12 de setembro de 2019

Do Meu Olhar

O medo da indiferença

1.  Neste fim de Verão torno a falar dos mais velhos da nossa sociedade, que vivem mesmo à nossa beira, ou são vizinhos, ou conhecidos ou são nossos amigos. Os seniores são a grande preocupação da família, dos amigos que não gostam de os ver abandonados, entregues a si próprios e à sua dolorosa solidão, dos governos devido aos elevados encargos e às Instituições que normalmente lutam com imensas dificuldades  para gerir os Lares e outras valências! Só nos apercebemos disso quando convivemos de perto com esta realidade  e sentimos o peso da nossa própria consciência social e cívica.
 Ouvi há dias da boca de um estudioso desta área que  a Socialização  dos idosos é o primeiro factor de longevidade. Não se trata de uma socialização de algibeira, que se reduz a um passeio ou a um lanche  ou a um convívio para cantar , rezar e dormitar! Este é mesmo um caso sério,  que devia obrigar a uma nova filosofia do acolhimento de pessoas já em idade mais avançada, que pressupõe atividades programadas e acompanhadas, com princípio, meio e fim, com objetivos definidos com clareza, com pragmatismo, com avaliação e com resultados. Estamos ainda a séculos de distância de convergirmos nesta direção, frente a um governo mais preocupado com as instalações e com os regulamentos e com a abertura constante de novos serviços para captação de votos ao eleitorado destas nossas ilhas.
 Há três grandes vetores que determinam  a duração  e a qualidade de vida dos idosos:  em primeiro lugar , como atrás se referiu , a Socialização, em segundo lugar o Exercício físico vigoroso e em terceiro lugar a Alimentação. Se formos verdadeiros e realistas, vamos facilmente concluir que, do grosso lote dos que são acolhidos nos Lares e Centros, só a Alimentação terá melhorado em qualidade porque os outros itens estão nas ruas da amargura, ou seja, nem socialização capaz, nem exercício físico permanente e eficaz. O  bom exemplo vem do Japão: idosos em grupos de cinco que se socializam em toda a dimensão, uns com os outros , todos para todos...

 2 .  A indiferença é um mal do nosso tempo, que grassa pela nossa sociedade sem dó nem piedade! E pior é a indiferença dos poderes públicos ( e até  da própria Igreja  agora em caminhada sinodal) que arrepia o cidadão mais consciente e atento, capaz de votar em consciência. De pleno acordo estou com a Nota de Abertura do conceituado jornalista Santos Narciso,  escrita precisamente a este respeito e que, pela sua pertinência e acutilância a seguir se transcreve:  “  Não houve - que tenhamos sabido - qualquer reação à entrevista de Monsenhor Weber Machado Pereira , o que não é de admirar pois, em determinadas questões, a opção política da indiferença perante as denúncias é uma tentação a que poucos resistem, essencialmente se estivermos, como estamos, em tempo eleitoral. “A abstenção também se explica por esta via, mesmo que os políticos de carreira ou os candidatos aos apetecidos lugares,  percorram a pé, porta a porta, com sorrisos e apertos de mão, as vilas, cidades e aldeias, sem um pingo de vergonha!

 3.  O Nordeste lançou uma grandiosa obra de abastecimento de água no valor de quase 900 mil euros. Poucos saberão que aquele concelho só tem fartura de água na zona dos Graminhais, ou seja na Achada . É um velho sonho que agora se torna realidade e que vai trazer uma adutora de abastecimento de água  (aproveitando o magnífico traçado da SCUT) até à Lomba da Fazenda, deixando o precioso líquido em Algarvia e em São Pedro, que ciclicamente sofrem da  sua escassez.  Uma corajosa obra da Câmara de Nordeste, com projeto assinado pelo experiente engenheiro Tavares Vieira e que vai ser financiada em 85 por cento por Fundos Comunitários. Uma acertada prioridade que a Autarquia nordestense assume, consciente que na base está o verdadeiro desenvolvimento, mesmo sem foguetes e música a rodos!
                    
 Fim do verão de  2019

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Categorias: Opinião

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