António Cabral de Medeiros, Presidente da Junta de Freguesia: “Há muita falta de emprego e habitação na Achadinha”

Esta foi uma experiência nova para o nosso entrevistado, apesar de já ter estado envolvido em outras actividades da Freguesia, como no futebol, ao serviço da Achadinha, quando a equipa local disputava as provas do Inatel ou através da Comissão Fabriqueira da Igreja Paroquial.
Na altura, António Cabral de Medeiros aceitou o desafio, mas valida que "é uma missão complicada para quem quer fazer muito por amor à terra".
Contudo faz um balanço positivo, porque apesar "das dificuldades tem visto serem cumpridos alguns dos objectivos propostos, entre eles, um multibanco, que a Freguesia não tinha, a implementação de um relvado sintético no polidesportivo, assim como foi conseguida as homologações dos trilhos do Poço Azul e da Lomba D'El Rei". No demais, António Cabral de Medeiros destacou ainda "a criação do parque de lazer na Freguesia que evoca a memória das tropas liberais que desembarcaram na Freguesia da Achadinha há quase 188 anos". A obra, muito elogiada e visitada foi da responsabilidade da Câmara Municipal do Nordeste.

Maiores dificuldades neste mandato

No presente mandato, o nosso interlocutor diz que "tem encontrado maiores dificuldades" sustentando que "o Concelho do Nordeste está um pouco esquecido e deveria ser olhado doutra maneira", surgindo problemas enormes ao nível da empregabilidade. "As únicas entidades que empregam pessoas são as freguesias, a Câmara Municipal e os Serviços Florestais", sustenta. "Tirando estas, não se consegue empregar ninguém", lamenta. "Temos cerca de quatro empresas de construção no Concelho, mas ninguém quer efectivar trabalhadores nos quadros". A par destas dificuldades, o Presidente da Junta de Freguesia da Achadinha releva ainda que "não são só os jovens que têm dificuldade em arranjar emprego, mas também são as mulheres". A Junta de Freguesia emprega cerca de 16 colaboradores, ao abrigo de diversos programas, mas mais não consegue fazer. "Tivemos uma altura que tínhamos dificuldade em requisitar homens para trabalhar, mas isso hoje em dia já não acontece e temos pessoal em excesso sem trabalho", lamenta.

Habitações reconvertidas a alojamentos locais

Um outro problema surge na Freguesia, este ao nível da Habitação. Como já não bastasse a falta de emprego, que leva os jovens a terem de procurar trabalho noutras localidades, a escassa habitação existente na Freguesia tem sido reconvertida para Alojamento Local, e na Achadinha já são seis, as unidades existentes. "Sei que dois turistas vieram cá passar alguns dias e gostaram, de tal modo que já compraram duas moradias para esse fim".
Por outro lado, "os jovens sem trabalho, não podem ter acesso a crédito bancário, muito menos, com contratos de trabalho por tempo indeterminado, como acontece aqui na Freguesia porque os contratos que têm são ao abrigo de programas".
O autarca lembra que na Freguesia há um loteamento da Secretaria da Habitação que não se constrói. O Governo diz que vende mais barato, dá o apoio no projecto, licencia tudo e depois também pode dar uma majoração, mas mesmo assim, 99% das pessoas não conseguem ter acesso a crédito à habitação, pela falta de empregabilidade efectiva.
Segundo os sensos de 2011, a Freguesia da Achadinha tem uma população de cerca de 535 habitantes.

As pessoas pensam logo em direitos 
e esquecem-se dos deveres

António Cabral de Medeiros diz, do mesmo modo, que "as pessoas, hoje em dia não têm brio pelo trabalho que conseguem arranjar. Arranjam emprego e dizem logo que já têm direito a fundo de desemprego, quando não deve ser assim, porque não estão preocupadas com a possibilidade de puderem renovar esse mesmo contrato, pensam logo em direitos e esquecem-se dos deveres".
Para além dos 16 funcionários, o Presidente da Junta de Freguesia diz que fez agora uma candidatura para tentar contratar mais 10 colaboradores. "É um sacrifício grande, mas é um compromisso que a nossa Junta de Freguesia assumiu desde o início, de tentar ajudar todos, porque não é justo empregarmos alguns e estarem outros em casa sem ganhar nada, e temos essa preocupação".

Um presidente no desemprego

Para quem não sabe, António Cabral de Medeiros era o antigo proprietário do Amaral's Snack Bar, que no momento é o Restaurante Poço Azul, que por si foi gerido de 2003 até 2017, mas que acabou por vender, por motivos familiares.
No momento, no desemprego, dedica-se única e exclusivamente à Junta de Freguesia da Achadinha. Por este motivo, tem mais tempo para o seu cargo, sacrificando um pouco o seio familiar. "A minha esposa chama-me à atenção e tem razão, mas também não tem razão", explica-se. "Consigo desempenhar assim melhor a missão, mas é complicado e o telemóvel tem de estar ligado 24 horas. Por vezes digo que vou desligar o telemóvel, mas não tenho coragem".
Fora da esfera do executivo, António Cabral de Medeiros é pai de três filhos e avô de quatro netos.
Na Freguesia da Achadinha há dois minimercados, um café, um snack-bar e um restaurante.
Sem posto dos CTT, a Freguesia da Achadinha tem um protocolo com os Correios de Portugal, S.A. para disponibilizar selos na sede da Junta. 
Surge ainda uma parceria com os Bombeiros Voluntários de Nordeste para a obtenção de licenças para queimadas.
Ao nível da saúde, os doentes terão de se deslocar à Freguesia vizinha da Achada.

Um Polivalente que nunca se constrói…

A Junta de Freguesia da Achadinha debate-se com a falta de parques de estacionamentos, principalmente nas áreas envolventes ao snack bar "Os Melos" e Restaurante Poço Azul, até porque a Freguesia tem sentido um incremento muito positivo de presença de turistas.
Saliente-se, de igual modo, que a Junta de Freguesia da Achadinha queria construir um Polivalente, mas perdeu o valor monetário que estava destinado à sua construção.
O nosso jornal sabe que desde o início do processo, que remonta a 1998, sempre houve o pressuposto do Polivalente ser edificado em terreno anexo à Casa do Povo, a ceder pela Junta de Freguesia.
De acordo com informação avançada pela Junta de Freguesia, essa doação aconteceu em 2009 e constituiu no terreno contíguo à Casa do Povo, que incluía também um polidesportivo. Esta doação tinha o objectivo de concentrar, nesse espaço, os serviços de apoio à comunidade.
Posteriormente à doação, a Casa do Povo procedeu à aquisição de um prédio rústico localizado em anexo, alegadamente para viabilizar a construção do Polivalente. De acordo com informação da Junta de Freguesia, a Casa do Povo terá registado ambos os terrenos (e o Polidesportivo) no mesmo artigo matricial.
Em 2010 foi celebrado, entre a Casa do Povo da Achadinha e a Direcção Regional da Solidariedade Social, Acordo de Cooperação Investimento (ACI) n.º 210/2010, no valor de 100.000.00 Euros (50.000.00 Euros a atribuir em 2010 e 50.000.00 Euros em 2011), com vista à construção, até ao último trimestre de 2011, do edifício para serviços da Segurança Social e Casa do Povo.
Do montante total do ACI n.º 210/2010 foram processados 69.810.74 Euros para pagamento de estudo prévio, arquitectura e especialidades.
Acontece porém, que "a Casa do Povo, por sua iniciativa, começou a alterar o projecto e por este motivo a obra não avançou, chegando-se a valores superiores a 900 mil Euros”, lamenta António Cabral de Medeiros.

 

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