Faleceu Gustavo Moura: O decano dos Jornalistas açorianos

Gustavo Manuel Sousa Moura faleceu ontem, aos 85 anos de idade, no Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada.
Gustavo Moura foi um distinto jornalista e era o decano dos jornalistas dos Açores. Começou, nos anos 50, a sua colaboração no jornal Diário dos Açores, como jornalista desportivo, ao mesmo tempo que no então Emissor Regional dos Açores mantinha presença semanal nas crónicas desportivas. Passou também pelo semanário a Ilha, como colaborador desportivo e em 1966, a convite de Manuel Ferreira, passou a colaborador diário neste Correio dos Açores, onde se manteve até 1974, após o 25 de Abril, altura em que adquiriu, em sociedade, o jornal Açores, que era diário e o Semanário Açoriano Oriental que transformou posteriormente em diário. Estes jornais faziam parte da empresa Publiçor, de que foi um dos seus fundadores.
Durante duas décadas foi director, desenvolvendo um notável trabalho de afirmação daquele jornal. Após deixar a direcção do Açoriano Oriental, regressou às colunas dos Correio dos Açores, onde durante alguns anos escreveu semanalmente na rubrica “Porque Hoje é Quarta”, ao lado, primeiro de Jorge do Nascimento Cabral e depois, de Osvaldo Cabral.
Neste jornal manteve a sua preciosa colaboração até que a saúde o permitiu, com temas de interesse para os Açores e para o país, com especial relevância para assuntos do mar e da sua importância para o futuro da Região com muito interesse sempre pela posição geo-estratégica dos Açores, no contexto nacional e internacional.
Foi correspondente em Ponta Delgada do “Diário de Lisboa”, do “Mundo Desportivo”, da “Agence France Presse” e da “BBC”. Durante vários anos, Gustavo Moura foi foi também empresário, dirigindo uma empresa, J. Moura, Lda., que fora fundada pelo pai. Para além da sua actividade jornalística, Gustavo Moura afirma-se como um cidadão que marcou a sociedade micaelense e açoriana, em vários movimentos onde teve presença, nomeadamente o Rotary Clube de Ponta Delgada que ajudou a fundar e de que foi presença assídua e interessada, durante muitos anos, bem como no Clube de Séniores de São Miguel, com o qual colaborou.
Gustavo Moura foi um dos presos políticos do 6 de Junho de 1975, pelas posições que tomou no jornal Açores e que foram consideradas como instigadoras do movimento separatista.
Era membro do Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais e recebeu diversas distinções, desde a Junta de Freguesia de São Pedro, de onde era natural, passando pela Câmara de Ponta Delgada, e pela Marinha Portuguesa, com a Medalha Vasco da Gama. Foi igualmente distinguido com Insígnia Autonómica, e com uma condecoração da República Portuguesa com o grau de Grande Oficial da Ordem de Mérito.
Gustavo Moura era viúvo de Maria Antonieta Soares Moura, falecida no passado dia 15 de Agosto.
Era pai de Pedro Miguel Soares Moura, casado com Fátima Moura; Eduardo Jorge Palhinha Moura, casado com Maria Manuela Moura; Luís Guilherme Medeiros Moura, casado com Ione Nóbrega; Maria da Graça Medeiros Moura; Maria Delfina Medeiros Moura Viegas, casada com João Viegas; Rita Medeiros Palhinha Moura e Teresa Medeiros Palhinha Moura Ventura casada com João Ventura.
Deixa 9 netos: Ricardo, Tiago, Manuel, Carlota, Francisco, João Miguel. Tomás e Simão, e três bisnetos: Alice, Gustavo e Matilde.
O corpo está em câmara ardente na Ermida de Nossa Senhora das Dores em Ponta Delgada. A missa de corpo presente realiza-se hoje, terça-feira, na Igreja de São José, pelas 18h00, seguindo-se depois o funeral.
O Correio dos Açores lamenta a perda de um conceituado jornalista e seu colaborador.
O Director do jornal, Américo Natalino Viveiros, envia a toda a família enlutada as mais sentidas condolências.

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Autor: CA

Categorias: Regional

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Revista Pub açorianissima