“Associação Terra Verde ficou esquecida quando até já tinha apresentado propostas” para o desenvolvimento da agricultura regional

O Programa Jovem Agricultor, recentemente apresentado pelo Governo Regional, apresenta medidas para garantir sustentabilidade do sector agrícola que merecem concordância dos produtores, tal como foi recentemente anunciado.
O Programa, a aprovar até final deste ano, vai permitir majoração de algumas medidas para os mais novos no sector; uma linha de crédito quer para os que façam a primeira instalação quer para os que já estejam há cinco anos no sector; e um curso de formação agropecuária.
A este propósito, o nosso jornal contactou com a Associação Terra Verde, que há uns anos a esta parte também se tem empenhado no desenvolvimento da agricultura regional.
O Presidente da Associação Terra Verde recorda que há uns anos foi apresentada uma proposta nesse sentido que nunca mereceu a devida atenção. 
“É com grande satisfação que a Terra Verde vê o novo projecto apresentado pelo Governo Regional, inclusivamente o curso de formação agro-pecuária, sendo certo que este vem de encontro às ambições da Terra Verde e em acordo com os projectos que têm vindo a ser apresentados à Secretaria Regional da Agricultura e Florestas há vários anos.
É de facto uma situação preocupante, a falta de formação na área da agricultura perante os constantes desafios que se avizinham, com novas tecnologias, novos modos de produção, exigências dos mercados, sustentabilidade agrícola, etc... pelo que, este projecto vem colmatar esta falha. 
Mais uma vez, parece um projecto delineado estrategicamente para apoio à agropecuária, sem que na realidade tenha havido uma preocupação com a formação de jovens para o sector hortofruto-florícola. Neste sentido, basta ver a oferta formativa lançada recentemente em colaboração com entidade formadora que inclui apenas cursos da agropecuária, entre eles: Processos e métodos de correcção, fertilização de solo; Instalação, manutenção e colheita de culturas forrageiras; Conservação de forragens - fenação; Nutrição e Alimentação Animal.
A Terra Verde, apresentou à Secretaria Regional da Educação, com conhecimento da Secretaria Regional da Agricultura, há cerca de 6 anos, uma proposta que consistia em incluir no ensino regular uma oferta formativa na área da agricultura e da pecuária, em duas escolas da Ilha de São Miguel, sendo que uma delas deveria ser no Concelho da Ribeira Grande e outra no Concelho de Ponta Delgada, nomeadamente em Arrifes. A justificação prende-se com a existência de estruturas educativas capazes de darem resposta, no caso da Ribeira Grande e pela facilidade de acesso a várias produções agrícolas da área hortofruto-floricola, bem como aos terrenos de Santana, pertencentes à Região para apoio à formação prática, e no Concelho de Ponta Delgada, em Arrifes pelo facto de existir na proximidade da escola, a Associação de Jovens Agricultores que dispõem de infraestruturas e efectivo animal para apoio à formação.
Apesar de entregue proposta com plano curricular, a mesma parece não ter merecido a devida atenção, quer pela Secretaria Regional da Agricultura, quer pela Secretaria Regional da Educação. Até ao momento, e apesar dos esforços em obter respostas, ainda não as obtivemos”. 

“Já não existe mão-de-obra qualificada”

Pelo facto da Terra Verde não ter sido abordada para qualquer esclarecimento ou partilha de informação, Manuel Ledo mostrou-se surpreendido, que “mais uma vez, tendo a Secretaria Regional da Agricultura conhecimento da vontade da Terra Verde em avançar com um projecto desta natureza”, não foi auscultada. “Consideramos que é de facto importante a existência deste projecto, a nossa crítica vai no sentido de, que um projecto «ambicioso» como este, deveria ter um espectro de acção mais abrangente.
O mesmo deveria ter sido elaborado com o apoio de quem está a trabalhar na área específica da agricultura, e reforçar que, ao contrário do que diz Jorge Rita que «acredita que daqui a algum tempo a mão-de-obra na agricultura vai deixar de ser tão fácil de conseguir», informamos que este é já um dos maiores problemas no sector hortofruto-florícola”, validando que “não existe mão-de-obra qualificada na Região para trabalhar na agricultura. Esta situação é ainda mais preocupante pelo facto das escolas profissionais, neste momento, não terem um único curso de produção agrícola/produção vegetal, à semelhança do que houve recentemente e ainda pelo facto de grande parte da população estar a receber o RSI e por esse motivo não têm interesse/motivação para trabalhar, sempre que as propostas de trabalho são na agricultura”.

“Exigência superior em relação ao que se produz e como se produz”

Manuel Ledo defende uma outra estratégia para a agricultura não está bem delineada e explica porquê? “Defendemos que o sector agrícola está a crescer a passos largos, os investimentos são uma realidade, são cada vez mais as pessoas, incluindo jovens, a investir na agricultura, o consumo aumentou muito devido ao elevado afluxo de turistas, e por isso mesmo verificamos uma exigência superior em relação ao que se produz e como se produz. Consideramos que a estratégia, não está bem delineada quando substituímos os cursos de produção agrícola/produção vegetal por cursos de turismo, quando o importante seria dar continuidade aos dois, pela importância que têm no desenvolvimento dos Açores”.
Para além do curso de formação, o Presidente da Associação Terra Verde está expectante em saber “se as medidas apresentadas pelo Governo para garantir a sustentabilidade agrícola, venham de encontro às necessidades dos jovens agricultores de todas as áreas, seja agricultura ou pecuária”, relembrando que, “até ao momento, nenhum Jovem Agricultor que se candidate à medida 6.1 do Prorural +, consegue atingir o prémio máximo atribuído, o que não se verifica no caso dos jovens agricultores da pecuária, isto porque, o apoio está relacionado com a área. A Terra Verde também, em relação a este assunto, já propôs uma alteração desta medida de, forma a que todos os jovens tenham a oportunidade de alcançar o último escalão”.
Em relação ao projecto em questão, “como sócios da Federação Agrícola dos Açores, teremos oportunidade de enviar o nosso parecer e analisar atentamente o projecto, caso seja solicitado. No entanto, lamentamos que nos Açores e especificamente em São Miguel, se continue a apostar maioritariamente no sector da pecuária e se esqueçam que a agricultura dos Açores é muito mais do que apenas produção de leite e carne”, finalizou.

 

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