25 de agosto de 2019

Aproveitar os recursos naturais

1- Fazendo uma busca sobre África deparamo-nos com a existência de uma organização sem fins lucrativos chamada  Inovação: A África, fundada em 2008 por Sivan Yaari, uma israelita que se cruzou com a precariedade de inúmeras aldeias rurais africanas devido à falta de água e energia.
2- Conhecemos bem de perto o problema e vivemo-lo em África na década de setenta, problema que ainda hoje subsiste em vários países daquele continente e é razão que leva inúmeros jovens, mulheres e crianças a procurar refúgio na Europa na esperança de recomeçar uma vida nova.
3- A Innovation: Africa concluiu nestes onze anos de existência mais de 140 projectos de fornecimento de água potável, água limpa, alimentos e assistência médica adequada a mais de 1 milhão de pessoas de várias comunidades e de diversos países africanos.
4- Os projectos consistem num sistema combinado assente na inovação e tecnologia israelita, que tem por base o aproveitamento da energia solar, instalando painéis, e a partir da electricidade captar água dois meios essenciais  para alterar a vivência das comunidades e fornecer  condições para desenvolver a agricultura e o ensino.
5- Em 2012, foi  conferido à Innovation: Africa o estatuto de consultadoria especial pelo Conselho Económico e Social das Nações Unidas. 
6- Israel tem uma reconhecida capacidade na área da inovação das energias renováveis como a solar e a geotérmica e a sua aplicação tecnológica na agricultura.
7- Invocamos o caso dessa organização porque ele é um excelente exemplo que os países da União Europeia deviam aproveitar para apoiar o continente africano no desenvolvimento das comunidades rurais através do uso dessas tecnologias que permitem obter água para beber com qualidade e para aumentar a produção agrícola, ter electricidade e criar condições de educação para os jovens aprenderem a ler e escrever, e tornarem-se cidadãos de corpo inteiro. 
8- O Governo português, pela sua relação com África, devia liderar uma proposta do género junto da EU.
9- Se os milhões de euros que têm sido gastos pela EU para conter os fluxos migratórios para a Europa fossem aplicados em projectos dessa natureza, seria um contributo moral dos países colonizadores para remediar a incapacidade que tiveram enquanto dominadores de África, na criação de condições que levassem ao auto desenvolvimento dos povos africanos. 
10- O uso das energias alternativas é uma matéria que foi objecto de estudo por ilustres Açoreanos que nos antecederam, abrindo caminho ao pioneirismo que os Açores têm tido nessa matéria.
11- Na década de oitenta foram instituídos apoios financeiros para incentivar os privados a instalarem painéis solares para uso doméstico e, apesar da novidade, houve vários projectos aprovados, e foi pena que não tivesse sido materializado um projecto de investimento que chegou a ser considerado e aprovado pelo Governo como de interesse regional, que visava a colocação de painéis solares no parque escolar da Região. 
12- Um projecto de incentivo à sua utilização de painéis solares na Região teria vantagens para os utentes consumidores, e seria um contributo para aumentar o uso de energias renováveis.
13- A Região esteve na vanguarda do aproveitamento eólico quando, na década de oitenta, foi instalado o primeiro parque eólico em Santa Maria, fruto de um consórcio entre a EDA e a MAN alemã.
14- Relevante também foi o projecto experimental de energia das ondas num consórcio liderado pela EDA e que juntou como parceiros o Instituto Superior Técnico, a Universidade de Glasgow na Escócia e a EDP, e que levou à construção da primeira central das ondas no Pico. 
15- Também no meio de grande celeuma e com muita persistência, arrancou a produção de energia geotérmica que contou com a participação de muitos especialistas dos Açores e do estrangeiro para a fase de pesquisa e para a produção com a tecnologia de japoneses e israelitas.
16- Desde então as energias renováveis, vilipendiadas de inicio pelos detractores profissionais, têm crescido e mostrado que, em termos ambientais, os Açores levam a palma.
17-  A aposta nas energias renováveis é um projecto de continuidade que deve ser enriquecido com a aposta no aproveitamento da energia solar.  
                                          

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Categorias: Editorial

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