AzoresGetaways espera facturar este ano 20 milhões de euros com plataforma única que oferece pacotes multi-ilhas

Correio dos Açores - Há quanto tempo e como surgiu a Azores Getaways?
Luís Nunes (Fundador e CEO da AzoresGetaways/InovTravel) - A AzoresGetaways surgiu em 2011, com a criação da empresa Ideastation – Soluções Informáticas, Lda, que tinha como objectivo desenvolver tecnologia para o turismo. A empresa foi criada depois de uma reunião com João Medeiros e Pedro Sousa do Grupo 296, em que ambos viram potencial no projecto e decidiram investir. 
Inicialmente, a ideia era criar-se apenas uma plataforma digital de reservas de alojamento, carros e experiências, sem a componente da agência de viagens propriamente dita. A primeira marca era a yAzores (whyAzores – porquê os Açores) e foi lançada na BTL de 2012. Em 2013, decidimos tornar-nos numa agência de viagens para podermos vender pacotes com voo e em 2015, decidimos mudar a marca para AzoresGetaways, porque, entretanto, os EUA tornaram-se no nosso principal mercado e o termo “getaways” é muito popular naquele país. 

A base da empresa é nos Açores. Que mais-valias e dificuldades encontra em manter a base no arquipélago?
A sede da empresa é em Ponta Delgada, mas também temos uma empresa satélite com escritório em Boston. Recentemente, abrimos adicionalmente um novo escritório na Ilha Terceira. 
Ter uma empresa de tecnologia nos Açores traz muitas vantagens. Por exemplo, começamos a ter cá algumas pessoas muito qualificadas nas áreas das tecnologias de informação, web marketing e web design. Conseguirmos igualmente recrutar excelentes recursos para as nossas equipas de suporte a cliente e de consultores de viagens. Simultaneamente, existem imensos apoios ao investimento e à contratação de jovens, para além de termos uma carga fiscal bastante competitiva. Temos ainda um fuso horário intermédio entre os Estados Unidos da América e a Europa, o que nos ajuda imenso nas comunicações. Basta pensarmos que alguém no centro da Europa nunca consegue comunicar no mesmo dia útil de trabalho com alguém em São Francisco, por exemplo. Nós não temos essa limitação. 
As desvantagens prendem-se essencialmente com o estarmos longe dos grandes centros de inovação mundiais. Hoje em dia a informação está facilmente acessível na Internet, mas há muito conhecimento que é partilhado informalmente entre pessoas da mesma área e como aqui não temos ainda muita massa crítica, acabamos por não estar tão por dentro das novas tendências como o que seria ideal. 

Sendo uma agência de viagens online, o mercado Norte-americano é o vosso principal mercado?
Sim, os Estados Unidos da América e Canadá representam mais de 90% da nossa facturação. 

O facto de terem uma plataforma que permite organizar viagens com possibilidade de integrarem várias ilhas dos Açores é mais-valia do negócio?
Nós somos os únicos a oferecer online pacotes multi-ilhas, com voos internacionais combinados com os inter-ilhas, mais hotéis, experiências a aluguer de carro, numa única compra. A nossa tecnologia faz milhões de combinações de preços por dia, de forma a mostrar aos nossos clientes as melhores opções de datas para esses percursos complexos e isso é uma das nossas principais vantagens competitivas. Ainda recentemente, disponibilizámos um pacote para as 9 ilhas dos Açores, combinando viagens de avião com viagens de barco nas ilhas do triângulo, como forma de demonstrar a capacidade da nossa plataforma. 

Também é possível criar pacotes com actividades/hotéis/rent-a-car. Como é feita essa gestão para conseguir dar melhores preços ao cliente?
Nós temos contratação directa com os hotéis, empresas de animação turística e empresas de rent-a-car. Todos os nossos fornecedores actualizam os seus preços e disponibilidades na nossa plataforma, o que nos permite confirmar as reservas em tempo real. Para garantirmos que temos preços competitivos, monitorizamos diariamente a concorrência e negociamos campanhas semanalmente, para termos sempre no nosso site ofertas com preços exclusivos. Nós não competimos por termos os preços mais baixos, mas temos pacotes para os clientes do continente Português a partir de 69 euros/pessoa, com voo Ryanair e duas noites de hotel. Todavia, preferimos posicionar-nos como os especialistas dos Açores e oferecemos pacotes com experiências exclusivas. 

A tecnologia usada para agregar essa pesquisa foi desenvolvida pela própria empresa. É uma mais-valia? É apenas para uso interno esta tecnologia ou pensam vendê-la a outros operadores?
Toda a tecnologia que utilizamos nos nossos canais de venda e nas nossas aplicações de backoffice foi desenvolvida por nós. Penso que é praticamente impossível ter-se uma agência de viagens totalmente online sem ter tecnologia própria. Só quem tem a sua própria tecnologia é que consegue destacar-se e oferecer soluções de viagens diferentes da concorrência. Para além disso, é fundamental dominarem-se as melhores práticas de web marketing, que estão profundamente relacionadas com o que se consegue fazer com a plataforma. Estamos constantemente a testar novos produtos e novos canais de promoção e precisamos de monitorizar cliques, taxas de conversão, custos de aquisição com uma precisão cirúrgica, para investirmos no que é mais rentável. Isto só é possível havendo um trabalho diário entre os nossos especialistas de web marketing com a nossa equipa de desenvolvimento informático. Por exemplo, estamos a desenvolver ferramentas que nos permitem conhecer profundamente os nossos clientes e visitantes dos sites apenas pelo tempo que passam em cada uma das nossas ofertas. Com essa informação, podemos micro-segmentar automaticamente as nossas newsletters, de forma a sugerirmos aos nossos clientes pacotes verdadeiramente alinhados com as suas preferências. 
A médio prazo, é possível que venhamos a vender parte da nossa tecnologia a outras empresas, mas provavelmente iremos vender apenas soluções para hotéis, empresas de animação turística e de rent-a-car.

