18 de setembro de 2019

Nunca se confiou tanto nos professores como nos dias de hoje

O sistema educativo é um mar de rosas nos Açores? Não. Pela simples razão, que é um sistema complexo e porque estamos a recuperar de um atraso estrutural em relação a outros países europeus, fruto da ditadura.
Por estes dias inicia-se o ano letivo. Um ano letivo onde se assinala um novo tempo, um tempo de mais confiança nos professores, desde logo na sua capacidade de decisão. Este é um ano letivo onde as escolas implementam o modelo de Autonomia e Flexibilidade Curricular, onde as opções são, ainda mais, decididas em função das escolhas dos alunos. 
Todas estas opções trazem, inevitavelmente, disrupções no sistema: alterações nas cargas horárias e das disciplinas e projetos curriculares diferenciadores. Registando a inovação e pioneirismo nos Açores ao introduzir a programação no ensino básico, que se posiciona para melhor responder à revolução deste século e que terá por base a disrupção tecnológica. 
Nunca como nos dias de hoje se valorizou tanto a docência. E, não me cinjo apenas à componente financeira - que é importante e que nos últimos anos registou o descongelamento das carreiras, que representou mais de 1,8M€,  e a contabilização dos 7 anos de tempo de serviço ou o vencimento dos professores contratados, que foram equiparados ao índice de vencimento de entrada na carreira - uma injustiça que perdurou tempo de mais. Refiro-me à capacidade de escolha de projetos para as suas escolas - impulsionado pelo PROSucesso e às opções de modelos de gestão e organização na escola.
É certo que todos os anos, no início do ano letivo, contratam-se centenas de professores. Este ano são cerca de 500 professores, número semelhante ao ano anterior. É certo que esses professores são essenciais para o bom funcionamento do sistema. Mas também é certo, e sem prejuízo de soluções a encontrar para dignificar quem se predispõe anualmente a estar no sistema para contribuir com as suas competências, que em 2017 tínhamos mais de 1000 professores a não leccionar e a desempenhar outras funções( deputados, conselhos executivos, sindicatos, mobilidade, nomeações públicas, licenças sem vencimento, projetos escolares….). Estes números devem ser pesados na procura de respostas para os professores contratados e, neste particular, a proposta de pré-reformas pode abrir novas esperanças.
O que é difícil é equilibrar opções curriculares diversas (legitimamente escolhidas pelos alunos e professores), o direito ao exercício de outras funções por parte dos professores e a mobilidade interna dos professores efetivos, com a efetividade dos professores contratados. Difícil, desafiante, mas nunca impossível. E basta recordar os mais de 400 professores que efetivaram nesta legislatura. 
O sistema educativo é um sistema complexo, desde logo, porque é a base de uma estratégica sustentável para o território. Este ano letivo regressam ou iniciam(com muitos corações apertados dos pais) cerca de 41000 alunos, menos 1400 do que no ano anterior. Estes números convocam-nos a pensar o despovoamento, a capacitação de criação de emprego, o desenvolvimento de novas áreas empresariais( cluster espacial em Santa Maria, é um excelente exemplo) e as respostas públicas das autarquias e governo para uma melhor qualidade de vida.
Nos Açores confia-se nos milhares de competentes professores, mas há sempre margem para melhorar o sistema. Estar num sistema político republicano e democrático e assumir-se a política como uma resposta aos problemas das pessoas para o desenvolvimento dos Açores, são premissas onde não existem impossíveis, existem sim desafios. E o desafio é ter nos Açores um dos melhores sistemas educativos do mundo. 

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Categorias: Opinião

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