8 de outubro de 2019

Já nos primeiros meses de 2020

Água vai ser tema comum de exposição colectiva em museus de cada uma das ilhas

A água vai ser o elo de união entre os 15 museus e colecções visitáveis dos Açores, que integram a recém-criada Rede de Museus e Colecções Visitáveis dos Açores, que vão participar numa grande exposição colectiva já no próximo ano. 
Nos primeiros meses de 2020, possivelmente em Maio, será inaugurada a exposição que decorrerá até Outubro e que, no fundo, será uma exposição que vai abranger que irá ter um fio condutor e cada instituição irá organizar a exposição à sua medida. 
Isso mesmo indica Francisco Maduro Dias, Presidente da Comissão Executiva da Rede de Museus e Colecções Visitáveis dos Açores (RMCVA), que descreve esta exposição como se o arquipélago fosse “uma grande mesa em que cada um levasse um prato para uma festa”, que neste caso é a exposição. O tema é a água e “de Santa Maria às Flores, cada um como quiser e entender, com a nossa ajuda se assim o entender, organiza uma exposição temática, com base nos seus acervos, e nós produzimos um catálogo colectivo em que isso tudo vai estar ao mesmo tempo”, evitando que as peças tivessem de ser transportadas de ilha para ilha. 
“A ideia é como se tivesse uma mesa do tamanho do arquipélago em que cada um organiza a sua própria exposição, que tem de ser capaz de responder às necessidades dele enquanto estrutura e às necessidades do povo que habita a comunidade em volta. Mas também tem uma segunda linha de análise, que é fazer parte, como se fosse uma sala, de um imenso museu virtual. Tem duas ou três salas em São Miguel, que tem duas ou três salas na Terceira, duas em São Jorge e até nas Flores. Um museu que se estende pelo arquipélago, numa série de salas de exposição temporárias que abrem todas mais ou menos na mesma data”, afirma Maduro Dias que se mostra “felicíssimo” com o acolhimento que esta ideia teve por parte dos 15 membros da Rede. 
O Presidente da Comissão Executiva da RMCVA explica que esta exposição colectiva vai ter um catálogo com um logótipo, que vai fazer com que “se vier à Terceira vê a exposição num dos museus da rede. E quando vir o logótipo percebe que faz parte da mesma exposição. Quando for ao Faial vê mais um bocadinho. Cada uma completa-se a si própria mas cada uma é um anel de uma imensa corrente que percorre o arquipélago”, explica.

Beneficiar o aumento do turismo
Francisco Maduro Dias afirma que quer os museus quer as colecções visitáveis “só podem beneficiar com o aumento de turismo” que se tem notado na Região e esta “experiência interessantíssima” vai fazer também com que as próprias instituições percebam três coisas: “que podem trabalhar em conjunto sem ninguém andar a mandar em ninguém. Perceber que podem trabalhar em conjunto, ligando-se com as suas próprias comunidades, e perceber que podem trabalhar em conjunto, abrindo janelas para visitantes, sejam visitantes de uma outra ilha seja turista que vem de algures. Tudo isso vai permitir que toda a gente trabalhando em conjunto ofereça um produto com muito mais qualidade”.
Mas o Presidente da RMCVA diz que há uma outra vertente, que é a criação de laços entre as várias instituições e a ajuda para aumentar o acervo de cada uma. Maduro Dias dá o exemplo que “é muito interessante quando alguém que me telefona e me pergunta se na Rede há alguém que possa ajudar porque encontrou uma peça assim e assim. Digo para falar com alguém do museu tal que tem qualquer coisa que pode dar uma ajuda, digo logo que pode falar directamente com essa pessoa. Eu só dou a indicação para eles trabalharem em conjunto. Este tipo de conversa já aconteceu duas ou três vezes. E se conseguirmos que este tipo de conversa se multiplique, amplia-se a liberdade individual de cada um e cria uma rede de apoio dessa liberdade em comunidade que penso que é muito interessante. Claro que eu sempre fui um sonhador, mas se quero fazer coisas diferentes tenho de sonhar”, diz.

O que faz esta Rede
O Presidente da Comissão Executiva da Rede de Museus e Colecções Visitáveis dos Açores explica, de uma forma mais simples, que o objectivo da Rede é colocar todos a trabalhar em conjunto para o mesmo fim. “Uma rede implica que as pessoas trabalhem em grupo. No caso dos Açores o desafio é duplo ou triplo, porque o arquipélago tende a separar, o mar não é visto muitas vezes como elo de união, mas é visto como separação. As ilhas tendem a ter cada uma a sua própria maneira de ver as coisas e tudo isso acaba por prejudicar esta ideia de trabalhar em rede”, explica.
Maduro Dias admite que actualmente se está a assistir “a algo que é muito interessante do ponto de vista cultural, mas que implica um outro olhar”. Isto porque agora já não é a administração pública regional a “dona e senhora” dos museus, pois cada vez mais as autarquias, sejam câmaras sejam Juntas de freguesia, também já possuem museus ou núcleos museológicos, e mesmo outras instituições como “a Santa Casa da Misericórdia da Maia e a Zona Militar dos Açores” que também têm os seus museus. 
No fundo tornava-se difícil perceber “o que havia” e compilar essa informação para a transmitir depois aos turistas. “Por um lado as questões culturais não estavam estruturadas e, por outro, não eram respeitadas nem integradas”, afirma.
Anteriormente já tinha havido duas experiências em rede, mas que não resultaram da melhor forma. As duas foram da responsabilidade da administração pública regional “mas funcionavam muito de cima para baixo, em termos de coordenação, hierarquia e de domínio”. Mas perante esta nova visão cultural do arquipélago em que os museus e colecções visitáveis têm vários responsáveis “não pode ser assim, porque há entidades que têm tutelas variadíssimas”. Maduro Dias dá o exemplo do Museu Militar dos Açores, que “tem uma tutela que nem é regional nem é civil” e seria necessário criar uma plataforma para estabelecer o diálogo do ponto de vista técnico e de projectos culturais, “e cada um lida com a sua própria hierarquia porque não é algo que interesse à rede. E ao fazermos com que fosse essa a plataforma de conversa, conseguimos diluir o problema que eram as diversas hierarquias porque são responsabilidade de cada membro da rede negociar com elas e ter quem as apoia”, refere.
Agora com a RMCVA é possível incluir nesta equação as colecções visitáveis. “Há uma quantidade de gente, privada, que tem colecções que gosta de mostrar. Há pequenas ou média autarquias que têm colecções mas não podem ter um gasto financeiro para ter uma estrutura museológica. Uma colecção visitável é uma sala onde as coisas estão devidamente conservadas, estão dignamente apresentadas, estudadas, e têm um horário para serem visitadas”, o que faz com que muitas vezes só se consigam visitar por intermédio de alguém conhecido. “Mas isso não cria recursos culturais, instituídos e estruturados que possam enriquecer a oferta turística da região também. Ou a oferta cultural e turística”, salienta.
Todos os que “gostam de património cultural, quem gosta das questões da conservação, de salvaguarda, estudo, divulgação, seja privado, público, autarquia ou outra entidade, a Rede existe para que mediante um processo de certificação, são aceites pelos seus pares e a partir daí são convidados a participar em projectos conjuntos”.
Uma ajuda preciosa para desenvolver a oferta cultural e também turística, que passa a estar devidamente estruturada e documentada para se saber o que se pode visitar na Região.
            Carla Dias

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Autor: CA

Categorias: Regional

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