29 de setembro de 2019

Justiça e política no mesmo pote

1- A acusação agora formulada pelo Ministério Publico sobre o processo de roubo das armas de “Tancos”, que conta com 22 arguidos, veio lançar fogo na política em plena campanha eleitoral, tal como aconteceu à data da sua realização, quando aconteceu em plena crise incendiária que Portugal vivia e que custou muitas vidas.
2- Desta feita, o fogo apanha por junto e desprevenidos os partidos da “geringonça”, PS, PCP e BE que tinham ilibado o Governo de António Costa e o próprio Primeiro-ministro nas conclusões do processo de investigação política realizado pela Comissão de Inquérito levada a cabo na Assembleia da República.
3- Antes de prosseguirmos este editorial, temos de asseverar que da nossa parte se levantam fundadas dúvidas quanto ao momento escolhido pelo Ministério Público para dar por finda a instrução do processo e divulgar a acusação, quando a investigação decorre há mais de dois anos. 
4- É natural pensar que não se trata de um ingénuo procedimento e muitos serão os que acham que o MP pretendeu condicionar o acto eleitoral do dia 6 de Outubro.
5- É habitual dizer-se, à justiça o que é da justiça, e à política o que é da política, mas no caso do roubo das armas, e depois da encenação que envolveu o seu achado, a justiça e a política estão juntas no mesmo pote. 
6- É que a restituição do material roubado foi preparada para ser uma vitória política do Governo, com conhecimento de altas patentes que desempenhavam cargos políticos.
7- Civis e militares queriam ser heróis de uma façanha, quando tinham sido responsáveis pela vergonhosa falta de segurança nos quartéis e, depois, pelo triste espectáculo durante a investigação feita pela PJ e pela Assembleia da República. 
8- O Ministro da Defesa Azeredo Lopes, sempre teve uma queda para ser agente do marketing político do Governo, anunciando por exemplo para os Açores, projectos que ainda não saíram do papel, e que se diziam fundamentais para a revitalização da Terceira, dirimindo os danos para a economia da ilha resultantes da retirada dos americanos das Lajes.   
9- Mais grave do que tudo foi a mentira e as falsas declarações de Azeredo Lopes na Comissão de Inquérito da Assembleia da República, violando os princípios de honorabilidade que um governante tem de ter, mesmo que isso represente consequências pessoais e políticas, e a partidarização de todo o inquérito em que se juntou a geringonça.
10- Fica a dúvida se o Primeiro-ministro António Costa sabia ou não do “embuste” arquitectado para a apreensão das armas, e como acontece nesses casos, até se procurou chamuscar o Presidente da República, atribuindo-lhe o epíteto de “Papagaio Mor do Reino” invocado por um arguido numa conversa telefónica. 
11- Mais parecia o caso das escutas telefónicas montadas em Belém no tempo do Presidente Cavaco e do Primeiro-ministro Sócrates, que depois se discutiu em praça pública quem tinha sido feito a encomenda da noticia, se Belém ou se São Bento.
12- No meio dos acontecimentos justiça versus política, aconteceu o colapso de um gigante do turismo internacional que empregava mais de vinte e dois mil trabalhadores e tinha além das unidades do turismo espalhadas pelo mundo, uma frota de aviões que chegava a uma centena, cresceu durante os seus dois séculos de existência e foi morrer em parte asfixiada pelos fundos de investimento que a ajudaram a crescer, e que agora irão repartir os despojos que ficam.
13- Sobre este caso voltaremos a falar, mas no meio disso tudo importa lembrar que faliram trinta e seis companhias de aviação ligadas ao turismo, e que temos dentro de portas uma agonizante companhia de aviação  que além do turismo serve os residentes.
14- Preocupa-nos ver muita gente embevecida com o crescimento turístico nos Açores, tido como a “galinha dos ovos d’ouro” mas pensando pouco nos alertas que têm sido feitos quanto às consequências para o ambiente e nas medidas para acautelar o futuro num sector é sempre incerto, mas com repercussões estrondosas em termos económicos e sociais. 
 

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Categorias: Editorial

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