15 de setembro de 2019

Recados com Amor

Meus queridos! Já há muito tempo prometi que não falava mais da SATA, porque é doloroso andar sempre a bater na mesma tecla e ver a Azores Airlines a patinar sempre sem conseguir levantar voo… e quebrar o enguiço que atormenta aquela que já foi a “menina dos olhos” dos açorianos. Mas tenho de quebrar a promessa feita, porque não podia deixar de dizer aqui nestes meus recados com amor, como fiquei ruim com uma barata quando vi, já em gravação, porque cada vez vou vendo menos televisão, de tão rasca que ela anda, na generalidade, a reportagem que a TVI apresentou sobre a SATA. Aquilo pareceu mesmo uma manta de retalhos, talhada à foice e colada a martelo… para servir os interesses de quem a encomendou. Ali houve de tudo para denegrir a SATA, desde acusações graves que o Ministério Público devia obrigar a provar, até a imprecisões e a uma triste visão redutora do Arquipélago, que até parece que agora é um triângulo com seis ilhas à volta. Foi uma reportagem mesmo ao estilo a que a TVI nos habituou de há tempos a esta parte, para ganhar audiência... E a onda de indignação que anda por aí até é compreensível, porque uma companhia cujo Presidente diz que não sabe do negócio, mas vai aprender, põe-se a jeito… e um Governo cuja Secretária da tutela afirma que a SATA vive do voluntariado dos seus pilotos, mais a jeito ainda se põe… A minha querida Secretária dos Transportes Ana Cunha não devia ter entrado naquele voo…, e o Presidente da SATA, António Teixeira, não tinha de pedir perdão três vezes… fazendo lembrar o Apóstolo Pedro quando negou três vezes conhecer Cristo… Se ele pediu desculpa três vezes pelos erros do passado, estava a assumir pecado que não era seu, e se ao contrário… pediu desculpa três vezes por não conhecer o negócio da aviação… então não devia ter aceitado o cargo…. Mas como sou mulher de pensar pela minha cabeça, apenas quero dizer à onda de indignados com a reportagem da TVI, onde estavam quando a mesma TVI usou dos mesmos métodos para denegrir os cuidados continuados prestados pelas Santas Casas da Misericórdia de Angra do Heroísmo e de Ponta Delgada! Aí não questionaram, nem pediram provas. Agora é que estão cheios de pruridos… Por essas e por outras é que se vê onde está a credibilidade e o amor à verdade! Cá por mim, digo o que digo sempre de cabeça erguida e de consciência tranquila, e se alguma vez a coisa saia incompleta e me pedem para corrigir, faço-o com todo o gosto porque esse é o meu dever… falar verdade… custe a que custar…
 

Meus queridos! A gente sabe que a sociedade vive hoje voltada para o mediatismo e para a imagem,… porque  quase todos têm na mão um telelé… pronto a tirar selfies… e cada vez mais as pessoas perdem a paciência de ler… e vivem de acordo com a “máxima” que reza… que uma imagem vale mais que mil palavras… Mas, é preciso reconhecer que há também muita gente que já não acha graça a esse “big brother” e vai daí, já se vê muitas lojas e até minimercados, com um placard à entrada onde se diz que é proibido fotografar ou filmar… certamente para protegerem os preços ou produtos, da concorrência… Tudo isso porque  os grandes impérios da net e das redes sociais não se entendem sobre a forma de responsabilizar os utilizadores pelo que publicam, e  os pequeninos já estão a aprender como se faz… porque “na minha casa, só fotografas se eu quiser”… E como se dizia naquele tempo, de pequenino se torce o pepino.


Ricos! Muito gostei de ver no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, a fotografia do meu querido e omnipresente Jorge Rita, lá para os lados de Elvas, no rectângulo, a assinar aquilo que se vai chamar “Centro para as Alterações Climáticas”. Como agora está na moda dizer que as vacas são umas grandessíssimas poluentes devido ao metano do seu cocó, espero que o novo organismo seja uma resposta a tão grave questão. Como diz a minha prima Jardelina, com tanta preocupação que vai por aí pela poluição causada pelas vacas, só falta é ouvir o irreverente Presidente da lavoura pedir mais um apoio à Europa para comprar fraldas para as ditas cujas. Assim calavam-se os ambientalistas e os tementes das teorias da evaporação e também se calavam os automobilistas que depois de um passeio por alguns lugares das ilhas têm de ir lavar o popó, por via da bosta das vacas… O que eu penso é que o ambiente é cada vez um negócio das arábias…


