Contributo de 1.600 euros “é uma gota de água mas que faz parte do mar”

Já foram entregues à Inês Medeiros os frutos da campanha solidária que juntou o jornal Correio dos Açores, Lions Clube de Rabo de Peixe e Novo Banco dos Açores. Foram entregues 1.600 euros, recolhidos na conta bancária solidária desde Julho e que se destinam a adquirir uma carrinha adaptada para a Inês, que sofre de espinha bífida e malformação de Arnold Chyari. Com 17 anos, e com as limitações que a doença crónica lhe impõe, a Inês Medeiros precisa de uma viatura especializada para se deslocar.
Ontem, durante a entrega do donativo, o Presidente do Lions Clube de Rabo de Peixe, António Pedro Costa, fez questão de entregar à Inês o cheque com a quantia angariada e referiu que é apenas “uma gota de água” ao que a mãe, Susana Aguiar, respondeu que “é uma gota de água que faz parte do mar” e que ainda está longe de estar concluído o objectivo de adquirir a carrinha adaptada.
A nova viatura facilitaria a vida de ambas já que Susana Aguiar revela que com 17 anos a Inês “já está maior e se eu sair com a Inês três vezes agora, tenho de a tirar da sua cadeira e colocar na cadeira do carro e quando chegar ao destino fazer o inverso. Se sair com ela três vezes, tenho de tirar a Inês pelo menos seis vezes. E com a carrinha adaptada, não preciso de a tirar porque terá uma rampa” e a Inês irá na sua própria cadeira. E Susana Aguiar não gosta de privar a Inês das coisas belas da vida que podem ser aproveitadas a custo zero. Nem gosta de a manter fechada em casa, aproveitando cada momento para “abrir mentalidades” e para levar a Inês ao contacto com os outros. “Como mãe estou apreensiva, vai ser um longo caminho. Não seria quem sou se não tivesse tido a Inês e ela é que me faz ser melhor pessoa, fez-me querer ser enfermeira para cuidar de crianças como ela. A minha missão foi ela que me veio ensinar, é cuidar de crianças como ela”, explica Susana Aguiar que actualmente é a cuidadora da Inês a tempo inteiro mas que tem como sonho um dia ser enfermeira para cuidar de outras crianças com necessidades especiais.
Desde o dia 20 de Julho, data em que a Inês fez 17 anos, que mãe e filha têm abraçado iniciativas para conseguirem chegar ao valor da carrinha adaptada. Primeiro foram os Romeiros de São Pedro que, no Relvão, fizeram uma angariação de fundos para esta causa e onde estiveram para venda alguns biscoitos feitos pela Inês. Depois, Susana Aguiar organizou um grande evento, para coincidir com o aniversário da filha, que foi o “Correr com o coração” e um evento organizado nas Sete Cidades pelo grupo H.L. onde cada participante deu uma contribuição para ajudar esta causa.
Agora, mãe e filha têm já em mente três projectos para que a carrinha adaptada fique mais perto de se concretizar, já que Susana Aguiar já foi fazer o levantamento dos orçamentos das carrinhas. “Temos ainda bastante para andar, nem metade temos ainda”, afirma.
O primeiro projecto passa por um calendário de 2020 “com mães cuidadoras e os seus filhos”. Além do calendário, a ideia é depois fazer também uma exposição para que as crianças com necessidades especiais tenham outra visibilidade. Tal como as mães cuidadoras que na maioria das vezes abdicam das suas vidas profissionais para ficarem com os filhos. “Acho que as mães cuidadoras são muito desvalorizadas e é preciso que alguém preste atenção nelas. Por isso tive esta ideia de fazer um calendário com mães cuidadoras e com a minha Inês do meu lado”, afirma Susana Aguiar.
O outro projecto será um livro que, de acordo com a mãe, já tem título. “A Inês à procura de amigos”, será o livro infantil que já está em andamento “porque ela não tem muitos”.
Depois, para o final do ano, está também já a ser pensado um jantar de angariação de fundos “talvez no Natal” para dar seguimento a esta onda de solidariedade.
Para Susana Aguiar, “como mãe e cuidadora, a solução é abrir uma unidade de cuidados continuados. Porque eu não quero abandonar a minha Inês. Quero deixá-la de manhã, quero estudar e ir buscá-la à noite. Se fosse uma mãe que abandona a sua filha, saía muito mais caro para o Estado”, refere ao acrescentar que todas as instituições a quem recorreu para acolherem a Inês se recusaram a ficar com ela porque o risco de vida da criança é muito elevado.
Porque se sente cansada de batalhar, de procurar o melhor para a sua filha e porque também passa muito tempo com a Inês no Hospital, Susana Aguiar pede também ajuda de “catalisadores” que se associem a esta causa e que a ajudem a encontrar formas de conseguir o valor que precisa para se deslocar com toda as segurança com a sua Inês. C.D.

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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