Arnaldo Sousa e o regresso do Achada FC à 2.ª divisão de futsal

“Vamos jogar para não descer”

Com a experiência adquirida, a equipa está a ser formada para realizar um campeonato tranquilo.
Arnaldo Sousa, 37 anos de idade e presidente do Achada FC, fez-nos o ponto da situação.

Como está a preparação da equipa de futsal para a segunda presença na 2.ª divisão nacional inserida na série Açores?
“A preparação está a correr bem. Já temos o processo todo concluído a nível de reforços para a constituição do plantel, seja a nível técnico ou de jogadores. Já demos início à pré-época”.

Quais os jogadores que foram contratados para esta nova fase?
“Neste momento contamos com cinco reforços. Todos eles aceitaram as condições que o Achada lhes propôs, com a premissa de não pagar nada a ninguém, mas assumindo o clube alguns custos relacionados com os transportes.
Poderá ainda haver mais novidades, porque há sempre aquele jogador que quererá uma oportunidade muito melhor”.

Da equipa que foi campeã da ilha de São Miguel houve muitas saídas ou mantém-se a maioria dos jogadores?
“Nós, no Achada FC, temos o cuidado de não dispensar ninguém. Os que saíram foram por várias razões, entre elas, algumas pessoais ou profissionais e até pela idade. Mas a base manteve-se”.

Rafael Gato mantém-se como treinador?
“O Rafael é um dos pilares do projecto. Não fazia sentido não contar com o “Rafa”. Está de “pedra e cal” na equipa. Na minha opinião é um treinador com muita qualidade, um profundo conhecedor de futsal. Já esteve em várias equipas trabalhando em outros projectos e, de facto, é um dos melhores treinadores que nós temos. Neste momento está a tirar o curso de formação nível 2.
Mantém-se a mesma equipa técnica de há seis anos a esta parte, sendo o Tiago Carreiro o adjunto”.

Com a experiência da passagem há dois anos pela 2.ª divisão nacional, que ensinamentos colheu a direcção para por agora em prática?
“Já sabemos o que vamos contar, porque elementos desta direcção já participaram em outros projectos ligados à 2.ª divisão a nível nacional.
Este ano vamos procurar viajar com um dia de antecedência para dar mais distância do jogo e evitar aquela pressão de viajar no dia de jogo e depois fazer longas distâncias, tal como aconteceu há dois anos”.

Jogar para não descer é o principal objectivo?
“Tendo em conta os projectos que existem na 2.ª divisão, série Açores, onde há equipas recheadas de bons jogadores e com muita experiência, o Achada irá lutar evidentemente para não descer. Acredito e muito no nosso plantel e acho que vamos conseguir a manutenção, apesar de algumas contrariedades”.

Porquê o torneio quadrangular que o Achada e o Centro Desportivo e Recreativo do Concelho de Nordeste organizam a 7 e 8 de Setembro?
“É uma questão de disponibilidade do Centro Recreativo do Nordeste. Vai permitir testar alguns jogadores. A equipa do Achada já vai no quarto treino da época e como temos um plantel vasto e com muitas soluções, o torneio servirá para experimentar jogadores”.

O pavilhão da Achada já não dá para as encomendas em termos de espaço para todas as equipas e para os espectadores?
“Há três ou quatro anos temos falado com quem de direito alertando para esta situação. Nos meses de Inverno existem poucas actividades e pouco para fazer no concelho do Nordeste. Com a facilidade de mobilidade com as estradas Scut, as pessoas acabam por chegar rápido e passarem o tempo a verem os jogos de futsal no pavilhão, que rapidamente enche. Por vezes temos mais de trinta pessoas a assistirem aos treinos. Estamos todos orgulhosos com isso, mas de facto o pavilhão é muito pequeno. No jogo que nos deu título micaelense, o pavilhão estava a abarrotar. Temos pena de não dar mais condições às pessoas, mas é o que temos. Vamos ver se no futuro há um novo projecto. Como presidente do clube, já vivendo ali tantas alegrias, gostaria que fosse levado em consideração, por quem de direito, a melhoria do nosso pavilhão”.

Tem o Achada FC sentido dificuldades em ter atletas para os escalões de formação ou há um divórcio dos jovens para com o desporto?
“Penso que isso é sintomático em toda a Região. Agora sente-se mais nos meios pequenos porque também os recursos são mais escassos tendo em conta que os nascimentos não são como antigamente. Agora os casais têm 1 ou 2 filhos e pouco mais.
Depois há estas novas tendências como os computadores, as consolas, etc. etc. Claro que isto desvia muitos jovens do desporto. Para além disso temos as distâncias. No nosso caso temos quase o dobro ou o triplo dos quilómetros para ir buscar os miúdos, desde a Pedreira até da Ribeira Grande. Não é fácil”.

O feito da equipa de iniciados do Achada ao ganhar tudo na ilha e nos Açores reflecte a preocupação na formação?
 “Nós temos preocupação na formação e todos os anos investimos forte. Para este ano fomos contratar um treinador que também está a tirar o nível 2. Em todas as equipas dos escalões de formação as equipas técnicas são compostas por treinadores credenciados, desde os dos guarda-redes aos outros de campo, que gostam daquilo que fazem. Temos dois/três directores por cada escalão. O nosso lema é “mais vale pouco e bom”. Preocupamo-nos em formar atletas.
Temos muito jogadores que já são uma referência no clube. Temos muito orgulho nisso, com destaque para o jovem treinador Ruben Saladinho, que tem feito um trabalho fantástico junto dos nossos escalões de formação”.

O regresso do Fazenda FC com equipas de futsal pode influenciar a vida do Achada FC ou é salutar?
“Se houver inteligência os dois clubes beneficiarão. Podemos fazer parcerias no sentido de passarem conhecimentos. Tudo depende da forma como os dirigentes olharem para o projecto. Se for de uma forma construtiva é salutar. Se for de uma forma menos boa, ninguém fica a ganhar”.

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Categorias: Desporto

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