1 de setembro de 2019

O valor da verdade!

1 - A falta de lugares disponíveis para viajar de avião inter-ilhas e para o exterior nas primeiras duas semanas de Setembro tem gerado críticas que são legitimas na perspectiva do utente.
2 - Trata-se de um dificuldade que é cíclica e prende-se com o termo das férias e o regresso dos estudantes à universidade, e dos novos alunos que a vão frequentar pela primeira vez. 
3 - Quem planeia viajar costuma com antecedência assegurar o lugar, e para esses a questão deve estar resolvida, restando, porém, as urgências de última hora, para as quais as operadoras de serviço público devem dispor de uma reserva cativa para o efeito.
4 - Estão em causa situações de saúde, de negócios, e de segurança pública.
5 - Percebendo-se o clamor público que tal situação levanta, o mesmo não acontece com as clamações vindas de vários responsáveis políticos que exasperam pela falta de capacidade das empresas de transporte aéreo para responder a pico de procura. 
6 - É  que não é possível exigir a qualquer empresa de transporte aéreo meios adicionais aos com que opera regularmente, para satisfazer em dada altura do ano um excesso de procura. 
7 - Sempre que se exige mais do que aquilo que a transportadora aérea dos Açores pode fazer, estão a exigir um serviço que vai gerar mais prejuízo e colocar em risco uma empresa que é imprescindível para a mobilidade da regional.
8 - E não vale a pena dizerem que São Miguel é o carrasco que mata a SATA, porque tal discurso revela uma ignorância quanto à repartição dos custos da operação aérea da companhia. 
9 - Somos, por dever e por convicção, defensores e praticantes da unidade dos Açores e dos Açoreanos, mas de quando em vez é preciso lembrar quanto custa a São Miguel manter essa unidade, sem reclamações ou ressentimentos. 
10 - Os que semeiam o veneno do divisionismo deviam saber quanto custa a São Miguel uma política de preços uniformes em todas as ilhas para os transportes, os combustíveis, a electricidade e outros. Se duvidas houver, é pedir a desagregação de cada uma das tarifas dos bens e serviços referidos. 
11 - Estamos chegados a um ponto que é preciso aprimorar a linguagem da verdade e combater a calúnia fácil que domina na sociedade, calúnia que sendo replicada pelas redes sociais sem qualquer responsabilidade, e de tanto apregoada, acaba por tornar-se como verdade.  
12 - Várias são as vezes que temos tratado este tema e esta semana foi noticiada a decisão do Governo criar a Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica
13 - Tal como temos alertado, a nova subcultura criminal opera no ciberespaço roubando, como se estivesse no mundo real, arquivos de governos e de serviços de segurança nacional, de empresas e de particulares, espiando, vendendo-os de seguida e exigindo  resgates às vítimas sob ameaça de ou pagam e ou  os dados são destruídos. 
14 - E quem pode pagar como é que paga? Em moeda virtual bitcoins, que circula na web, e é emitida sem controlo de nenhum Banco Central ou Governo. São transacções que não deixam rasto, nem identificam os criminosos.
15 - Depois do que escrevemos sobre a matéria apraz registar a decisão do Governo e o envolvimento do Ministério Público no combate ao crime cibernético que a partir de agora torna-se uma opção prioritária da Justiça.
16 - Mas a medida está incompleta e espera-se que o Governo tenha coragem para regular de imediato os delitos de opinião cometidos nas redes sociais, para que a liberdade de difamar não seja ilimitada, chauvinista e populista, deixando um rasto de lama que putrifica a sociedade, enquanto a liberdade de defesa e reparação dos difamados jaz castrada.

    Américo Natalino Viveiros

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Categorias: Editorial

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