Quantos colaboradores tem a empresa actualmente?
Até há muito pouco tempo éramos 20, mas agora contratámos 10 pessoas em quatro semanas. 

Em comparação com o ano em que começaram, qual a percentagem de aumento da procura pela vossa empresa?
No início tínhamos muito pouco tráfego nos nossos sites, mas actualmente temos milhões de visitantes anualmente. 

Como foi a facturação no ano passado? E expectativas para o fecho deste ano?
No ano passado facturámos 11 milhões de euros e este ano vamos ficar próximos dos 20 milhões de euros. 

Nestas contas entram também as da Portugal Getaways?
Sim, a Portugal Getaways pertence à mesma empresa e é o nosso novo motor de crescimento. 

Como tem sido a aceitação da Portugal Getaways? Tendo sido criada no início deste ano já superou expectativas?
A Portugal Getaways superou as nossas expectativas, mas ainda está numa fase muito inicial. Em todo o caso, este ano já irá representar uma percentagem significativa da nossa facturação. 

Na Portugal Getaways têm algum circuito mais procurado?
Temos um circuito “fly& drive” com Lisboa, Algarve e Évora que é muito procurado. 

Têm uma ligação com a Delta Airlines. O possível abandono da Delta Airlines dos Açores, poderá pôr em causa a rentabilidade que a AzoresGetaways quer alcançar?
Nós somos representantes da Delta Vacations nos Açores e, para além disso, vendemos muitos bilhetes da Delta, até porque este ano tivemos um “interline virtual” que nos permitiu combinar os voos desta transportadora com a SATA Açores. Neste momento, quero crer que a Delta irá continuar a operação no próximo ano, mas se tal não acontecer vamos sentir algum impacto. 

Projectos a curto/médio prazo?
A curto/médio prazo, vamos investir no crescimento da AzoresGetaways e da Portugal Getaways. Estamos também a investir fortemente no reforço da nossa equipa de desenvolvimento informático, com o objectivo de abraçarmos outros desafios que, neste momento, não posso revelar. 

Diz que não troca os Açores por nada. Os Açores são ainda um paraíso por descobrir ou já passaram esta fase?
Costumo dizer que os Açores são o amor da minha vida. Nasci no continente, mas a minha mãe é de Rabo de Peixe. Foi em Rabo de Peixe que vivi dos 5 aos 18 anos, até ter ido para a universidade em Lisboa. Ao contrário daquilo que os meus pais achavam que iria acontecer, eu regressei aos Açores imediatamente após ter terminado o curso, porque não conseguia conceber a ideia de ter que viver em Lisboa, em especial no Verão. Foi a melhor coisa que fiz. Os Açores ainda são um paraíso por descobrir e está nas nossas mãos garantirmos que conseguimos conciliar desenvolvimento económico com qualidade de vida. 

Ainda há capacidade do turismo crescer nos Açores?
Os Açores ainda são relativamente desconhecidos e bastante inacessíveis do ponto de vista das ligações aéreas. O potencial de crescimento é imenso, mas felizmente penso que nenhum açoriano quer turismo em excesso. 

Sendo os Açores um destino de natureza, corre o risco de perder algumas das suas belezas naturais com a massificação do turismo? Acredita que têm vindo a ser tomadas medidas para que isso não aconteça?
Temos a sorte de a nossa indústria ter começado a crescer num momento em que se fala muito do “overtourism” e como tal nós sabemos que não podemos ir por esse caminho. Por isso, podemos crescer em quantidade, essencialmente por trazermos mais pessoas na época baixa, e em valor, ao vendermos melhor aquilo que temos. Eu acho que a este nível o Governo Regional tem estado particularmente bem, em especial a Senhora Secretária Regional do Turismo e Ambiente, que me parece ser uma ambientalista convicta e que tem feito muito pela preservação da imagem dos Açores enquanto destino sustentável. O próprio POTRAA, se for cumprido, é uma ferramenta fundamental para garantirmos que não vamos pelo caminho da massificação. 

Conte-nos um pouco mais sobre si. Quantos anos tem? De onde é natural? Onde começou a sua carreira profissional? Sempre pensou ter uma agência de viagens?
Tenho 34 anos, sou natural de Foros de Salvaterra de Magos, distrito de Santarém, mas vivi a maior parte da minha infância e adolescência em Rabo de Peixe. Estudei engenharia informática na Universidade Nova de Lisboa e fiz o Mestrado em Ciências Empresariais na Universidade dos Açores. Fiz um Estagiar L numa consultora madeirense com escritório em Ponta Delgada e depois trabalhei durante três anos na SATA. Em 2011, aos 25 anos, criei a Ideastation – Soluções Informáticas, que em 2013 se transformou numa agência de viagens, com a marca Inovtravel. Nunca pensei ter uma agência de viagens e, na prática, gosto de pensar que estou à frente de uma empresa tecnológica que também vende viagens.

 
                                           
 

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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