“O nosso foco é sempre vencer, mas aparecem adversários que comprometem e aí temos que jogar com a cabeça”

Correio dos Açores: Praticas levantamento de peso. Como tudo começou?
Valter Tapia: Já pratico ginásio há uns anos, mas esta modalidade foi apenas a partir de 2016, onde fui a Vila do Conde aprender no ginásio do Sandro Eusébio, que é o seleccionador nacional e o impulsionador desta modalidade em Portugal. Peguei no que aprendi e vim para cá treinar a técnica e melhorar sempre sozinho, mais o meu amigo e parceiro de treino, o Pedro Sá.   

Desde quando começaste a participar em provas nacionais e internacionais?
Já entrei em algumas provas nacionais mas o campeonato nacional que participei pela primeira vez aconteceu em 2017. Por outro lado, relativamente a provas internacionais, a minha primeira vez foi em Abril deste ano de 2019 no Campeonato Ibero-América Latina, que tive a satisfação de subir ao pódio e obter o primeiro lugar na prova na minha categoria.

Como campeão nacional, campeão ibero-americano, campeão europeu, o que sentes em seres o 1°?
Sinto um orgulho enorme e uma grande satisfação por ter atingido estas classificações, que me motivam para fazer sempre mais. Contudo sinto uma grande responsabilidade porque o patamar onde cheguei exige de mim muito trabalho e preparação para manter o mesmo nível e não defraudar os que me apoiam e tão-pouco a mim próprio.

Conta-nos como foi a primeira vez que participaste numa prova nacional?
Confesso que me senti nervoso, pois são muitos atletas e eu estava num ambiente onde não estava acostumado dado que não passamos por nenhuma prova regional por não haver atletas na nossa Região. Assim sendo, passamos directamente para uma prova de nível nacional, onde os atletas são muito experientes e era uma incógnita para mim como a prova iria se desenrolar.

Quais os teus objectivos em termos desportivos?
Gostava ainda de participar no campeonato do mundo, mas em termos financeiros é complicado porque a maioria das vezes é fora de Portugal e é muito dispendioso. O último Campeonato do Mundo eu se realizou em Portugal foi em 2015.

Tens algum plano de treino?
Sim, tenho planos de treino que sigo à risca que me são facultados pelo meu treinador Renato Soares, da Hammer Team. Mesmo distante procuro seguir um plano que possa ajudar-me na minha condição física.

Como geres a pressão, quando participas nas provas?
Uma participação numa prova provoca sempre, pressão pelo que tento tranquilizar-me focando-me na prova, ouvindo música, que me relaxa. 

Já alguma vez pensaste baixar os braços e desistir do teu sonho?
Já houve vezes sim, mas como baixar os braços não faz parte de mim, ultrapasso esses momentos com a minha determinação e seguir sempre em frente, trabalhando sempre mais e mais para concretizar os meus sonhos.

A tua modalidade desportiva moldou a tua forma de encarar a vida?
Sim, encaro a vida como se de um treino se tratasse como o agachamento é como ter 300kg às costas e agachar, pois se desci vou ter que subir e, se não subir, é tentar novamente, mas nunca desistir.

Nas provas estás sempre focado em vencê-las ou com receio de comprometer o resultado?
O nosso foco é sempre vencer, mas aparecem adversários que comprometem e aí temos que jogar com a cabeça.

Já és uma referência no desporto açoriano. Que mensagem tens para os jovens desta ilha que queiram enveredar pela tua modalidade desportiva?
Que venham experimentar pois é muito gratificante ver a evolução do seu próprio corpo, da própria mente, e do espírito de sacrifício. Vão ver que nada é impossível e vale a pena trabalhar para realizar os nossos objectivos.

Sem apoios oficiais, como tens conseguido participar nestas provas?
Participo com tudo às minhas custas, tenho o apoio na suplementação da Ssrfitness que é uma grande ajuda, do Quintal dos Açores e do Gym4you, ginásio da Lagoa e, claro, da minha família. 

Vale a pena trocar todas as duras horas de treino, por alguns momentos das provas?
Sim vale, porque é para isso que treino. A prova não são alguns minutos existem provas que duram 5 a 6 horas, dependendo do número de atletas.

Tens alguns cuidados alimentares?
Sim tenho. Nas 12 semanas de preparação mudo o meu regime alimentar e passo a consumir mais carne vermelha, peito de frango, batata doce, arroz, e vegetais, como os brócolos, cebola e tomate. São seis refeições por dia.

Tens uma vida normal, saindo com amigos, ou abdicas de alguns convívios para te manteres em forma?
Eu abdico de convívios sociais, como o sair à noite e se vou alguma festa mesmo de familiares saio sempre cedo. Se quero concretizar os meus sonhos, tenho de abdicar de muita coisa, mas sinto que valem a pena na vida estes “sacrifícios”.

Como explicas todo este sucesso?
Não há segredos para o sucesso que tenho alcançado. O que tem de haver é muita dedicação, e espírito de sacrifício, pois não é fácil estar três horas no ginásio com treinos duros e pesados, passar por dores no corpo ,enfim é amor a este desporto.

Nos Açores a tua modalidade desportiva tem futuro?
Sim tem futuro. Tento sempre demonstrar a modalidade em algumas provas que organizo mais o Pedro Barros e o Pedro Sá para as pessoas experimentarem. Agora, quando estive no Europeu, o Pedro Sá foi fazer uma demonstração às crianças numa escola e dá gosto de ver a curiosidade delas. Temos bons atletas cá que se treinarem afincadamente irão longe; já tenho dois que quero ver se já os levo a um campeonato nacional no ano que vem. 
                
                      

APC
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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