Consulta de cessação tabágica de Ponta Delgada com 39 por cento de sucesso

As consultas de cessação tabágica iniciaram-se em 2012 no centro de saúde de Ponta Delgada e desde então que se têm alargado a todos os centros de saúde da Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel (USISM). Desde 2012 já está disponível a consulta de cessação tabágica no centro de saúde da Ribeira Grande, em Vila Franca, e desde o final do ano passado na Povoação e este mês iniciaram-se no Nordeste. 
Teresa Costa, responsável pela consulta da cessação tabágica da USISM, avança com dados relativos ao centro de saúde de Ponta Delgada que no ano passado acompanhava 127 pessoas. Destas, 39 por cento conseguiram com sucesso deixar de fumar. Um número bastante positivo e que dá alento para as equipas dos outros centros de saúde que iniciaram mais recentemente com as consultas de cessação tabágica. 
No Dia Europeu do Ex-fumador que ontem se assinalou, a responsável refere que o primeiro passo para se deixar de fumar de forma acompanhada é o contacto com o médico ou enfermeiro de família. “O médico de família também está capacitado para essa intervenção, para ajudar a deixar de fumar” e aqueles que nesta primeira abordagem não conseguem deixar de fumar é que “são referenciados para a nossa consulta para um apoio mais intensivo porque temos apoio médico, de enfermagem, psicóloga e nutricionista”. 
No Dia Europeu do Ex-fumador, que ontem se assinalou, a Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel (USISM) esteve junto à Igreja Matriz em Ponta Delgada a fazer um rastreio de risco cardio-vascular mas não foi fácil atrair os fumadores para se saber o risco que correm devido à inalação de fumo.
Neste rastreio esteve a equipa multidisciplinar da consulta de cessação tabágica da USISM averiguando o risco de morte a 10 anos, por enfarte ou trombose, consoante os dados fornecidos por quem ali se dirigia. “Usamos umas tabelas preconizadas pela Direcção Geral da Saúde e que implica sabermos algumas informações dos utentes, se são ou não fumadores, o sexo, a tensão arterial, o nível colesterol que a pessoa se recorde porque aqui não conseguimos medir, e o estado de fumador ou não. Isso dá-nos um risco de ter doença fatal mortal a 10 anos que consideramos muito elevado se for acima de 10%”, explica Teresa Costa, responsável pela consulta de cessação tabágica da USISM.
Mas os não fumadores foram os que se aproximaram mais da equipa para fazer o rastreio em que é medido o gás que existe na atmosfera mas que é libertado por qualquer chama, “nomeadamente o tabaco, que tem combustão e liberta monóxido de carbono, e é isso que medimos”, explica Teresa Costa que revela que as pessoas fumadoras têm, no ar expirado medido, uma quantidade mais elevada em relação a quem não fuma. No entanto, quem frequenta garagens fechadas ou locais onde há muitos fumadores também pode ter valores alterados. 
Já os fumadores “temos de ir buscá-los ao passeio”, afirma Teresa Costa que contou com a ajuda da equipa de saúde escolar que, com um pequeno depósito de água, trocava copos de água por cigarros. A equipa andou principalmente junto às escolas com um pequeno depósito de água às costas para que os jovens lhes oferecessem um dos seus cigarros em troca de um copo de água. Uma missão com “grande aceitação” por parte dos jovens que louvaram a iniciativa e que manifestaram as suas preocupações em relação aos malefícios do tabaco.                    

Unidade de Saúde de São Miguel tem concurso aberto para 11 novos médicos de família

Assumiu funções na passada Segunda-feira como Presidente do Conselho de Administração da Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel (USISM) e o rastreio de risco cardio-vascular no Dia Europeu do Ex-fumador foi o seu primeiro acto público. Pedro Lourenço Santos diz que ainda está “a avaliar os dossiers e a analisar a estrutura da casa”, mas já adiantou que os projectos em curso são para dar continuidade. Além disso, espera “prestar um serviço de qualidade de saúde primários e continuados e apostar neste tipo de acção que é muito importante para a população porque é promover a saúde através dos planos que já existem de sensibilização”, referiu a propósito do rastreio efectuado junto à Igreja Matriz.
Em consonância com o que já foi dito pela Secretária Regional da Saúde e sua antecessora, Teresa Luciano, que a partir de Setembro todos os utentes da ilha de São Miguel vão ter médico de família, Pedro Lourenço Santos avança que está a decorrer neste momento um concurso para 11 médicos de família e “até final do ano, se tudo correr bem, todos os utentes inscritos da ilha serão abrangidos por médicos de família”.
Para isso, refere o novo Presidente do Conselho de Administração da USISM, é preciso estar inscrito no centro de saúde de residência. “Só poderá beneficiar quem se inscrever e a pessoa terá de se inscrever para vermos o processo e fazer parte da lista para ter o médico de família correspondente”, explica. Pedro Lourenço Santos indica que não será feita por enquanto nenhuma campanha a alertar para a obrigatoriedade dos utentes se inscreverem para terem acesso ao médico de família, mas realça que “nos centros de saúde estamos a sensibilizar as pessoas que vão às consultas para fazer a sua inscrição e a população em geral também deve-se dirigir ao centro de saúde para fazer a sua inscrição, para termos este registo senão não sabemos quem não tem” médico de família.
Para já o concurso para admitir 11 novos médicos “vai ser suficiente” para dar seguimento a esta intenção de dotar todos os micaelenses de médico de família. 
Quanto a preocupações no cargo que agora ocupa juntamente com Jorge Morgado, vogal médico, e Sandra Silva, vogal de enfermagem, Pedro Lourenço Santos diz que a principal “é responder às dificuldades dos utentes dos diversos centros de saúde, que procuram resposta tanto de cuidados primários como de continuados”. É que, no seu entender, “é muito importante a prevenção e estas acções [de rastreio de risco cardio-vascular] são importantes para isso. Só prevenindo conseguimos no futuro evitar algumas doenças que podem ser mais complicadas e acarretar mais custos para o Serviço Regional de Saúde”, concluiu.  

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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