13 de setembro de 2019

(I)mediatismo

As redes sociais liberalizaram definitivamente a emissão, partilha e circulação da opinião e da informação. A comunicação social perdeu o seu monopólio e, reagindo a uma abrupta queda do seu negócio, alinhou por esse imediatismo.
Sabe-se que o resultado não coincidiu com o esperado, tanto em termos de receitas como de qualidade.
O jornalismo é um pilar essencial da liberdade não pelo seu cariz de rentabilidade, mas porque se entende genericamente, e de costume, que um produto jornalístico é um fidedigno potenciador do discernimento – a qualidade humana por excelência.
Longe lá vão os tempos em que os “conhecidos” para serem “conhecidos” perseguiam as redações que, e bem, se podiam ir dando ao luxo de manter um crivo apertado, restritivo e assegurador de padrões de qualidade informativa. Porque se sabia que, para além de serem os únicos veiculadores, o que se lesse no jornal, ou assistisse em certos canais de televisão, ou ouvisse em certas estações de rádio, era de confiança.
Hoje a visibilidade e a fama estão à distância de uns cliques, umas linhas de texto e determinados ângulos fotográficos. Particularmente numa sociedade desorientada, em plena anarquia de valores, inconscientemente desesperada, e que procura no “parecer” a estabilidade emocional que o “ser” não dá.
Na “Era Tecnológica”, qualquer um pode fazer-se ver, a si ou às suas opiniões, rapidamente, em qualquer parte do mundo, e a um extenso número de pessoas.
Positivamente, globalizou a comunicação sem distinções ou intermediários.
Mas negativamente, a informação sem crivo, falsa, sensacionalista, manipuladora, acabou, da mesma forma, circulando sem regulador.
E por muito que um post seja até o arquétipo da consistência, um simples comentário depreciativo pode tornar-se arrasador, a ponto de atrair mais atenção que a própria publicação inicial.
Os meios tradicionais de informação, sejam digitais ou impressos, forçam a uma melhor digestão do que nos rodeia. Induzem melhor o recetor a pensar. Até porque não dão azo ao mesmo imediatismo de reação. Via redes sociais responde-se e opina-se sobre tudo no mesmo instante.
É por estes motivos que creio que bastará à comunicação social não enveredar pelo caminho que alguns têm tomado e voltar a assegurar, a manter ou a melhorar o rigor dos seus conteúdos.
Chegará a hora em que o público, cansado de tanta (des)informação, procurará algures pelas certezas onde se agarrar.
É preciso que na altura haja quem as dê e, claro, se faça pagar por elas.

 

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Categorias: Opinião

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