Apesar das provas, arguido nega acusações de furtos de milhares de euros em jóias em São Roque, Nossa Senhora do Rosário, Fajã de Baixo e Santa Clara

O desaparecimento de jóias valiosas ou lembranças de família, tais como pulseiras, anéis ou medalhões em ouro, de relógios ou óculos de sol, bem como janelas e portas forçadas ou mesmo partidas é o que têm em comum os vários ofendidos que ontem testemunharam no Tribunal de Ponta Delgada.
O suspeito destes crimes de furto, que ocorreram desde o início do ano em várias localidades da ilha de São Miguel, como Santa Clara, Fajã de Baixo, São Roque e Nossa Senhora do Rosário, é ex-toxicodependente e, inclusive, já cumpriu pena efectiva de prisão pela prática de furto qualificado, tornando-se assim reincidente caso o tribunal prove a sua culpa nos factos.
Apesar de negar ter estado em qualquer uma das residências onde ocorreram os roubos ou de ter furtado qualquer um dos bens listados, a realidade é que nos relatórios policiais surgem como provas, em vários casos, avistamentos do arguido no local bem como impressões digitais encontradas no interior e no exterior das casas, colocando-o por isso no local do crime.
De acordo com o cenário descrito durante o julgamento, o arguido encontra-se desempregado há vários meses, auferindo apenas – segundo o próprio – uma mensalidade de 189 euros proveniente do Rendimento Social de Inserção. 
Afirma que foi toxicodependente “durante quase sete meses” e que durante esse período gastava uma média diária de 20 euros para duas doses de cocaína sintética, e que juntamente com as ajudas da mãe esse dinheiro seria suficiente para manter o vício, dando assim a entender que não lhe seria necessário recorrer aos furtos de que é suspeito.
Nos momentos que teve para se defender, disse estranhar nunca ter sido abordado pela PSP enquanto se desenvolviam as suspeitas contra si e não consegue encontrar explicações para o facto de as suas impressões digitais terem sido encontradas no local dos furtos.
Porém, o arguido não nega a sua presença em algumas das zonas em que foram identificados os furtos, uma vez que para “comprar e consumir droga andava por muitos sítios”.
De acordo com os factos apresentados, que foram depois confirmados pelo relato das testemunhas, o autor dos furtos entrou, na maior parte dos casos, pelas varandas das respectivas moradias, independentemente de estas darem acesso ao rés-do-chão ou primeiro andar, tendo inclusive o arguido sido avistado – em alguns casos – em cima de muros mais altos.

Furtos chegaram a atingir vários 
milhares de euros

Num caso em particular os lesados chegaram a ver furtados objectos avaliados num total de 8 mil euros, uma estimativa feita por uma ourivesaria em relação a várias peças em ouro que desapareceram de uma moradia, que incluía vários colares e medalhas de bebé, acrescendo ainda relógios, óculos de sol e moedas.
Nesse caso, conforme o que foi dito em tribunal, mestres de uma obra que trabalhavam aí perto terão visto o arguido nas redondezas e a PSP terá também, na altura em que foi apresentada queixa em relação a este furto, que o mesmo suspeito teria sido visto nas redondezas.

Arguido chegou a ser apanhado 
ao tentar entrar em moradias

Num dos casos mais flagrantes em que não chegou a existir furto, a testemunha indicou estar em casa a descansar, quando sentiu um barulho muito forte vindo do janelão. Inicialmente terá, de acordo com o seu testemunho, pensado que seria o vento mas depressa percebeu que tal não seria possível.
Não tardou até que se apercebesse da existência de “um vulto” no janelão que tentava “sem dúvidas entrar dentro de casa”. 
Por esse motivo terá perguntado em voz alta quem estaria ali, dando tempo suficiente à testemunha para poder, mais tarde, reconhecer o arguido que foi apanhado de surpresa e fugiu.
No entanto, noutro caso relatado, em São Roque, terá sido inclusive apanhado a tentar abrir uma porta traseira numa moradia, alegando estar apenas “à procura de terras para uma obra”.
Num apartamento localizado na Avenida Príncipe do Mónaco terá também entrado pela janela da varanda que dá para a sala, situada a cerca de 1,5 metros do chão. 
Neste caso, a família furtada não terá percebido de imediato o que teria acontecido ao regressarem a casa depois de um dia normal.
Mas aos poucos foram percebendo que algo não estava bem, dando pela falta de dois anéis avaliados em cerca de 200 euros, um relógio de 250 euros e ainda 30 euros em moedas que terão desaparecido do mealheiro dos filhos do casal ali residente, tal como o desaparecimento de certos produtos alimentares do frigorífico.
Neste caso, um dos vizinhos da vítima contou que se deparou com o arguido duas vezes. Regressando ao dia do furto na casa da vizinha, contou em tribunal que enquanto fumava um cigarro na varanda na hora de almoço com a esposa, viu um casal sentado no degrau de uma casa próxima, do outro lado da rua.
Quando saiu para passear o cão, cerca de 15 minutos mais tarde, afirmou ver apenas a mulher, e mais tarde teve a certeza de que o arguido seria o mesmo homem que teria visto, uma vez que o reconheceu através da PSP.
Por outro lado, no que diz respeito a uma tentativa de furto que ocorreu numa zona residencial da freguesia da Fajã de Baixo, o arguido explica que foi visto numa varanda de uma moradia por estar a passear com a namorada que, por sua vez, ter-lhe-á pedido algumas rosas que estavam à vista.
Para satisfazer o pedido da namorada, subiu o muro para ter acesso à varanda onde elas estavam até que surgiu um jipe branco cujo condutor, militar da GNR, ter-lhe-á perguntado se era proprietário do apartamento ou se tinha autorização para ali estar.
O arguido, por outro lado, logo respondeu que não e prontificou-se a identificar-se e à namorada, mostrando em seguida o que trazia dentro da mochila que a companheira carregava.
Apesar de esta última testemunha considerar “uma coincidência” a presença do arguido na zona e o facto de outra moradia ter sido assaltada ali perto, o suspeito defendeu-se dizendo que não tinha bens roubados na mochila, apenas dois casacos, e que nunca foi apanhado com nada do que foi roubado, nem sequer a tentar vender.

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