10 de setembro de 2019

Pagar o justo pelo pecador

António Costa quis arranjar uma guerra com os açorianos e madeirenses, classificando o subsídio social de mobilidade como absurdo e ruinoso, defendendo a transferência da sua gestão do Estado para as Regiões Autónomas.
Os cidadãos cada vez mais atentos, começaram a levantar a voz contra esta ideia peregrina e não abdicam que se altere o modelo de compensação em que possam vir a pagar valores superiores aos 134 euros para os residentes e 99 euros para os estudantes, nas viagens de ida e volta ao Continente. Trata-se, sem dúvida, de uma conquista dos açorianos que não pode ser posta em causa.
A ideia de António Costa, ao querer transferir para a Região, uma verba idêntica àquela paga pelas compensações, referentes a 2017, significa que alguma coisa vai ser cortada, dado que esta proposta não tem em conta o facto do volume de passageiros entre 2017 e 2019 se ter alterado completamente desde então.
É verdade que existem muitas situações a serem revistas, como é o caso de algumas empresas estarem a financiar-se com esta medida, cobrando valores exorbitantes por cada passagem aérea, dificultando muitas vezes a vida a muitas famílias que não podem viajar com tarifas que por vezes vão acima dos 500 euros por passageiro.
Vasco Cordeiro, considerou que o atual modelo de acessibilidades aéreas de e para a Região trouxe inegáveis vantagens ao arquipélago, considerando todavia que António Costa tem razão ao pedir o aperfeiçoamento do mesmo.
Fala-se em situações de autêntico aproveitamento do subsídio de mobilidade, o que é censurável, mas nunca por nunca este mecanismo poderá ser posto em causa, sob pena de um retrocesso que nos dias que correm seria uma grande machadada na vida dos povos insulares.
Sobre uma situação ocorrida na Madeira, o Ministro das Infraestruturas disse que o atual sistema tem incentivos perversos e propicia a fraudes e preços inflacionados por parte das agências de viagens, pelo que o executivo está a trabalhar numa solução de mobilidade que proteja os residentes das Regiões Autónomas.
Essas situações devem ser esclarecidas, mas não podem por em causa os resultados positivos e os impactos deste sistema na economia dos Açores, mormente no que diz respeito ao turismo e à facilidade de mobilidade dos açorianos.
Façam o que tiverem a fazer, mas os açorianos não permitirão cortes no número de viagens, horários ou quaisquer outros limites aos reembolsos das passagens aéreas e esta matéria deveria ser clarificada antes das eleições legislativas nacionais, sob pena do Governo poder decidir a seu belo prazer, sem ter em conta os interesses específicos da população do Arquipélago.
Os CTT são a entidade prestadora do serviço de pagamento do subsídio social de mobilidade aos cidadãos beneficiários, no âmbito dos serviços aéreos entre o continente e os Açores. Contudo, para simplificar este sistema, bastaria que os residentes na Região pudessem no ato da aquisição do bilhete de passagem apenas pagar os 134 euros e 99 euros no caso dos estudantes. O resto ficaria entre o Governo, as agências de viagens e as transportadoras que vendem os bilhetes diretamente aos passageiros.
O que se tem assistido é, que muitas vezes, muitas famílias não têm capacidade para adquirir bilhetes de passagens aos preços proibitivos e só no fim podendo reaver a verba remanescente, fazendo com as empresas possam autofinanciarem-se à custa dos passageiros.
O desembolso que é necessário efetuar na altura da aquisição da passagem torna proibitivo o acesso ao território continental, fazendo com muitos se sintam impossibilitados de viajar. Não são acatados os reais direitos de continuidade aos que se deslocam por questões, profissionais, de saúde ou estudantis.
Oxalá a linha vermelha que o Governo regional pretende traçar neste sistema, acautele os interesses reais do povo açoriano.

 

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Categorias: Opinião

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Revista Pub açorianissima