13 de outubro de 2019

Passar das palavras aos actos

1- Já muito se disse sobre as eleições para a escolha da nova Assembleia da República, subsistindo porém a dúvida quanto às razões que levaram os eleitores a abster-se de votar em tão grande percentagem.
2- Em Portugal continental a abstenção cifrou-se nos 45,5%, enquanto nos Açores ela chegou aos 63,5%. O Partido Socialista perdeu 4.397 eleitores enquanto o PSD/A, perdeu 8.577 eleitores. Por junto 12.974 eleitores, não confiaram nos partidos do arco de governo.
3- È bom recordar que nas primeiras eleições de 1976 para a Assembleia da República, o PSD/A obteve 62.966 votantes e o PS 42.714. Isto é, passados 43 anos, o PS/A apesar de estar no Governo passou para 33 472 eleitores, o que representa uma perda de 9.242 eleitores e o PSD/A desceu para um patamar de 25.249 eleitores o que representa uma perda de 37.717 votantes.
4- Esses são factos deveras preocupantes, sobretudo para o partido que é alternativo a ser governo, e devia estar, por isso, em crescendo ou até paredes meias com o partido do governo que conta com o desgaste normal de quase 25 anos de poder ininterrupto.
5- O eleitorado que desde 1976 deixou o PSD/A, foi em parte engrossar as fileiras do PS/A, para poder beneficiar das migalhas do orçamento, mas a maioria absteve-se por não se sentir representada no partido fundador da Autonomia, que mantendo essa linha descendente, corre o risco de se tornar num partido marginal do regime autonómico e continuar a ser causa da crescente abstenção.
6- É crível que grande parte dos 63,9% dos abstencionistas pertença ao eleitorado do PSD/A que até agora não encontrou no partido motivos para ir votar.
7- É bom não esquecer que o estudo sobre a abstenção encomendado pela Assembleia Legislativa apontava como causas do desencanto dos eleitores as políticas do governo e o comportamento dos partidos políticos.  
8- A abstenção não se resolve com panos quentes, nem com chás e biscoitos, resolve-se com um sobressalto da sociedade, mediante políticas de proximidade, que tornem os cidadãos parte do sistema e não dele excluído, e nesse caso o trabalho a fazer pelo maior partido da oposição é gigantesco se quiser sobreviver e crescer. 
9- Mas, para isso, é preciso que os partidos tenham matéria-prima capaz de fazer essa mudança, e a renovação foi-se fazendo por gerações, que querendo renovar tudo, abjuraram desde logo a herança deixada pelos antecessores e tiveram vergonha de se mostrarem herdeiros da obra, da história e da matriz ideológica do partido que herdaram.
10- Entendemos que a renovação é necessária, mas sempre defendemos que ela deve ser feita de forma transversal de modo a que não se perca o histórico e se ganhe experiência com o conhecimento dos outros para melhor se inovar.
11- Na política, os cidadãos têm de ser o centro das preocupações e é em função deles que se tem de traçar o futuro.
12- Ainda agora, na reunião que junta os chefes de Estado não executivos, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, enfatizou a necessidade de a UE “garantir que os instrumentos orientados para a convergência e para o crescimento tenham os cidadãos em conta”.
13- Urge agora igual empenho de convergência da República para com os Açores, depois de avaliados os prejuízos que o furacão Lorenzo causou nos portos das várias Ilhas da Região e que ascendem a cerca de 300 milhões de Euros.
14- É um fardo pesado para ser suportado apenas pela Região.
15- O Primeiro-ministro António Costa mostrou disponibilidade para apoiar na recuperação dos estragos, mas o valor que agora se conhece requer o empenho político também do Presidente da República e da União Europeia, para que se acuda a uma situação de emergência e catástrofe que afecta estruturas fundamentais para a vida dos cidadãos e para  crescimento da sua economia. 
16- É tempo agora de passar das palavras aos actos!
                      
 

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Categorias: Editorial

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