1 de outubro de 2019

Vamos votar?

Estamos a poucos dias do acto eleitoral que definirá quem irá governar este país nos próximos quatro anos. 
A pergunta que se impõe é se valerá a pena irmos votar, ou se, como tem acontecido nos últimos actos eleitorais, nos abstemos.
Em boa verdade, e no que aos candidatos dos Açores diz respeito, esta campanha não me pareceu muito diferente das anteriores, ou seja, foi mais do mesmo.
A falta de ideias novas, nomeadamente no que concerne ao que apelidam de Autonomia, não me apercebi ter ouvido, por parte de qualquer candidato, uma tomada de posição sobre o atrofiamento que a dita tem sofrido ao longo dos anos.
Todos sabemos que a “portugalização” dos Açores continua; de tal modo que até já aparecem candidatos nados e criados no rectângulo a concorrer pelos Açores.
Pergunto:- que sabe um setubalense da realidade e das necessidades (no sentido mais amplo do termo) que os Açores têm?
Será que iremos continuar a ser confrontados com tais situações? Não será isto uma palhaçada, uma perda de tempo e de dinheiro, só para uns tantos tipos tenham uns minutos de tempo de antena?
Democracia sim… ma non tropo!
É sabido que, de há uns anos a esta parte, têm sido muitos os nascidos no “contenente” - como diria Alberto João Jardim - a “invadir” estas paragens para cá se fixarem, porque o nosso viver é mais calmo, é mais seguro e, principalmente, por termos uma qualidade de vida difícil de igualar.
A este propósito costumo dizer que, desde que os portugueses descobriram o “caminho marítimo” para as Sete Cidades, é um tal imigrar para os Açores.
Sou daqueles que defende a teoria de que não é necessário nascer nos Açores para se ser açoriano. Porém, há que amar estes nove torrões espalhados no Atlântico Norte e, nesse amor, não pode haver a reserva mental de “portugalizar” esta terra, mas sim, serem eles próprios a se açorianizar.
Infelizmente o que mais vejo é uma espécie de “colonização” disfarçada.
Julgo que, para se ser deputado à Assembleia da República há que haver um compromisso com o povo dos Açores em defender os seus interesses. E os seus interesses, em minha opinião, podem resumir-se na seguinte frase:- nos Açores mandam os açorianos.
Todos sabemos que isto não acontece! Todos sabemos que o muito pouco que a nossa Assembleia Legislativa produz, tem de passar pelo “crivo” do Representante da República e da Assembleia da República.
Ora, assim não vamos lá. Há que haver coragem de inverter esta situação. E são os nossos deputados à A.R. que têm essa missão.
Não basta vir a público dizer que há necessidade de defender os programas de apoio à lavoura, às pescas, ou a qualquer outra actividade económica.
Pelo que julgo saber, os programas são feitos por Lisboa ou por Bruxelas; assim só há que fiscalizar e exigir o seu cumprimento nos prazos previstos.
Mas, para tal, é necessário ter-se independência, coragem e insubmissão. 
Pelo que vi, muito poucos candidatos estão à altura do cargo.
Isto porque partidos como o Chega, o Livre, e outros que tais, só servem para demonstrar a “tolerância democrática”.
Tolerância que o Tribunal Constitucional não teve para com um partido de raiz açoriana de nome Partido Democrático do Atlântico.
E depois ofendem-se quando dizemos que os Açores são uma colónia de Portugal.
Vamos votar? Claro que sim, nem que seja em branco!
P.S. Texto escrito pela antiga grafia.

29 de Setembro de 2019

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Categorias: Opinião

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