Eduardo Ferreira homenageado em convívio ribeiragrandense nos EUA

Empresário reforça aposta na produção de cana de açúcar e anuncia construção de uma fábrica de licores em Cabo Verde

 O empresário açoriano Eduardo Ferreira foi homenageado, no início deste mês, no 27º convívio dos ribeira-grandenses nos Estados Unidos da América, uma cerimónia que juntou 600 pessoas num jantar convívio no Venus de Milo Restaurant em Swansea, numa organização de Irene Alves.
Eduardo Ferreira foi apresentado como um empresário que entra no mercado das bebidas licorosas através dos licores Mulher do Capote, e “tem hoje um império destes produtos, aguardentes e vinhos da mais alta qualidade” 
A família Ferreira, refere-se na homenagem, “conquistaram a Região Açores, o Continente, o mundo, e aqui sem esquecer a numerosa comunidade nos EUA e Canadá”.

“Temos condições para sermos
os maiores produtores
de cana de açúcar de Portugal”

Na altura, Eduardo Ferreira fez uma intervenção, citada no Portuguese Times, que reproduzimos na íntegra:
“Tive a experiência de viver nos EUA quando “descobri” a América em 1969 aos 14 anos de idade. Vivi toda a minha juventude por estas paragens. Mais propriamente na cidade de Providence. Regressei aos Açores em 1980, após o que iniciei na faceta empresarial. Aproveitei todas as facilidades que me foram proporcionadas e hoje somos os maiores produtores de bebidas espirituosas não só dos Açores, mas de todo o Portugal”  Com uma aposta na qualidade.
“Temos a aguardente da Mulher do Capote que é das melhores aguardentes no mercado. Já soma 39 anos. Exportamos para o México, Canadá, Cabo Verde, Europa Continental e aqui para as nossas comunidades dos Estados Unidos da América”.  
Eduardo Ferreira é um homem de iniciativa e não adormece à sombra dos louros conquistados. “A nossa grande aposta ultimamente”, afirma, “tem sido na produção da cana do açúcar. Eu não estou a descobrir nada. Já em 1874 a Ribeira Grande produzia cana de açúcar. Ao fim de alguns anos desaparecia porque os britânicos compravam tudo. O açúcar não podia ser guardado nas condições de que hoje se desfrutam. Criava mofo. E assim desaparece a cana de açúcar. Hoje em dia temos todas as condições para ser o maior produtor de cana de açúcar em Portugal. Sabemos que a Madeira é um grande produtor, mas os Açores, mais propriamente a Ribeira Grande, pode ultrapassar esses montantes”.  Mas as grandes iniciativas não surgem ao virar da esquina.

“Comecei do nada”

“Uma companhia é como uma planta. Tem raízes e, como tal, tem de ser cuidada. 
Quando regressei aos Açores, o meu pai tinha uma pequena adega, completamente desactivada. Comecei praticamente do nada. Mas fiz uma grande aposta em apresentar produtos de grande qualidade. Isto é a única forma de se vencer neste mundo. Quando regressei aos Açores tinha 25 anos de idade. E tinha uma grande mulher ao meu lado. Uma grande companhia não se faz de um dia para o outro. Gradualmente fomos crescendo. Sou uma pessoa altamente criativa. Na década de 60 só se falava no Licor de Maracujá. Hoje temos uma imensa gama de produtos de alta qualidade. Licores de Natas, “Queen of the Islands”, Licor de Arroz Doce, gama de gins, Goshwalk Azores Gin, na versão Premium, Maracujá, Ananás, Tangerina, número 1.º rum produzido nos Açores. O Antília Rum, onde é fomentado o regresso à produção da cana do  açúcar, importante fonte de rendimento da história da Região. O último produto a ser produzido a partir dos Açores foi o vinho branco. E que esteve envolvido em polémica. Mais tarde vim a descobrir que não era pela marca atribuída mas sim porque o nosso vinho branco produzido era bom demais. Brevemente estará aqui pelos EUA”.  
 Mas Eduardo Ferreira aposta na inovação, se bem que com produtos que já mostraram a sua potencialidade. “E voltando à cana de açúcar, a sua origem está na Madeira e nos Açores. Hoje em dia, o Brasil é o maior produtor de cana do mundo. Mas a cana que eu tenho adapta-se muito melhor nos Açores do que no Brasil. Só que aqui temos um problema e este baseia-se na falta de apoio. Não temos os mesmos apoios da Martinica, Canárias e outras regiões europeias. Mas já me prometeram que iremos ter os mesmos apoios”. 
“E a terminar esta componente empresarial ao mais alto nível, posso acrescentar que o Maracujá do Ezequiel é o mais premiado de Portugal com seis medalhas de ouro do Monde Selection”.  

Eduardo Ferreira constrói 
fábrica em Cabo Verde

 “Por Amor de Deus. Já recebi muitas distinções e condecorações. Mas esta homenagem por parte dos ribeiragrandenses dos EUA vem direita ao meu coração. É uma alegria que dificilmente conseguirei explicar. Estar com a nossa gente neste convívio. A forma como estou a ser recebido. As atenções que me têm dedicado. O encontro de amigos. O reviver de tempos passados. Em suma, estou maravilhado. Esta vinda aos EUA, jamais esquecerei, por mais anos que viva”. 
“Estes encontros já não são uma novidade para mim. Já tomei parte em alguns. (…). Estou a arrancar com uma fábrica em Cabo Verde. Tive honras de receber na Ribeira Grande o primeiro-ministro de Cabo Verde, que ficou maravilhado com a minha operação. Gosto de aventuras. Não posso estar parado. Se eu conseguir trabalhar naquela área desprotegida de Cabo Verde e conseguir ajudar aquela gente será para mim uma vitória. Não é propriamente o dinheiro. Será sim uma forma de ajudar aquele povo irmão”, afirmou Eduardo Ferreira
Da forma entusiástica como Eduardo Ferreira fala de empresas e iniciativas, adivinha-se uma grande aposta no futuro. “Já posso contar com a minha filha Carolina, formada em Engenharia de Marketing. Apostamos forte em três lojas em Lisboa, onde vendemos o que de melhor se produz nos Açores. Mas são lojas super-requintadas. E todo este grandioso projecto tem a responsabilidade da minha filha”.  
Nota-se aqui uma aposta na continuidade através de uma segunda geração demonstrativa de entusiasmo
“A nossa fábrica é uma fábrica familiar. Somos 30 pessoas e entre estas 5 são familiares. E os restantes são colaboradores. Mas agora chegou a hora, no meu caso pessoal e minha esposa, de abrandar um pouco a actividade e passear por destinos desconhecidos. Quando se constrói algo que deu os seus frutos, não se pode abandonar repentinamente”, afirma Eduardo Ferreira, que conclui:
“Um agradecimento à homenagem que me prestaram, na certeza de que fica gravado para sempre no meu coração”, concluiu o empresário.

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Autor: CA

Categorias: Regional

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