5 de outubro de 2019

Saber usar a arma que temos

 1-  Ontem foi dia de lembrar a República com os seus defeitos e com as suas virtudes, implantada há 109 anos, através de uma revolução organizada pelo Partido Republicano Português, e que pôs termo à monarquia constitucional subjugada que estava aos interesses coloniais Ingleses, e desgastada pela ditadura que João Franco impôs como Presidente do Conselho de Ministros, quando substituiu no cargo o Açoreano Ernesto Hintze Ribeiro.
2- A Monarquia constitucional, que durou noventa anos, foi vítima de um sistema de alternância de poder entre o Partido Progressista e o Partido Regenerador e das disputas entre ambos, que não deixaram espaço para pensar e preparar Portugal para os novos tempos da modernidade.
3- O Açoreano Ernesto Hintze Ribeiro foi Presidente do Conselho de Ministros de 1893 até 1897, e foi um distinto político e parlamentar da corte.
4- Com a implantação da República outro Açoreano de renome, Teófilo Braga, poeta, sociólogo, político, filósofo e ensaísta literário, passa a dirigir o governo provisório como Presidente da República, até à aprovação da Constituição de 1911. 
5- Segue-se, depois, entre 1911 e 1915, outro Açoreano na Presidência da República, Manuel de Arriaga, grande orador, advogado, professor, escritor, político e eminente membro da geração doutrinária do republicanismo.
6- Ontem foi a sepultar Diogo Freitas do Amaral, destacado político nacional. Foi discípulo de Marcelo Caetano, último Presidente do Conselho de Ministros de Governo da República fundada em 1910.  Freitas do Amaral distinguindo-se como professor e jurisconsulto de Direito Administrativo. Foi fundador do CDS, Deputado à Assembleia Constituinte e governante. Foi candidato a Presidente da República e chegou a Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas. 
7- Cruzamo-nos algumas vezes e a última delas teve a ver com o convite para participar com um testemunho no livro que ele coordenou de homenagem a um amigo comum, Augusto Atayde.
8- Freitas do Amaral foi um político que esteve para além dos partidos, porque cultivava uma matriz ideológica própria que extravasava o tacticismo que se apoderou do partidarismo reinante que é pernicioso para o sistema democrático. É uma praga que vem desde a monarquia constitucional, atravessou a 1ª Republica, levou à ditadura da 2ª República e tem corroído a confiança na 3ª República que se iniciou com a revolução do 25 de Abril de 1974.
9- As comemorações de datas históricas são necessariamente momentos de reflexão e deviam servir para um exame de consciência de cada um sobre o seu contributo para tornar a sociedade saudável, solidária e mais humana.
10- Nos momentos marcantes para Portugal, os Açoreanos estiveram na primeira linha como se prova desde a Monarquia Constitucional até à implantação da 1ª Republica, emprestando o seu saber e o seu carácter moldado pela força e resiliência própria dos Ilhéus que sabem sofrer com as distâncias entre si, com as intempéries, com os terramotos, e com a braveza do mar, como ainda agora aconteceu com o furacão que atravessou o Arquipélago.
11- Não se pode desperdiçar a força que nos mantêm no meio do Atlântico, mas para tanto precisamos de ser parte no sistema democrático que nos permite a liberdade de pensar e de agir e discutir o nosso futuro.
12- Isso faz-se com a arma que cada um de nós tem ao seu alcance, que é o voto. 
13- Por isso, hoje temos de assumir um compromisso com a democracia, participando nas eleições para a Assembleia da República. A nossa participação torna-nos parte quanto às medidas e futuras decisões que influirão a vida e a sociedade onde vivemos.
14- Quem não participa auto-exclui-se de participar no seu futuro e no futuro dos seus.  

             

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Categorias: Editorial

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