A azáfama diária no porto da vila piscatória em fotografias

338 toneladas de lulas já renderam 3,2 milhões de euros aos pescadores que descarregam na lota de Rabo de Peixe

 Quinta-feira, (13h30) – Mais de 20 embarcações, entre barcos de boca aberta, embarcações calinadas, traineiras da pesca de fundo e algumas traineiras que, na abundância do atum, se dedicam à safra atuneira, estão a navegar ‘a todo o vapor’ para o porto de Rabo de Peixe. Todas elas transportam lulas. Tem sido assim todos os dias dos últimos meses.
Até ao dia 25 de Julho já se tinham descarregado aproximadamente 800 toneladas de lulas nos portos dos Açores no valor de 6,6 milhões de euros. Quase metade desta pescaria foi descarregada no porto de Rabo de Peixe. Ou seja, 338,8 toneladas de luta no valor de 3,2 milhões de euros.
Um comerciante de pescado, que gere a empresa ‘Vidinha’, e que o ano passado foi o maior exportador do atum em fresco dos Açores, descobriu este ano mercado para a lula dos Açores que o permite pagar nas lotas açorianas a um peço médio de 8.33 euros o quilo.
Em anos anteriores eram, essencialmente, pequenas embarcações de boca aberta, com dois a três pescadores que se dedicavam à pesca da lula e o seu preço em lota dava para estes pescadores irem sobrevivendo. De Janeiro a Julho de 2014, o preço médio por quilo da lula no porto de Rabo de peixe era de 6,5 euros. Mas, já em 2017, no mesmo período, o preço médio por quilo da lula era de 10.17 euros.
Este ano, com o preço da lula a ultrapassar, em média, os 8 euros o quilo (na lota de Rabo de Peixe o preço médio é de 9,47 euros o quilo), assiste-se a uma azáfama invulgar na vila piscatória. A frota de mais de 20 embarcações sai para o mar às primeiras horas da manhã. Alguns dos barcos tem seis a sete pescadores e vários aladores manuais. Já nesta altura, a azáfama é significativa na zona do porto com quase todas as embarcações a navegarem para a mesma zona. Parece até que vão à procura de um ‘novo ouro’. Ontem, pescaram ao largo da Ribeira Grande e Ribeirinha, mas existem dias em que pescam ao largo dos Fenais da Luz e das Calhetas. Podem ser vistos de terra. Parecem garimpeiros de lutas que poderiam bem ser o seu ouro mas que são, de certeza, o seu pão de cada dia. Chegam a determinadas zonas com marcas em terra, lançam a linha a partir do alador manual e começam a pescar as lulas. Por vezes, surgem golfinhos que se atiram às lulas na linha e só chega cá acima o anzol. Quando isso sucede, os pescadores mostram-se irritados e falam alto como se os cetáceos os entendessem. São momentos em que até apetece fazer o que está proibido.
Regressam, todos os dias, por cerca das 13h30 (hora de almoço). Cada uma das embarcações consegue encher entre 5 a 10/12 caixas de lulas, conforme o local onde pesca, a arte da pesca, o tamanho da embarcação e o número de pescadores a bordo.
A frota chega quase toda ao mesmo tempo mas, curiosamente, não há discussões. Todos se entendem. Quem chega primeiro é despachado em primeiro lugar. E até o funcionário da lota cumpre esta regra com uma rigidez tal que elimina qualquer zanga. Algumas das tripulações esperam a sua vez para que a viatura que trabalha para a lota receba a sua pescaria. E as crianças que, até então, tomavam banho e mergulhavam de alturas inimagináveis, juntaram-se todas em redor das embarcações e foram assistindo às descargas.
Uma curiosidade interessante é que todos os pescadores saem das embarcações com pequenas caixas térmicas. O jornalista quase põe a mão no fogo de que levam no seu interior algumas lulas para alimentar a família. Mas, esta hipótese não passa mesmo de uma suposição.
O que é factual é que nova uma boa elação entre armadores, pescadores e funcionários da Lotaçor no porto de Rabo de Peixe. 
Alguns daqueles barcos que descarregaram ontem lulas têm ainda quota de goraz e peixão  que deverão esgotar até ao final de Dezembro, período em que atinge os preços mais elevados no mercado espanhol. E há também barcos que, o ano passado, se dedicaram à pesca de atum devido às grandes quantidades que apareceram no mar dos Açores, ao contrário desta ano em que a pescaria de atum é tão reduzida (411 toneladas até ao dia 25 de Julho deste ano contra praticamente 4 mil toneladas em igual período do ano passado).
No meio e tanta falta de atum, não admira que os pescadores cheguem a terra com um sorriso nos lábios a exigir as caixas cheias de lulas. 
Acredita-se que, se as lulas permanecerem próximo das ilhas dos Açores durante o mês de Setembro, as pescarias deste ano podem ultrapassar as mil toneladas, o que seria um verdadeiro recorde difícil de ultrapassar.
                                          

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Autor: João Paz

Categorias: Regional

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