Gonçalo Rodrigues quer evoluir para uma classe superior

“Por falta de verbas vejo a minha carreira um pouco sombria”

Depois de ter por 3 vezes conquistado o título de campeão europeu, alcançando o de campeão do Mundo na classe GP3, era este o título que lhe faltava, ou já tem outros títulos no horizonte para tentar alcançar?
O título de campeão do Mundo é o único que me faltava no meu extenso currículo. Agora o objectivo passa por alcançar mais títulos mundiais.

O que lhe veio à cabeça quando ouviu a aparelhagem sonora pronunciar o seu nome com a conquista do título mundial de jet ski?
Foi um momento fantástico e único. Sentimento de missão cumprida. 
Quando iniciei a prática no jet ski disse que queria deixar a minha marca a nível mundial e ao ouvir o meu nome para subir ao pódio foi simplesmente nisso que pensei. Ao ouvir o hino nacional foi outro momento marcante que nunca mais sairá da minha memória. Foram todos momentos especiais. Ainda por mais tive a presença de minha mãe no meu primeiro título mundial o que o torna ainda mais especial. É raro ela ir para as minhas provas porque fica muito nervosa.

Este foi o melhor campeonato que já participou e quais as melhores classificações?  
Sem dúvida que este ano tem sido o ano mais alto de toda a minha carreira. Posso dizer que este ano venci todos as provas em que participei, demonstrando a eficácia do trabalho feito por mim e por todas as pessoas que me rodeiam. É sempre preciso o apoio de muitas pessoas para que tudo corra pelo melhor. Caso contrário os resultados não irão aparecer. 

“QUERO SUBIR DE ESCALÃO”

Quais as expectativas e pretensões para o ano de 2020? 
Para a próxima época não tenho nada definido ainda. Estou concentrado em fazer grandes resultados nesta segunda metade da época de 2019 que já está a caminho e quanto a 2020 começo a preparar no final do ano. Apenas posso dizer que estou a tentar angariar alguns patrocinadores para a época de 2020 para tentar subir de escalão. Não está a ser tarefa fácil.

Tem alguém a quem atribuiu o sucesso nas águas?  
Claro que sim. Primeiramente ao meu pai porque foi quem me motivou e continua a motivar a alcançar grandes feitos. É a pessoa que exige cada vez mais de mim, o que me faz evoluir muito. 
Também devo muito do meu sucesso na água ao meu padrinho Emanuel Oliveira. É quem faz a reparação dos motores do jet ski e repara as avarias mais complicadas. Também foi uma pessoa que me ajudou muito na parte logística quando era mais novo. Ao Pedro Freitas também devo muito do que sei hoje. Foi o meu professor nos meus primeiros anos de aprendizagem de jet ski. Foi um grande piloto de jet ski e chegou mesmo a ser vice campeão nacional. 
Claro que não posso esquecer o apoio de toda a minha família, que é um suporte fundamental para alcançar bons resultados. Não esqueço odos os patrocinadores e as pessoas que contribuem para que tudo corra pelo melhor e para que não falte nada.

Há mais algum sonho(s) sobre as águas que ainda queira alcançar?  
 Subir de escalão e alcançar mais títulos mundiais são os meus sonhos actualmente e como já disse vou trabalhar arduamente para consegui-los. 

Quais são os seus patrocinadores?
Actualmente conto com o apoio de algumas empresas que pretendem divulgar o seu nome mais além como por exemplo, Bioforma Açores,Tecninautica, Yamaha, Serralharia Outeiro, massagista Carlos Barbosa e Queijadas de Vila Franca.

Em Portugal é possível viver somente deste tipo de desporto?
Sim, é possível viver do jet ski. Não através de apoios de patrocinadores como acontece em alguns desportos, mas sim através da preparação e da venda de motos de jet skis, bem como campos de treino para pilotos mais jovens.  

Os patrocínios inviabilizam dedicar-se apenas a este desporto? O que falta ou à que ter atenção aos estudos?
Não, é completamento impossível eu conseguir viver do jet ski. O orçamento que tenho para uma época desportiva é muita curto e tenho de ter a ajuda de meu pai para conseguir fazer todas as provas que faço. Os estudos são a prioridade.

“ORÇAMENTO DE 25 MIL EUROS 
CONSUMIDO EM VIAGENS”

