Perda de uva pode chegar aos 50%

Produtores de vinha de São Miguel em pânico

Só a partir da próxima semana se vai perceber a extensão dos prejuízos que o atípico mês de Agosto vai ter na vinha em S. Miguel, mas o nosso jornal sabe que as expectativas são muitos pessimistas e os produtores de uva e do tradicional vinho de cheiro estão em pânico.
Um dos produtores contactados pelo nosso jornal foi o empresário de Vila Franca do Campo, Eduíno Simas, que, para além de produzir vinho, está também ligado à produção de maracujá, sendo o maior produtor deste fruto da ilha de São Miguel, e também produz banana, sendo, portanto uma pessoa experiente e conhecedora da realidade da produção das chamadas culturas tradicionais dos Açores.
Eduíno Simas não quis adiantar números, apenas disse que “na próxima semana já teremos uma ideia mais objectiva do impacto que a chuva atípica deste mês de Agosto vai ter na produção de uvas, que estão a apodrecer e a rachar na própria planta”. Os produtores estão em pânico, pois vivem disso, e esta não é uma cultura subsidiada, pelo contrário, no caso de S. Miguel, tudo se tem feito para acabar com a produção da nossa uva tradicional, estando agora a assistir-se à produção de outro tipos de castas, cuja produção não é compatível com a quantidade produzida, o que quer dizer que não é vinho dos Açores, mas é vendido como tal”.
Um outro produtor contactado pelo nosso jornal adiantou-nos que os produtores anteciparam a apanha da uva, para não continuar a apodrecer nem a rachar, mas com a falta de sol, constata-se que a uva que está aproveitável ainda não está suficientemente doce e amadurecida, e tem que ser muito bem escolhida, pois já existe muita uva podre e rachada” perspectivando-se um dos piores anos de produção de uva, cuja diminuição pode chegar aos 50%. Em anos anteriores, adiantou ainda este produtor, “houve anos de pouca produção, mas a uva era de boa qualidade, este ano a uva que vai conseguir ser aproveitada não é boa e vai haver muito desperdício, pelo que se vai assistir a uma redução brutal na produção de vinho, e a sua qualidade não será boa”.
Um dos concelhos mais afectados em São Miguel é o de Vila Franca do Campo, onde existem muitos produtores e muitas famílias que dependem desta actividade, sendo muito típico o chamado “circuito das adegas”, que proliferam nas várias freguesias daquele concelho, desde Água, d’Alto à Ribeira das Tainhas, e onde várias pessoas se deslocam de outros concelhos para provarem as diversas qualidades de vinho produzidas, onde grupos de amigos se organizam e fazem grandes jantaradas e vários petiscos, percorrendo as várias adegas existentes. Em bons anos, os produtores conseguem aguentar o seu vinho até Março; este ano a perspectiva é a de que antes do Natal já não haja mais vinho, o que se vai repercutir negativamente no rendimento dos produtores e das suas famílias que dependem desta actividade.

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Autor: CA

Categorias: Regional

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Revista Pub açorianissima