8 de outubro de 2019

Portos...

PORTOS 1:- O furacão Lorenzo não foi nada meigo com os nossos irmãos florentinos. Bastou ver as imagens que as várias estações de televisão transmitiram para os açorianos se aperceberem da violência com que o mar deixou o porto das Lajes das Flores.
Embora o furacão tivesse atingido outras ilhas do grupo central, nada se pode comparar ao que sucedeu ao pequeno porto das Lajes das Flores. 
Quando vi aqueles contentores esmagados contra as rochas, o molhe escaqueirado, equipamentos danificados, barcos “atirados” para cima do molhe, veio-me à memória o que aconteceu no porto de Ponta Delgada, salvo erro em 1996, em que um outro furacão arrastou traineiras e contentores para cima do enrocamento de protecção do prolongamento da Avenida Infante D. Henrique - Avenida João Bosco Mota Amaral de seu nome.
Se não estivéssemos em campanha eleitoral, decerto que os governantes lisboetas não se teriam apressado em vir ver - in loco - os destroços deixados pelo Lorenzo, nem tão pouco o Primeiro-Ministro teria, não só “perdido” a noite, como anunciado tão depressa o envio do auxílio da República à Região Autónoma, pese embora o facto de não ser mais do que o seu dever, enquanto governo central.
Quanto ao Governo Regional também cumpriu com o que lhe era suposto fazer, pelo que não há girândola de foguetes para os governantes regionais.
Foguetes sim, para a Proteção Civil, para os bombeiros envolvidos, nomeadamente para os que saíram de S. Miguel para outras ilhas, e ainda, para a delegação do IPMA nos Açores que, afinou os “ponteiros”, e desenvolveu um trabalho de mérito, sempre em cima da evolução do furacão.
Confesso que não tenho ideia de quando foi construído o molhe de acostagem nas Lajes das Flores. Porém, uma coisa é certa, não foi uma construção para aguentar vagas de mar excepcionais. Agora na sua reconstrução, aconselho o Governo Regional a ponderar a força de mar naquelas paragens e que mande reconstruir o molhe de molde a aguentar-se com vagas de mar superiores a 20 metros. Não é a primeira vez que afirmo que construir um porto, não é o mesmo do que construir um edifício.
Casa roubada trancas à porta? Talvez seja. Porém, mais vale prevenir do que remediar.
PORTOS 2:- O Governo Regional anunciou que iria, até ao fim do corrente ano, pôr a concurso a construção e exploração do porto da Praia da Vitória cujo valor ronda os 360 milhões de euros, por um período de 75 anos.
Por outro lado, o prestigioso Diário Insular de 25 de Setembro passado, na sua página 5 titula:- China já formalizou interesse em centro logístico nas Lajes.
Não há dúvida nenhuma de que há que dar rendimento ao porto da Praia da Vitória, mas pergunto: será prudente entregar o local para centro logístico de produtos chineses? 
Que produtos? Quem irá trabalhar com os chineses? Pelo que se vê nas lojas agora existentes a mão-de-obra local ao serviço do comércio chinês é bastante residual. 
Irá ser diferente na Praia da Vitória? E os americanos ali ao lado? Que dirá a NATO a este desiderato chinês?
As perguntas ficam no ar. Responda quem souber.
É que, para a China um investimento no meio da Atlântico Norte – nas barbas dos Estados Unidos da América – por 4 milhões e 800 mil euros por ano é uma “pechincha”. É o que se pode chamar um “Negócio da China”.
PORTOS 3:- Finalmente o porto de Ponta Delgada.
Apesar da Assembleia da República, no passado mês de Julho (salvo erro) ter reconhecido a necessidade de se construir um cais para granéis sólidos e líquidos em Ponta Delgada, o nosso Governo Regional continua a fazer orelhas moucas a tal pretensão, trazida aqui por este escriba, neste mesmo Jornal, várias vezes, ao longo de décadas.
Informam-me que o Governo Regional está indeciso quanto à localização do dito cais. Balelas, digo eu!
Pelo que ouvi declarar alguns responsáveis governamentais, eram para ter começado as obras de requalificação do actual porto no passado mês de Setembro. Já estamos em Outubro e não vislumbro qualquer indício de que irão começar as obras em breve. Dizem-me que se está na fase de montar o estaleiro e que as obras irão começar em Janeiro próximo. O próximo ano não é ano de eleições regionais?
Pelo que está previsto fazer na actual doca desta cidade, afora a compra dos 4 empilhadores novos, em minha opinião, é um atamancar das condições de parqueamento de contentores e de descargas simultâneas, não é resolver o problema portuário da maior cidade açoriana que necessita de um porto com vista ao futuro.
Quanto maior for o navio de transporte de contentores, mais baratos ficam os fretes. Mas há que haver boas condições de cargas e descargas. Penso que Ponta Delgada merece.
Pensem nisso!
P.S. Texto escrito pela antiga grafia.
6 de Outubro de 2019

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Categorias: Opinião

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