E qual é o investimento médio para participar num campeonato como o nacional, europeu ou mundial, por exemplo?
Para participar nos campeonatos do mundo, europeu, nacional, regional e algumas provas em Espanha, são necessários aproximadamente 25 000 euros. É um orçamento que me impede de colocar material novo no jet ski em todas as provas porque tornava-se muito dispendioso. Se fosse assim era impossível continuar na modalidade. Luto com as armas que tenho em todas as provas. A excepção é a participação no campeonato mundial em que o jet ski é todo revisto. Só para o “mundial” gastamos uma média de 9 000 euros. 
A Região Açores, através do contrato programa assinados este ano, concedeu-lhe 18 mil euros para apoio à preparação e à participação em competições no âmbito do desporto de alto rendimento. É uma ajuda suficiente e surge pela primeira vez?  
Todos os atletas de alto rendimento da Região têm direito a esse apoio. A Região disponibilizou para essa época de 2019 um apoio de 18 000 euros. Sem dúvida que é uma grande ajuda e na qual aproveito para agradecer aos drs António Gomes e João Ávila, da Direcção Regional do Desporto, por toda a disponibilidade e apoio necessários.
Com esse apoio torna-se mais fácil as minhas, participações em todos os campeonatos que participo. Disponho de melhores condições de treino e de preparação. 
No entanto, numa época gastamos cerca de 25 000 euros só em participações em prova sem contar com a aquisição de novo jet ski, que é o mesmo desde 2017. 
Se fosse fazer contas à compra de um jet ski novo ( jet ski GP3 ) para todas as épocas, por forma a ficar mais competitivo, 40 000 euros era o orçamento para uma época e talvez não dava. Todos os pilotos que estão no meu nível, nos campeonatos mundial e europeu, trocam de jet ski todos os anos. Como o meu orçamento é reduzido, obriga-me a competir com um jet de 2017 . 

É conjuntamente com o velejador faialense Rui Silveira, os únicos açorianos com o nível máximo (“A”) do regime de alto rendimento. O que lhe proporciona ter este nível em termos de apoios para as provas e para os estudos, por exemplo?  
 O regime de alto rendimento que estou (nível A) permite melhores condições de treino e alguns benefícios escolares visto que um atleta de alto rendimento perde muito tempo a treinar. A nível escolar tenho direito a um professor acompanhante bem como a facilidade de mudar testes caso esteja em preparação para competições ou mesmo em competições. Para além disso, o regime de alto rendimento oferece os centros de estágio para treino como é o caso do Jamor, onde posso treinar diariamente.  

Que apoio lhe tem dado a Federação Portuguesa de Motonáutica?  
 Neste momento a Federação Portuguesa de Motonáutica não está a apoiar os pilotos. No entanto, tem vindo a melhorar imensamente a organização das provas e tem conseguido aumentar o número de atletas nas provas . O presidente Paulo Ferreira, que tomou posse da Federação há cerca de um ano, tem feito um trabalho fantástico. Penso que num futuro próximo a Federação ajudará os seus pilotos que participam nos campeonatos da Europa e do Mundo.

A categoria de Ski Divison GP3 que participa, pode-se classificar a segunda mais importante na hierarquia da modalidade?  
A categoria GP3 em que estou a competir é a mais baixa da hierarquia a nível de potência. A nível de idades os atletas são todos dos 16 anos para cima ou seja da classe sénior. Em contrapartida é uma classe muito competitiva porque os jet skis têm todos a mesma potência. Aqui faz a diferença o piloto, a sua técnica. Acima de GP3 existe a classe Ski GP2 ( já uma classe em que os jet skis têm mais alguma potência) e a classe rainha, a Ski GP1, onde o casco do jet ski já pode ser em carbono e com as modificações pretendidas pelo piloto. 

“O MEU CURRÍCULO NÃO DEIXA 
DÚVIDAS”

O que falta para passar à categoria principal?  
 Esta é uma boa questão. Neste momento é o passo que que estou a tentar dar. Não para a categoria principal, pois um jet ski pode chegar aos 40 000 euros, mas sim para o escalão Ski GP2, que custa cerca de 21 000 euros. Estou a trabalhar arduamente para conseguir dar este passo na minha carreira, mas infelizmente não é fácil arranjar patrocinadores. Penso que o meu currículo não deixa dúvidas e acho que as empresas açorianas deveriam apostar mais nos seus atletas. Infelizmente vejo a minha carreia um pouco sombria daqui para a frente. Porém a esperança não acabará e continuarei a trabalhar arduamente para conseguir subir de escalão.  

Quem faz a manutenção da moto de jet ski?  
Maioritariamente a manutenção do meu jet ski é feita pelo meu pai e pela empresa Tecninautica, representante da Marca Yamaha. O jet ski de corridas vem aos Açores no final da época e é feita uma desmontagem de todo o material para limpeza, reparação e troca de material de desgaste. Caso aconteça algum problema fora da ilha, tenho o apoio de 3 amigos em Lisboa que reparam o jet se necessário. 

Porque se tem designado desde há algum tempo as provas de Jet Ski por Aquabike?
Primeiramente a aquabike ( UIM – União Internacional De Motonáutica ) é onde a Federação Portuguesa de Motonáutica se encontra filiada. Para além disso, são provas com melhor organização e com uma melhor seleção de pilotos. 

Existe algum tipo de preparo para as corridas, alguma ginástica específica, ou apenas treino com a próprio máquina?  
Treino na água três vezes por semana e o restante trabalho é feito no ginásio juntamente com o meu preparador físico. Tento fazer sempre um treino variado para estimular diversos músculos e certamente que é fundamental para uma boa performance na corrida. Caso contrário não existe concentração e consequentemente são cometidos muitos erros de condução que leva a perda de tempo. O equilíbrio é fundamental na modalidade do jet ski.

E algum cuidado específico com a alimentação?  
A alimentação é um aspeto muito importante para o bom desempenho físico. Portanto,  tento ser sempre o mais equilibrado possível e manter o peso sempre linear ao longo da época para não haver perda de resistência e força. 

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Categorias: Desporto

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