoje continua a ser, uma preocupação: não atingimos tudo quanto desejamos e temos direito. Não podemos retroceder, nem nos curvar perante Lisboa. 
    Aos 17 anos, eu estava já no “Jornal da Madeira”. Nessa altura, vinham os Ministros de Lisboa, recebidos com grande pompa e circunstância, prometiam fundos e mundos, mas jamais, regressados a Lisboa, resolviam os nossos problemas. Deixavam a ilha por entre aplausos e sorrisos e, depois, esqueciam-nos. Até que, por fim, chegou a autonomia, um pouco forçada também pelo temor dos separatismos, e aí tudo, felizmente, mudou: passámos a ser os donos dos nossos sonhos e realidades; aí tudo se transformou...
Hoje o Dr. Alberto João Jardim é um cidadão feliz, orgulho de milhares de madeirenses que, quando se cruzam com ele pelas ruas do Funchal, cumprimentam-no efusivamente e agradecem-lhe a grande obra realizada na Madeira.

 

João Carlos Abreu

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Categorias: Opinião

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