10 de setembro de 2019

Aumentos e mobilidade

1 – AUMENTOS: - Na passada semana saiu a notícia de que a nossa Assembleia Regional tinha entre-mãos uma proposta de aumento salarial para os deputados na ordem dos 200.000 euros, passando de 7,8 para 8 milhões de euros anuais.
Isto, dividido por 57, dá uma média de 3.508,77€ por ano a cada parlamentar, ou seja, 250,62€ por mês por deputado, incluindo os subsídios de férias e Natal.  
Para quem está mais atento ao “árduo trabalho” da nossa ALR, bem como à “intensa produção legislativa” feita pelos ilustres membros daquele hemiciclo, só chega a uma conclusão:- estão a “gozar” connosco!
Mas, não satisfeitos com o aumento salarial achou-se  por bem aumentar as despesas de representação para os 572.000€ anuais que, seguindo o mesmo raciocínio, dá uma média anual de 10.035,08€ por deputado, ou seja, 836,26€ por mês.
Atendendo aos níveis de pobreza existentes nestas ilhas – de modo especial na ilha S. Miguel – esta proposta da Assembleia Legislativa Regional, é uma afronta a quem trabalha no duro, e sem respeito pelos horários de trabalho, para chegar ao fim do mês e ganhar o ordenado mínimo que é inferior ao que os senhores deputados recebem… só para despesas de representação.
Se não fosse a impreparação para o desempenho do cargo – para não chamar ignorância dos parlamentares – as despesas com os pareceres, consultadoria e estudos não passariam de 25 para 130.000 euros no orçamento de 2020.
Sobre esta matéria, quedo-me por aqui, apesar de haver muito mais para comentar.

2 – MOBILIDADE: - O senhor Primeiro Ministro de Portugal – ou terá sido o Secretário Geral do PS? – parece querer passar a responsabilidade dos reembolsos das passagens aéreas dos açorianos e madeirenses para os respectivos governos regionais.
Aquele senhor, antes de afirmar esta intenção, considerou o actual sistema de mobilidade um sistema absurdo e ruinoso.
Vamos por partes, e ser claros!
Tanto os açorianos como os madeirenses não têm outro meio de transporte para o exterior - entenda-se para Portugal - senão o avião.
Julgo que o senhor António Costa deve saber que não podemos ir a Portugal de autocarro ou de comboio.
Julgo que o senhor António Costa se deve ter esquecido quanto custa, também aos açorianos e madeirenses, os subsídios e compensações que o governo de Portugal dá à CP, à Carris, ao Metro e a outros que não me vêm à memória.
Julgo que o senhor António Costa, enquanto chefe do Governo Português, não considerou – nem absurdo nem ruinoso - a descida em Lisboa dos passes sociais ampliando as áreas de utilização dos ditos, compensando com generosas subvenções às empresas públicas envolvidas.
Sou daqueles que afirmou e continua a afirmar: QUEM QUER TER ILHAS PAGUE POR ELAS!
Espero bem que o nosso Presidente do Governo Regional não se deixe intimidar por ameaças daquele teor porque, se defender os Açores, nomeadamente na nossa mobilidade, certamente que terá os açorianos do seu lado.
Se só se limitar a dizer que há linhas vermelhas a considerar, não será o suficiente; como não o foi nos sucessivos cortes nos poderes autonómicos praticadas por Lisboa, sem qualquer demonstração de indignação por parte do nosso governo e, muito menos, da nossa assembleia legislativa.
Aguardo o desenvolvimento das matérias aqui tratadas!

P.S. Texto escrito pela antiga grafia.
                8 de Setembro de 2019

 

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Categorias: Opinião

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