27 de agosto de 2019

Gare do aeroporto abarrotada

Por estes dias, o Aeroporto João Paulo II está a abarrotar com o vai e vem interminável de passageiros que como formigas lá se vão desenrascando para chegar ao junto do check in e depois para o embarque. Nunca se viu uma confusão idêntica e pelo andar da carruagem, a situação irá agravar-se com o aumento dos voos de e para Ponta Delgada.
Há uns anos atrás, foi anunciado o aumento do aeroporto em todos os sentidos, com a elaboração de um Plano Diretor do Aeroporto de Ponta Delgada, onde detalhadamente se elencava o que era necessário para que aquela infraestrutura aeroportuária pudesse corresponder às necessidades de crescimento do tráfego aéreo.
Na altura previu-se que quando ais obras estivessem prontas, possibilitaria a que o Aeroporto João Paulo II poderia ter uma capacidade para 1.2 milhões de passageiros por ano. Embora muito se tenha feito para se melhorar as suas condições operacionais a ANA Aeroportos ficou-se pelo caminho no alargamento da aerogare. O que se sabe é que saem voos para 26 destinos diferentes e o número de passageiros no Aeroporto João Paulo II duplicou, passando de cerca de 980 mil, em 2014, para cerca de 1, 900 milhões em 2018.
Em certas alturas do dia e nos dias de mais tráfego, sobretudo no Verão, é de se evitar ir ao Aeroporto de Ponta Delgada para levar ou ir buscar passageiros familiares, como era um salutar hábito e necessidade, com as descolagens e aterragens na época alta, mais parece que estamos no Algarve.
A ANA Aeroportos, proprietária daquele Aeroporto está com certeza atenta a esta grave situação, e os constrangimentos vividos na sala de embarque são muitos evidentes, pelo que se deve agir de imediato na sua remodelação. Veja-se o que acontece na Madeira, no Aeroporto do Funchal, com uma estrutura com vários pisos, que facilita em muito a operação aeroportuária e, com grande eficiência, dá resposta ao volumoso trafego aéreo para aquela ilha.
A ANA Aeroportos previa investir cerca de 30 milhões de euros na remodelação da sala de embarque, ampliação da plataforma de estacionamento de aeronaves e construção de um caminho paralelo de circulação no Aeroporto João Paulo II. A obra iniciou-se mas importa perceber quando é que a aerogare corresponderá às exigências atuais. 
Relativamente à intervenção na aerogare, a obra previa a remodelação e ampliação da sala de embarque de passageiros, com um aumento da capacidade e a requalificação e dinamização das áreas comerciais existentes, obra que estava então orçada em cinco milhões de euros e a cargo da Edifer, cuja conclusão estava prevista para o verão de 2010.
Foi apontado como objetivo daquelas obras a necessidade de se responder ao aumento registado e previsto do número de passageiros a utilizar a estrutura, tendo em vista assegurar a qualidade do serviço. Contudo, hoje em dia a necessidade que se sentia na altura é, atualmente, muito mais gritante e não se tem ouvido publicamente muito ruido a defender esta causa.
É imperioso que se dê condições para a melhor operacionalidade das próprias companhias aéreas, que devem ter muito interesse em fazer rotações de forma mais rápida, com menos custos e com melhor qualidade de serviço.
Há ainda muitos outros investimentos que a ANA Aeroportos terá de fazer no Aeroporto João Paulo II, para além da referida ampliação da sala de embarque, como seja a criação de mais portas de embarque em simultâneo, colocação de mais equipamentos de rastreio de passageiros, bagagens de mão e porão, etc.
O Aeroporto de Ponta Delgada já é considerado um aeroporto internacional e como tal deve responder qualitativamente ao seu estatuto, face ao aumento registado e previsto no número de passageiros a utilizar aquela estrutura, assegurando a qualidade do serviço.
Estando a celebrar 50 anos de existência, não podemos esquecer que um dos motores da economia da nossa Região é o turismo e o Aeroporto não pode ser um constrangimento ao desenvolvimento turístico, bem pelo contrário terá de ser um fator que contribua para a imagem de desenvolvimento dos Açores.
 

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Categorias: Opinião

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