29 de setembro de 2019

Dos Ginetes

História do Candeeiro

Para deixar bem claro aos meus amigos dos Ginetes quero desde já para justificar o assunto da minha crónica que não é minha intenção envolver-me directamente na administração de qualquer Instituição desta terra.
Gosto muito de escrever mas consciente das minhas capacidades reduzidas em relação a outros colaboradores deste quase centenário Jornal “Correio dos Açores”. Sei que nos Ginetes nem sempre as minhas opiniões são partilhadas, mas também sei que digo bem alto o que outros gostariam de dizer mas não o fazem com receio de ofender amigos, que na realidade não são, mas prontos a exercer a arma mais moderna dos cobardes que se chama “represália”. Na minha idade felizmente sinto um pouco a frescura da liberdade mas também a do respeito pelas gentes.
Gosto imenso de visitar semanalmente os idosos desta terra como “Ministro Extraordinário da Comunhão” onde há muito encontrei um mundo oculto da maioria da nossa gente. Também já sou idoso mas graças ao bom Deus ainda consigo deslocar-me sem grande dificuldade.
Sou adepto das novas tecnologias, sobretudo do “áudio visual” que me permite levar longe o que se passa nesta terra dos Ginetes sobretudo aos nossos emigrantes assim como aos que aqui residem mas que já não têm a mesma facilidadede movimento como felizmente ainda possuo. 
Nada faço por dinheiro apesar de não ser rico. Vivo com minha mulher das reformas provenientes dos nossos anos de trabalho.
As gentes dos Ginetes conhecem-me muito bem pois houve tempo que fiz parte de algumas Instituições em que tudo dei e obtive sucesso, outras em que mesmo se “munido” das melhores intenções, terminaram segundo a minha velha consciência em fracasso. Hoje com a idade caminhando normalmente pelo trilho da década dos setenta vivo tranquilamente em minha casa mas também ocasionalmente gosto muito de me encontrar com velhos amigos que ainda tenho nos Ginetes, sem colocar de parte os nossos jovens e suas ambições, pois na realidade encontro em todos um pouco daquilo que fui e guardo como princípios aliados a uma liberdade que desde muito novo ambicionei mas que só mais tarde aqui chegou infelizmente um pouco “camuflada”.
Gosto muito desta terra dos Ginetes que é linda, com gente talentosa mas também com alguma teimosia espelhada em muito do que nos rodeia.
Esta semana vou voltar a um dos meus “cavalos de batalha” de há já alguns anos, entre outros horrores que por cá existem e nunca esqueci porque me irritam, pois são a demonstração do desprezo a que estamos condenados. Há já uns tempos prolongadosalguém teve a infeliz ideia de colocar um “candeeiro de jardim”, pois só para tal poderá ter alguma beleza, mesmo em frente ao Edifício Sede da Filarmónica Minerva de Ginetes. 
Como era de prever a “primeira versão” não durou muito tempo pois devido aos ventos fortes que aqui sopram no inverno começou “o pobre “um pouco a desequilibrar-se tendo sido necessário a determinado momento retirá-lo pois constituía uma ameaça para a segurança das pessoas que por lá passavam. Foi substituído ou reparado, não sei. O que posso afirmar é que o que existe no mesmo local presentemente é algo semelhante para nos envergonhar. Das três lâmpadas que deviam funcionar apenas uma continua a “dar luz” pois as outras duas há já algum tempo deixaram de iluminar. Simplesmente vergonhoso numa terra como a nossa que continua a receber gente atraída pela Ferraria mas que por vezes também utiliza os serviços da RIAC vizinha deste triste candeeiro. 
Também nós, os residentes, temos direito a ter uma terra limpa e asseada mas infelizmente parece estar a deteriorar-se pois as maravilhas que nos dá a natureza podem transformar-se em horror se não são devidamente cuidadas. 
Este “desajeitado candeeiro” tem apenas uma solução aceitável para bem de nós todos que é retirá-lo do local onde se encontra e enviá-lo para a reciclagem. Seria um óptimo serviço prestado ao “ambiente” pois o triângulo que há anos lá fizeram para o pobre candeeiro nos dias de chuva abundante no Inverno impede a água de correr livremente para a grota que a encaminha para o mar.
Quanto a um eventual substituto se querem dar mais luz ao espaço não é difícil pois basta um pouco de imaginação de quem tem um pouco de bom senso, olhos para ver, ouvidos para escutar e humildade para admitir que o que está feito não deve continuar.
E é este o maior problema das terras pequenas.
Quanto à minha pessoa continuarei atento a tudo o que por cá se passa. Nada tenhoa ver com a vida pessoal de quem quer que seja. Sou apenas e nada mais que um simples cidadão atento ao que se passa na minha terra, incluindo a minha Região Açores e este meu belo país que é Portugal. Mais uma vez sei que provavelmente irei magoar gente que considero meus amigos.Não é esta a minha intenção. Sinto pena que se quebrem amizades simplesmente por divergências de opinião. 
O futuro dirá um dia quem tem razão.

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Categorias: Opinião

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