PSD/Açores defende criação de um Observatório de Dependências na Região

 O deputado do Grupo Parlamentar do PSD/Açores, Carlos Ferreira, defendeu ontem na Assembleia Legislativa Regional a criação de um Observatório de Dependências dos Açores, um organismo que fique fora da esfera do Governo Regional. 
O parlamentar, responsável por uma interpelação ao Executivo açoriano sobre o Estudo de Caracterização dos Comportamentos Aditivos na Região Autónoma dos Açores, que intervinha na sessão plenária que está a decorrer na Horta, explicou que se pretende que o organismo “monitorize a evolução do fenómeno” das dependências e “proporcione informação sistematizada para apoio à decisão em matéria de políticas públicas de prevenção e combate às dependências na região”.
Para o deputado social-democrata, uma vez que o relatório aponta a “falta de empenho e colaboração de diversas unidades de saúde” na realização do estudo, o que “é grave”, “exige-se o apuramento dos motivos da falta de colaboração”.

PS/A fala de ‘truquezinho”
do PSD/Açores

A deputada socialista Renata Botelho lamentou que o PSD/Açores se tenha antecipado com esta iniciativa parlamentar à audição da secretária regional da Saúde sobre esta matéria, em sede da Comissão Parlamentar dos Assuntos Sociais, e a um debate que se pretendia “sem limites regimentais” no parlamento, considerando que se recorreu a um “truquezinho” e a uma “trica vulgar”, o que revela um partido com uma “abordagem vazia”.
Segundo a parlamentar, os resultados do estudo “são encorajadores”, surgindo “patamares bem mais animadores” num problema que “convoca a máxima atenção e todos os esforços”.
O líder da bancada social-democrata, Luís Maurício, reagiu às declarações da deputada socialista para afirmar que o PSD encara esta matéria como de “extraordinária importância”, tendo surgido em plenário com “sentido de responsabilidade” para discutir um estudo que foi apresentado em Julho.
Luís Maurício questionou ainda sobre o “que dirão as famílias açorianas às palavras da deputada”, recusando-as “por inteiro”.

CDS/PP: “Esforços sem
resultados desejados”

Para a deputada centrista Catarina Cabeceiras, no capítulo das dependências, matéria em que reconheceu progressos, “nem tudo está a ser feito e bem feito, e muitas coisas estão a falhar”, sendo que os esforços “não estão a ter os resultados desejados”.
Paulo Mendes, da bancada parlamentar do BE/Açores - partido que em 2017 fez aprovar uma iniciativa no parlamento para a realização do estudo agora em apreciação - defendeu a necessidade de se apostar na prevenção precoce, destacando o facto de o álcool ser o mais consumido no capítulo das dependências, com prejuízos para a saúde e em termos sociais.
Na perspectiva do deputado comunista João Corvelo, uma das razões de consumo está relacionada com “falta de perspectiva de futuro”, como no emprego, o que “torna os jovens açorianos mais vulneráveis”, havendo uma componente económica e social do problema que “não deve ser ignorada”.

As 10 medidas do estudo e do plano

A Secretária Regional da Saúde, Teresa Machado Luciano, declarou na sequência da interpelação do PSD/Açores, que o estudo tem um “grau de fiabilidade muito elevado”, uma vez que incidiu sobre uma amostra de 12.000 jovens, “muito acima dos 1.500 inicialmente previstos”.
O estudo apresenta ainda uma “grande vantagem”, uma vez que indica “pontos comuns e divergências entre as nove ilhas”, deixando o Governo Regional em “condições de continuar com soluções adaptadas a cada realidade, a par das medidas e programas transversais ao território e já em curso, permitindo optimizar os recursos existentes e potenciar os ganhos em saúde”. A governante esclareceu que  a maioria das directrizes do Estudo de Caracterização dos Comportamentos Aditivos na Região Autónoma dos Açores já se encontra em implementação, destacando o cariz inovador da investigação, que possibilitou “o estudo de factores de protecção e de risco para o consumo de substâncias psicoactivas que nunca foram avaliados na população adolescente dos Açores”. As 10 directrizes avançadas pelo estudo, que foi elaborado pela Universidade dos Açores, constam do Plano de Acção Regional de Prevenção e Intervenção em Comportamentos Aditivos e de Dependência, encontrando-se oito já em execução.  As duas medidas ainda não implementadas integram o plano de acção para 2020, que será apresentado no final de Novembro e se baseia na intervenção comunitária e no desenvolvimento de Redes Locais de Intervenção.

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Autor: CA

Categorias: Regional

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