3 de setembro de 2019

Quem não se sente...

Não, meus amigos! Não interrompi as férias, como fez um certo Presidente da República aquando da aprovação do nosso Estatuto Político Administrativo.  
O meu regresso às colunas deste nosso Correio dos Açores estava “programado” para o início de Setembro e é isso que estou a fazer.
Por coincidência, apareceu neste Jornal na passada semana, um artigo de opinião assinado por um senhor chamado Marcos Couto onde, entre várias considerações sobre uma hipotética reunião da ATA com a TAP para substituição da Azores Airlines no grupo central afirma, na nota final do dito artigo, que o “afundanço” (o termo é meu) da SATA Internacional (não será a Azores Airlines?) se devia à classe económica ponta-delgadense por ter obrigado o permissivo Governo Socialista a uma política de rotas catastróficas para a companhia e que apenas beneficiava a Ilha de S. Miguel.
Antes desta “inteligentíssima tirada” aquele cavalheiro já tinha  “bolsado” outra acusação sobre a frequência de, cinco dias por semana, da companhia Delta Airlines no Aeroporto (Internacional) de Ponta Delgada vinda de New York.
Na opinião do “douto articulista” aquela ligação teria sido conseguida à custa do acordo da Base das Lajes (isso ainda existe?). Quando veio a público pela primeira vez esta questão, trazida por um “ultra bairrista” partido político, com sede na ilha que já foi (e gostaria de ser novamente) a Capitania Geral dos Açores, o Governo Regional que tem a sua sede na maior e mais populosa ilha deste Arquipélago desmentiu tal afirmação esclarecendo que a vinda da Delta Airlines nada teve a ver com a presença de “meia dúzia” de militares americanos na ilha Terceira.
Tal como os Directores deste Jornal já esclareceram, se não fosse a obrigatoriedade de considerar os Açores como um todo, onde os preços de certos produtos essenciais têm de ser iguais para todos os açorianos, o custo de vida em S. Miguel seria muito mais baixo do que nas outras ilhas pelo simples facto de ser a ilha mais populosa, mais produtiva e com maior número de empresas.
Enquanto noutras ilhas o Governo é que faz, ou tem que apoiar quem faça, em S. Miguel, são os micaelenses que tomam a iniciativa de fazer com ou sem apoio do governo.
Voltando à SATA, devo chamar à atenção de que não foram os micaelenses que criaram as “borlas” para que os turistas visitassem as outras ilhas quando entravam por S. Miguel, para que as chamadas “ilhas de baixo” também tivessem ocupação turística.
Não foram os micaelenses que obrigaram a SATA a voar para destinos com pouca ocupação nos aviões para satisfação de caprichos. Se as companhias que voavam para outros destinos nos Açores, que não S. Miguel, o deixaram de fazer foi porque lhes dava prejuízo. A SATA, em parte, foi colmatar essas faltas, ficando com os prejuízos que outros não quiseram ter.
Foi esta política de protecção às outras ilhas que tem levado a Azores Airlines (este é que é o nome correcto da Empresa) e em parte a SATA Air Açores com as ligações gratuitas para as outras ilhas, que tem levado ao descalabro financeiro daquelas empresas.
Ponta Delgada e a sua classe económica não têm nada a ver com esta matéria, bem antes pelo contrário. Se não fossem os micaelenses, muito provavelmente o Grupo SATA já não existiria. Apesar de terem sido eles a criar a SATA.
Não podia, nem devia, ficar calado perante as acusações do senhor Marcos Couto.
Como diz o ditado: quem não se sente não é filho de boa gente. Eu honro muito os meus, tanto ascendentes como descendentes.

P.S. Texto escrito pela antiga grafia.

1 de Setembro de 2019

 

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Categorias: Opinião

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