22 de setembro de 2019

Coisas do Corisco

Um rio amarelo revolto de lama

No próximo dia 6 de Outubro os portugueses vão às urnas para votarem e escolherem o tipo de governo que pretendem, assim como o homem que ocupará o lugar de Primeiro Ministro, para formar a equipa que olhará pelos destinos da nação por um novo período de 4 anos.
A nós açorianos, como portugueses que somos, uns por livre opção, outros porque a isso são obrigados, também nos competirá votar embora, segundo a opinião de Cavaco Silva, e não só, sejam votos muito menos influentes do que os da Amadora.
As hostilidades começaram a aquecerem fim de campanha eleitoral e agora, muito mais acesas, ajudam a promover o desentendimento, e a suspeita que, prejudicando o progresso, fomenta a desunião.
Entretanto, as pessoas continuam a fazer as suas  escolhas políticas votando nos partidos de uma forma  que se situa muito mais perto de uma paixão clubista do que numa escolha política consciente que lhe traga, a ele e ao país, uma vida e um futuro melhor.
Nas últimas eleições europeias Rio, esse Rio turbulento e confuso, inadmissivelmente, esqueceu a importância que traria aos Açores, pelas suas especificidades muito próprias e por ser uma Região  autónoma com o seu governo, a eleição de um deputado açoriano ao Parlamento Europeu. Ignorou a necessidade dos Açores em ter alguém que transmitisse, explicasse e exigisse, com verdadeiro conhecimento de causa, aquilo nós ilhéus necessitamos para ter uma cidadania digna e capaz. 
Mas Rio, o quiçá mais esquisito presidente do PSD de todos os tempos, entendeu colocar, sem pudor, num lugar não elegível, Mota Amaral. Com isso, desviou de Bruxelas um homem íntegro, com um conhecimento de causa profundo de tudo aquilo que se prende com medidas de coesão, de relações internacionais, e dos problemas das ultraperiferias. Esse mesmo Rio, que eliminando um deputado açoriano no Parlamento Europeu, veio agora, descaradamente, com a complacência dos amanhados açorianos, solicitar o voto dos ilhéus  para as legislativas que se avizinham. 
Esqueceu-se esse Rio, frio e ultrapassado, que seria crucial para os Açores a eleição de um deputado no Parlamento Europeu como Mota Amaral. Por isso, colocando-o num lugar não elegível, brincou autenticamente com os ilhéus, ridicularizou, quiçá, o mais digno açoriano que passou pela política nacional após o 25 de Abril; assim como, passou um atestado de menoridade aos Açores, brincando com coisas sérias, e ridicularizando alguém com uma experiência política extraordinária como é Mota Amaral, doa a quem doer; assim como prescindiu, autenticamente, de uma personalidade que foi o nítido  exemplo de como se deverá servir a política em vez de se servir dela como a esmagadora maioria dos políticos fazem. 
Afastando Mota Amaral de uma eleição segura para o Parlamento Europeu, este Rio que comanda, mal diga-se, os destinos do PSD, demonstrou a sua impertinência, ao desviar os açorianos de um lugar no Parlamento Europeu.
Assumo, portanto, que esse senhor Rio, à laia de Cavaco e Silva, assim como de muitos dos presidentes anteriores do PSD, nos olha como medíocres incapazes e que a nossa Região apenas serve para os propósitos que a mediocridade continental entende como benefício para o rectângulo português. 
Como já aqui disse, no meu entender, Rui Rio, desde que assumiu a chefia do PSD, nunca demonstrou ter categoria para o seu cargo. Pelo tempo fora, mostrou ser um homem de feitio insosso, sem categoria, e sem o calor aglutinador que o presidente de qualquer partido necessitaria ter para transmitir confiança ao universo votante, recebendo com os seus votos a credibilidade para poder governar.
Por isso, o PSD está longe de necessitar de um Rio controverso grotesco e sem nível, e assumir, urgentemente, antes que seja tarde de mais, o lugar a que teria direito no panorama político nacional.
Por isso o PSD necessita, urgentemente, de um autêntico líder, popular, corajoso e dinâmico; necessita  de alguém que para além de inteligente, conquiste a confiança dos portugueses para liderar um partido em quem o povo acredite.
De resto, este país está tão de rastos por uma governação medíocre; pela idiotice de um Primeiro Ministro que diz e desdiz constantemente as coisas; pela falta de seriedade de muitos governantes e das suas arbitrariedades governativas; de uma corrupção perigosa e vergonhosa, assim como de uma justiça falida no seu conteúdo. 
Por isso, no meu ponto de vista, um PSD, com um verdadeiro líder, facilmente ganharia as eleições destituindo uma figura grotesca como António Costa tem demonstrado ser.
Só que, infelizmente, este Rio não tem habilidade, feitio, alegria, e popularidade, para o fazer: daí, eu ser obrigado a entregar o meu voto em branco no dia 6 de Outubro.
 

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Categorias: Opinião

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