Proclamação da República assinalada de forma discreta em dia de reflexão

As tradicionais cerimónias comemorativas da Implantação da República Portuguesa na Câmara Municipal de Lisboa (CML) serão este ano feitas de forma discreta e sem discursos. O facto de o 5 de Outubro coincidir com o dia de reflexão para as eleições legislativas, que terão lugar amanhã, 6 de Outubro, obriga a que a cerimónia evocativa seja reduzida e sem intervenções públicas. 
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa deverá deslocar-se à Câmara Municipal de Lisboa e içar a bandeira de Portugal na varanda da autarquia. As restantes cerimónias terão lugar de forma discreta no interior da Câmara. Habitualmente, neste dia, os discursos estão a cargo do Chefe de Estado e do Presidente da autarquia. 

Passados 10 anos do 
“Viva a República”

 A Implantação da República comemora-se anualmente a 5 de Outubro, dia em que deposta a monarquia, no ano de 1910, em Lisboa.
O Dia da Implantação da República, 5 de Outubro, é um feriado nacional. Este tinha sido um dos feriados eliminados pelo governo em 2012, mas em 2016 acabou por se acordar novamente no Parlamento que esta data é um feriado para assinalar a data em que se deu a implantação da República em Portugal. 
A Implantação da República foi resultado de uma revolução organizada pelo Partido Republicano Português, iniciada no dia 2 e vitoriosa na madrugada do dia 5 de outubro de 1910, que destituiu a monarquia constitucional e implantou um regime republicano em Portugal.
A sociedade portuguesa, na sua passagem para o século XX, encontrava-se particularmente “desolada” por vários motivos. Para começar, o Ultimato Britânico de 1890 que não foi visto com bons olhos. O facto de Portugal se ter subjugado aos interesses coloniais ingleses fez com que o sentimento lusitano fosse abaixo. E para complementar a situação crítica, a família real e os seus gastos, bem como a instabilidade sociopolítica incrementavam cada vez mais para uma situação de crise no país.
Com uma monarquia que não acompanhava a evolução dos tempos, o povo começava a denotar o partido da república como aquele que iria meter o país no seu lugar e no caminho para o progresso. Decorria então o ano de 1910, entre os dias 3 e 4 de Outubro, quando surge uma revolução feita por soldados e marinheiros cujo anseio era uma mudança de regime. E assim o foi. A proclamação da República foi feita por José Relvas, pelas 9 horas da manhã, na Câmara Municipal de Lisboa. A revolução fez vítimas mortais. No entanto, nunca se chegou a certo o número certo. Uma coisa era certa: a partir dali, muito iria mudar, a começar pelos símbolos nacionais, nomeadamente o hino, a bandeira e a moeda. 
Mas o “pico” para esta ocorrência sucedeu dois anos antes, aquando do regicídio. 
O assassinato do rei D.Carlos e do príncipe herdeiro Luís Filipe a 1 de Fevereiro de 1908 na Praça do Comércio foi a circunstância final que fez com que a possibilidade de surgir uma república aumentasse ainda mais. O acontecimento chocou a Europa devido à estima que os chefes de estado europeus tinham por D. Carlos. O desgaste do sistema político português contribuiu para a tragédia. O Presidente do Conselho de Ministros, conhecido por chefe do Governo, João Franco, convenceu D. Carlos a tomar uma série de decisões que não foram vistas com bom agrado pelos partidos políticos. Após o assassinato, foi demitido do seu cargo e submetido, bem com o seu Governo, a um inquérito para apurar responsabilidades da morte do Rei. No entanto, viria a descobrir-se na véspera do 5 de Outubro de 1910, que a Carbonária Portuguesa, uma organização secreta, é que havia cometido o assassinato do rei e do seu filho primogénito. 
Após o regicídio, D. Manuel II foi aclamado Rei de Portugal. A sua idade e a maneira como chegou ao trono fizeram com a sociedade simpatizasse, de certo modo, com o jovem rei. Com apenas 18 anos de idade, refaz um Governo, mas que seria por pouco tempo. A monarquia já tinha os seus dias contados. Enquanto os partidos monárquicos continuavam nas suas lutas internas, o partido republicano ganhava cada vez mais forças e apoio.  

A proclamação...
O Verão de 1910 já antecipava que algo iria acontecer. O Primeiro-ministro, Teixeira de Sousa, já havia sido avisado de possíveis golpes, tendo sido a revolução um dos avisos. Coincidindo com a visita de Estado a Portugal pelo Presidente brasileiro, Hermes da Fonseca, a revolta começa. Lisboa, na madrugada de 4 para 5 de Outubro de 1910, esteve em alvoroço. Sob as ordens do comissário naval Machado Santos, uma patrulha de militares e civis seguiram para a Rotunda e ali permaneceram. Uma noite que parecia não ter fim, mas que de tudo um pouco aconteceu. As tropas monárquicas bem que resistiram, mas sem sucesso. A República viria a sair gloriosa, apesar de dos precalços que foram sucedendo. 
O último Rei de Portugal e dos Algarves, juntamente com a sua família, partiria para o exílio, ao saber que a República já havia sido proclamada e devido ao perigo iminente de ser preso. Destino escolhido para o exílio? Gibraltar. Deixou uma carta de despedida ao seu Primeiro-ministro, Teixeira de Sousa, convicto de que tudo tinha feito e cumprido com o seu dever como Rei.          

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Autor: CA

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