Clero e leigos desafiados a adequar respostas pastorais à realidade das comunidades

Começaram segunda feira, no Seminário Episcopal de Angra as jornadas de lançamento do novo ano pastoral, com dois encontros diários - durante o dia para sacerdotes e à noite para leigos - orientados pelo bispo D. João Lavrador e pelo Vigário Episcopal para a Formação, Cónego Ângelo Valadão, nas três vigararias dos Açores. Hoje, quinta-feira realizam-se em Ponta Delgada.
Tomando como ponto de partida a constituição apostólica Gaudium et Spes, o responsável pela formação na diocese procurou fazer uma abordagem teológica à história a partir dos sinais dos tempos desde o Concilio Vaticano II até aos nossos dias.
O cónego Ângelo Valadão, que falou primeiro aos sacerdotes da Vigararia do centro, embora só tenha participado o clero da ilha Terceira e depois aos leigos, no Seminário de Angra, esta segunda-feira, começou por balizar a sua análise lembrando que a diocese, na caminhada sinodal que agora inicia, não pode ficar apenas por uma análise social, cultural e eclesial dos Açores.
“Precisamos de uma chave teológica para ler e interpretar os sinais dos tempos à luz do Evangelho”, afirmou sublinhando que são essas ferramentas que permitem “agir pastoralmente em ordem a uma resposta evangelizadora da nossa Igreja local às questões que a sociedade, a cultura e a própria igreja nos colocam”, cumprindo, de resto, uma das premissas levantadas pelo Papa Paulo VI que defendeu e estimulou um diálogo constante entre a Igreja e o mundo. Por isso, o sacerdote falou do contexto da elaboração da Gaudium et Spes, da sua estrutura, dividida em duas partes, com 93 números, e das temáticas sobre as quais versa, seja na sua vertente mais antropológica seja na vertente pastoral e da forma como ela desafia os cristãos a agir no mundo concreto.
Já o bispo diocesano, que também se dirigiu ao clero, aos leigos e aos religiosos presentes, socorreu-se das orientações diocesanas de pastoral para refletir sobre a realidade social, cultural e eclesial dos Açores, que neste momento vive uma situação de alguma intranquilidade no que respeita a questões sociais, nomeadamente o desemprego, a falta de oportunidades, sobretudo para os jovens.
D. João Lavrador traçou uma primeira radiografia do arquipélago, a partir da evolução dos dados estatisticos regionais, no período entre 2001 e 2017, citando vários indicadores de pobreza, de saúde, de escolaridade, emprego, habitação, preservação do património, níveis culturais, sublinhando o caminho que a região já percorreu mas lembrando que em quase todos os indicadores, os Açores continuam abaixo das médias nacionais e europeias, “o que exige um esforço de atenção por parte de toda a comunidade cristã”.
A partir da realidade da igreja insular, que está na sociedade açoriana há 485 anos, “é preciso discernir que apelos e clamores se lançam à Igreja pelos Açores de hoje”.

Print
Autor: CA

Categorias: Regional

Tags:

x
Revista Pub açorianissima