Maior sindicato da construção da América do Norte ofereceu 20 mil dólares à Associação de Paralisia Cerebral de São Miguel

 A Associação de Paralisia Cerebral de São Miguel recebeu ontem 3 cheques no valor total de 20 mil dólares das mãos de Jack Oliveira, Presidente da Delegação da LiUNA! Local, um sindicato com muitos associados açor-americanos no Canadá.
Para a Presidente da Associação de Paralisia Cerebral de São Miguel, Teresa Mano da Costa, “o donativo é um presente especial em todos os sentidos. Primeiro, porque é uma ajuda financeira muito grande e porque faz-nos sempre falta projectos que querermos fazer para os quais nunca temos financiamento. 
“Andamos à procura para podermos realizar mais projectos na comunidade, de inclusão e de aumentar cada vez mais a autonomia dos nossos utentes e do bem-estar das famílias. Por outro lado, também é um reconhecimento da comunidade, da sociedade do nosso trabalho que nos dá motivação e muita alegria,” afirmou Teresa Mano da Costa
Foi com grande surpresa que a Associação soube que receberia esta doação, o que vem enaltecer ainda mais o trabalho que é realizado pela instituição: “O reconhecimento é importantíssimo para nos motivar e dizer que estamos a fazer um bom trabalho, que devemos continuar e para não desistirmos”, refere a Presidente da Associação.
A Direcção providenciou uma visita guiada pelo espaço à Delegação que veio do Canadá de propósito para fazer o donativo, bem como uma apresentação das actividades e projectos desenvolvidos no último ano. 
Jack Oliveira, Presidente do Sindicato LiUNA, referiu a importância da ligação com as comunidades portuguesas e que, sendo emigrantes, nunca devem esquecer as suas raízes e contribuir para causas como estas. “Se não fossem os nossos pensionistas, não estaríamos aqui hoje. Foi por eles criaram aqueles alicerces que hoje ainda continuamos a trabalhar no sindicato. Estou aqui em nome dos sócios e com o meu camarada e amigo Luís Câmara, natural de cá, dos Açores” explicou Jack Oliveira.
No momento de entrega do donativo, Jack Oliveira disse aos presentes, sobretudo à direcção e aos seus trabalhadores “para nunca perderem o caminho que têm traçado até aqui. Damos muito valor aos voluntários e às pessoas que estão à frente destes centros.” 
A LiUNA Local 183 – União Internacional dos Trabalhadores da América do Norte é o maior sindicato de construção da América do Norte, contando com mais de 60 mil sócios. Dos 65% dos sócios portugueses que estão no sindicato, a maior parte é oriunda dos Açores”.
Em São Miguel, o sindicato já ajudou a Casa do Gaiato e o Banco Alimentar. 

Associação de Paralisia Cerebral 
sonha com nova casa
 
A Associação de Paralisia Cerebral de São Miguel foi fundada no mês de Maio de 2005 por um grupo de pais, técnicos e amigos de crianças com paralisia cerebral. Em Janeiro de 2007, foi registada como Instituição Particular de Solidariedade Social trabalhando em parceria com todas as Associações de Paralisia Cerebral do país, fazendo já parte da Federação de Associações. 
De acordo com Teresa Mano da Costa, “essa parceria funciona muito bem. A presente instituição exerce a sua actividade de forma directa em Ponta Delgada e, de forma indirecta, em toda a Região Autónoma dos Açores”. Apoiam utentes que vêm de outras ilhas do arquipélago quando se deslocam para alguma consulta no Hospital Divino Espírito Santo. “Às vezes também vêm receber alguma orientação e ajuda que precisam da nossa parte. Infelizmente, a equipa é pequenina. Sempre também foi o objectivo da associação conseguir, de alguma forma, ajudar as pessoas das outras ilhas, ter um núcleo especializado que pudesse depois de servir de orientação ao trabalho que é feito com essas pessoas.”
A Associação intervém em várias áreas com o apoio da sua equipa técnica. Dispõe de vários serviços, nomeadamente fisioterapia, terapia da fala, terapia ocupacional, psicologia, centro de actividades ocupacionais, actividades complementares e centro de recurso. “Também vamos às escolas onde os nossos utentes estão para ajudar quem está com eles pois muitos deles ainda só veem em regime ambulatório. Apoiamos os pais e os professores para que o trabalho possa ser continuado. O projecto de vida não passa só pela Associação” como explica Teresa Mano da Costa. 
Com utentes de várias faixas etárias, a Associação não trabalha apenas com utentes que tenham paralisia cerebral, mas sim com todos os que sofram de doença neurológica que afecta a parte da mobilidade. “Por exemplo, temos utentes adultos com Esclerose Lateral Amiotrófica.” Sempre que podem, compram equipamentos para dar às famílias e às escolas.
A sensibilização é uma temática pela qual a Associação tem batalhado. Para a Presidente, “as pessoas quando conhecem, deixam de estranhar. A questão toda é mesmo desconhecimento.” 
A integração na comunidade é realizada através de acções de sensibilização, participação em eventos e visitas de estudo. Com várias actividades realizadas ao longo do ano, o Verão é aproveitado para passear pela ilha e conhecer alguns locais. No entanto, a falta de recursos humanos, por vezes, impossibilita a saída. “Se faltar uma pessoa para empurrar uma cadeira de rodas, ficamos no centro. É impossível uma pessoa empurrar duas cadeiras de rodas, daí apelarmos sempre muito para o voluntariado porque, apesar de este parecer difícil, não o é.” 
Teresa Mano da Costa acrescenta que, depois das pessoas perceberem melhor o que é a paralisia cerebral e outras síndromes que afectam a parte física, as pessoas encaram com normalidade. “A ignorância é sempre o nosso pior inimigo,” acentuou. 
Com apenas 14 pessoas a trabalhar na Associação, um dos grandes desejos é poder aumentar os recursos humanos. Mas a construção de um centro de raiz constitui-se como o grande objectivo da instituição. “O maior desafio é o mesmo desde sempre: ter um espaço construído de raiz que permita dar as respostas necessárias ao utentes e às suas famílias. Neste momento, está prometido pela Secretária Regional da Solidariedade Social o lançamento do concurso para a construção do centro porque precisamos de um espaço físico que tenha não só a parte da reabilitação, mas também a do lar. Os adultos gostam de sair de casa dos pais, mais cedo ou mais tarde, e os nossos utentes, por vezes, ficam a viver para sempre com os pais e já notamos que estes necessitam ajuda em casa”. 
A localização para o novo espaço da Associação será atrás do Colégio do Castanheiro, na zona de São Gonçalo. Este projecto é um sonho que já vem desde a criação da Associação. Os anos passam e as necessidades aumentam, havendo muitas pessoas em lista de espera e respostas que não podem ser dadas devido à limitação do espaço onde a instituição se encontra actualmente.

                                            

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Autor: Rita Frias

Categorias: Regional

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