O pior momento: A primeira a intervir no colapso do pai

Maria de Fátima Tavares é licenciada em Engenharia Civil mas preferiu seguir uma carreira nos Bombeiros de Ponta Delgada

Começou por ser voluntária entre 2010 e 2016, e daí para cá está efectiva.
A nossa interlocutora é um dos elementos, da equipa de urgência, ou seja, sendo Tripulante de Ambulância de Socorro presta serviço de urgência à população, no caso, urgência pré-hospitalar e no caso da escala de piquete voluntário, é escalada uma ou duas vezes por mês, fazendo um tipo de serviço diferente, desde combate a incêndios, intervenções em acidentes, entre outras situações para que seja solicitada, como em casos de catástrofes.
Maria de Fátima Tavares trabalha quatro vezes por semana, em turnos alternados. Num dia faz escala de dia, no outro faz escala nocturna, com intervalo de folga de 48 horas.
O gosto pela profissão “começou a acentuar-se mais durante a fase da adolescência”. Entretanto continuou os estudos e foi para a Universidade dos Açores tirar o seu curso na área da engenharia civil. Mesmo no último ano de licenciatura, Maria de Fátima Tavares não deixou “de pensar numa carreira nos Bombeiros Voluntários”, já que entrou para a Associação como voluntária. “Não tinha ninguém na família bombeiro e isto foi mesmo uma vocação que apareceu”, acentuou.

O pior momento: A primeira
a intervir no colapso do pai

Na profissão já prestou assistência a várias pessoas conhecidas, mas a pior, recorda, foi o seu próprio pai. “Por acaso no domicílio. Estava em casa e ia entrar na manhã seguinte ao trabalho. Contudo, naquela madrugada sentiu-se mal, colapsou subitamente e foi uma situação de paragem cardiorrespiratória. Chamámos os meus colegas, mas fui eu que tive de fazer a primeira intervenção”.
“Não são situações fáceis de digerir, mas temos que ter força e estrutura psicológica suficientes para entendermos, que estamos aqui para isso”. No demais, “temos que nos capacitar que estes problemas batem-nos à porta e é preciso manter a cabeça fria para agirmos nas alturas certas”, acrescenta.
Contudo, como os bombeiros também são humanos, remata: “Também temos o direito de termos uma fracção de segundos de bloqueio”. O importante, “é sabermos reagir rapidamente”.
Questionada se este modo de saber agir, em situações mais complicadas, aprende-se na formação ou vai-se aprendendo com o tempo, diz que “uma coisa sobrepõe-se à outra”, ou seja, “adquirem-se as ferramentas necessárias durante a formação, mas em termos de desenvoltura e de aptidão para o serviço, esta surge e desenvolve-se ao longo do tempo e com a experiência que se vai adquirindo”.
Maria de Fátima Tavares releva, de igual modo, a boa camaradagem existente entre os bombeiros. “Como em todos os locais de trabalho há sempre aquelas pessoas que temos mais afinidade do que com outras, mas globalmente fazemos aqui boas amizades e é muito importante termos este suporte diário”.

Novas ambulâncias: Maior capacidade de resposta

As três novas ambulâncias entregues ao Corpo de Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada, em Novembro do ano passado, pelo Governo Regional dos Açores, vieram reforçar a capacidade de resposta, em concreto, na componente de emergência pré-hospitalar. “Estávamos numa situação precária e tínhamos viaturas já muito desgastadas que já não se apresentavam nas melhores condições, e face ao aumento da população não estávamos a dar conta do recado, pelo que essas novas viaturas vieram reforçar a nossa frota, aumentando assim a nossa capacidade de resposta”.
Maria de Fátima Tavares é bombeira de terceira classe, mas quer mais. No entanto, sabe que para subir de posto vai depender do Serviço Regional de Protecção Civil e tem a ver com a abertura de cursos e número de vagas. Entretanto, vai-se evoluindo dentro de portas em termos de especialidade, formação e frequência de cursos, adquirindo-se assim mais conhecimentos. “Por exemplo, tenho o curso de especialidade de salvamento em grande ângulo, pertenço à equipa de busca e resgate em estruturas colapsadas, onde também tenho formação. Aliás, vou revalidar a formação ainda este ano, porque o prazo de duração são três anos, mas também temos treinos periodicamente, para mantermos os conhecimentos e sabermos intervir sempre que necessário”.

Aptidão física e vocação

Em jeito de despedida, Maria de Fátima Tavares dá a receita para todos os futuros candidatos a bombeiros. “Isto, passa por vários testes, mas a primeira, que também não deixa de ser importante é a aptidão física, a segunda é ter mesmo a vocação e saber o que é que vai encontrar”.
A propósito do Dia Nacional do Bombeiro, convém reter que é celebrado a 11 de Setembro. É um dia que visa homenagear todos os bombeiros profissionais e respectivas corporações e destacar o trabalho e contribuição destes na protecção das populações e na prestação de cuidados e serviços de apoio.
Neste dia várias corporações de bombeiros de todo o país juntam-se numa parada que conta com mais de 300 profissionais, entre bombeiros municipais, sapadores, privativos, força especial de bombeiros e profissionais das associações humanitárias de bombeiros.
É também feita uma homenagem especial a todos os bombeiros falecidos em serviço.

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