Arguido afirma estar “demasiado alcoolizado” para se lembrar de crime de roubo

Um telemóvel com valor comercial de 50 euros, uma carteira avaliada em 3 euros e 15 euros em dinheiro foram os bens roubados que levaram um jovem com 23 anos de idade a sentar-se ontem no banco dos réus, no Tribunal de Ponta Delgada, onde foi ouvido pelo colectivo de juízes com mais de uma hora de atraso em relação ao agendamento inicial, uma vez que começou por comparecer no tribunal errado e por depender de transportes públicos.
Os factos terão ocorrido no centro histórico da Ribeira Grande, perto do edifício dos correios, após uma noite num bar ali perto onde decorria uma festa de aniversário e onde, alegadamente, terão estado o ofendido e o arguido.
De acordo com o testemunho de uma das pessoas indicadas no processo, uma jovem com 18 anos de idade, o arguido terá entrado no bar onde decorreria uma festa de aniversário e terá pedido “um shot da bebida mais forte” que ali houvesse, tendo entretanto captado a atenção de quem ali trabalhava por não ter pago pelo seu pedido.
Entretanto, relata a jovem, o arguido terá continuado a consumir cerveja no mesmo local, tendo depois desaparecido por alguns momentos. Algum tempo depois, por volta das três da manhã, terminada a festa de aniversário e depois de ter ajudado a limpar o espaço, a jovem terá voltado a ver o arguido, desta vez em conflito com o ofendido.
No testemunho que deu em tribunal, afirmou ter visto dois homens já alcoolizados a lutar e, embora fosse de noite, terá reconhecido logo que o rapaz que não pagou pelo que consumira no bar era a mesma pessoa que tentava roubar a bolsa do ofendido, seu conhecido, adiantando que depois do confronto o arguido ter-lhe-á arrancado a bolsa à força, embora não se lembre se a vítima do roubo terá ou não caído ao chão com a violência do acto em si.
Em seguida, depois de o ofendido ter sido deixado na via pública sem os seus bens pessoais – tendo em conta que o arguido terá fugido rapidamente do local – terá sido apresentada uma queixa na Polícia de Segurança Pública.
Segundo o testemunho dado em tribunal por um agente da PSP que exerce funções na esquadra da Ribeira Grande, este relata que por volta das 03h00 recebeu um alerta relativo ao facto de duas pessoas se terem envolvido numa luta da qual resultou um roubo.
Neste sentido, a PSP fez uma ronda pelas proximidades tendo, em menos de 10 minutos, encontrado um indivíduo que correspondia à descrição que havia sido dada pelo ofendido e pela testemunha (“calça azul, camisa preta e boné”), tendo este sido abordado e questionado em relação aos factos descritos.
No bolso tinha já o telemóvel que tinha sido dado como perdido pelo ofendido, com um valor comercial estimado de 50 euros, não se encontrando porém na posse do resto dos bens, nomeadamente os documentos, as chaves de casa ou a bolsa da pessoa visada.
Nessa ocasião, indicou o agente da PSP, foi possível determinar que o arguido terá atirado o resto dos bens para uma pequena ribeira perto do local onde foi encontrado, uma vez que se apercebera da aproximação dos agentes de autoridade, salientando ainda que, no momento da apreensão dos bens roubados, este não apresentava sinais visíveis de alcoolemia.
No entanto, o arguido limitou-se a reagir aos factos afirmando que estava demasiado alcoolizado para se lembrar de alguma coisa, reiterando ao colectivo de juízes que não se lembra nem dos locais por onde andou, nem das pessoas que terá encontrado pelo caminho, nem dos eventuais confrontos por que terá passado com a PSP. Não recordou, inclusive, ser dono das peças de roupa que o caracterizavam naquela noite.
Quanto aos pormenores da ocasião, também o ofendido não retém já pormenores claros em relação ao sucedido, relatando que embora o confronto tenha resultado em algumas nódoas negras num dos braços, não se recorda ao certo dos sítios em que foi agredido nem com que intensidade.
Durante a audiência afirmou ter saído de uma festa quando já passava da meia-noite e ter sentido alguém dar-lhe uma pancada no lado direito da cara sem que isso lhe tivesse magoado, disse, tendo no entanto ficado assustado com a violência exercida.
No confronto afirma também não ter memorizado a cara do homem, mas “acha” que o homem responsável pelo roubo dos seus bens se encontrava na sala naquele momento, procurando deixar claro ao colectivo de juízes que não é da sua vontade que o arguido seja severamente penalizado.
Da parte do Ministério Público, depois de ouvidas as três testemunhas presenciais e o arguido, o cenário mais provável incidirá numa pena de prisão suspensa que, no entanto, deverá ter uma vigilância apertada uma vez que “o arguido demonstra sinais de ser um jovem agressivo”. Neste sentido, acrescentou, esta deverá ser a última oportunidade conferida ao arguido para seguir uma vida longe da criminalidade, uma vez que este “anda a fazer muito mal às pessoas” embora possa também sofrer de “brancas apropriadas para não assumir o que fez”. 
Joana Medeiros
 

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Autor: CA

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