Meus queridos! Quero deixar aqui nos meus recadinhos a minha expressão de pesar e de homenagem pela morte do grande senhor e jornalista que foi Gustavo Moura, director dos jornais Açores e Açoriano Oriental e também colaborador durante muitos anos do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio e que me habituei a ler naquele inesquecível espaço que se chamava “Porque hoje é Quarta”… Já muito se disse sobre o jornalista e o cidadão interventivo e prestável, em várias causas, na sociedade. Mando um ternurento beijinho a toda a família enlutada e faço minhas as palavras do meu querido Director, na edição seguinte ao dia do seu funeral, num texto em que Américo Viveiros, de forma comovente, deixa um retrato fiel de como mesmo nas diferenças pode triunfar a amizade capaz de fazer presença, mesmo nas horas mais difíceis. O meu profundo silêncio em homenagem a Gustavo Moura, atento leitor dos meus recadinhos.


Ricos! Na passada semana, na cidade de Fall River, na Sociedade Cultural Açoriana, foi homenageada a memória de Domingos Rebelo, com a presença do neto do pintor, Jorge Rebelo. Estávamos a falar nisso, eu e a minha prima da Rua do Poço, quando ela me disse que era bom aproveitar a deixa da notícia vinda dos States, para lembrar a Câmara do meu querido presidente Bolieiro que na Calheta, o Placard com o quadro de Domingos Rebelo evocativo da velha Calheta dos pescadores e dos balcões, está a precisar de ser mudado, pois está tão desbotado e amarrotado pela humidade que já mal se vê… E o que era suposto, no outro lado, ser um espaço para divulgar actividades culturais da Câmara, não é mudado há anos… Só fica actualizado em Outubro quando se fala de música em restaurantes, mas isto já foi há que tempos… Fazer é fácil. Manter é que é um bico-d’obra.


Meus queridos! Gostei muito de saber que lá para os lados da Ilha de Jesus, foi alargado o tempo de caça ao pombo da rocha e cada caçador pode apanhar até 50 deles, em cada vez que vai caçar, tudo porque o dito cujo está a prejudicar as culturas. Só não sei aqui para alguns lados da ilha do Arcanjo o que se poderá fazer para reduzir a praga que comeu grande parte das uvas que a chuva de Agosto não levou e que arranca todas as sementes e plantio que se põe na terra. É o melro-negro, é o pardal, são as pombas e as rolas e os coitados dos agricultores não sabem para onde se virar. Em cima das telhas, nalguns lugares, são às centenas, sujam tudo, entopem os algerozes e reviram as telhas. Será que não há uma medidadzinha para ajudar?
Meus queridos! Não sou mulher de andar a criticar os erros dos outros porque só não erra quem nada faz… Mas também acho que qualquer pessoa que tem o dever de comunicar, também tem o dever de aprender para saber o que diz. Ainda há dias, na TVI, aquando da exibição da célebre reportagem alexandrina sobre a SATA, na apresentação se dizia que as ilhas do Triângulo eram as ilhas da Horta, do Faial e de São Jorge. E também esta semana, contou-me uma amiga de peito, num voo da TAP de Lisboa para São Miguel, o simpático piloto informou os senhores passageiros que estamos a aproximar-nos da ilha de Ponta Delgada… E eu a pensar que Ponta Delgada é que era da ilha… Qualquer dia podemos ser surpreendidos com algum piloto a anunciar aos passageiros que estão a sobrevoar  a  cidade de Angra do Heroísmo na Ilha de São Miguel… Isso aí pegaria um fogo em muita gente… acusando os micaelenses  de quererem “roubar” a capital da Terceira para a Ilha do Arcanjo, numa acção de concentração poder… Mas paciência! Como diz alguém, para quê estudar geografia se já inventaram o GPS?


Meus queridos! Há dias foi notícia que a PSP tinha detido um homem que foi apanhado a roubar fruta num prédio. E, pelas redes sociais, que são os novos cafés e tascas virtuais dos tempos modernos, logo começou um berreiro do diabo porque a polícia só apanha quem rouba quintas e não apanha os grandes ladrões dos bancos e da política… enfim, um banzé que já é o dia a adia de quem ainda tem paciência para lá ir. O que não pensam os críticos de atrás do computador é naqueles que trabalham todo o ano, gastam dinheiro a tratar e a cuidar do seu pecúlio… e no fim chegam às terras e os gatunos já lavaram a maior parte… não para dar de comer a quem tem fome, mas sustentar o vicio da droga que mata todos os dias… Se acontecesse na casa de quem protesta e espuma raiva nas redes sociais… eu queria ver se eram tão defensores dos “pilha-galinhas”. Por mim, ricos, acho que a desonestidade e o roubo não se medem pela quantidade… Tanto é ladrão o que assalta a quinta, como o que assalta o banco ou… os nossos bolsos! E ponto final… 
 

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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