Alegadas calúnias a antiga colega de trabalho levam arguida a enfrentar colectivo de juízes

Em 2012 começou por prestar serviços para uma mediadora de seguros na ilha de São Miguel, com um balcão nas Capelas e outro no centro da cidade de Ponta Delgada, mas no final do ano de 2016 recebeu uma proposta de trabalho mais apelativa noutra mediadora de seguros.
Conversou com o patrão, com quem convivia frequentemente no contexto de trabalho, e este ter-lhe-á dito que não poderia oferecer uma contra-proposta, e que por esse motivo se optasse ficar no mesmo emprego teria que se sujeitar às condições que até àquele momento lhe tinham sido oferecidas, continuando assim a prestar serviço para a respectiva entidade.
No entanto, a trabalhadora terá resolvido aceitar a proposta que lhe havia sido estendida, decisão esta que resultaria na abertura de um processo através do Ministério Público por calúnia, acusando assim os dois antigos colegas de trabalho de difamação em relação à sua pessoa e ao seu desempenho profissional entre os clientes que havia, entretanto, angariado para a empresa que decidira deixar.
Através de um cliente – entretanto falecido – terá sabido que a antiga colega, com quem pouco convivia, teria utilizado termos como “aldrabona” para a caracterizar, acusando-a ainda de dar “desfalque” na empresa e de “falsificação de documentos” nos momentos em que deveria apenas dar a conhecer que a sua prestação de serviços naquela mediadora de seguros terminara.
No julgamento que se iniciou esta semana, e que agora acompanhamos, outro dos colegas foi também constituído arguido e seria ouvido em tribunal singular, mas, de acordo com o que ficou explícito na audiência, a queixa terá sido entretanto retirada, restando assim uma arguida no caso em que ontem foram ouvidas as testemunhas da defesa, onde se incluiu o ex-patrão e o ex-colega de trabalho ouvido neste processo como testemunha. Assim sendo, em julgamento, o antigo patrão da demandante deste processo começou por contar que esta seria sua trabalhadora desde o ano de 2012, terminando a sua prestação de serviços em Janeiro de 2017, ligação profissional esta que, segundo o próprio, terminara porque a sua antiga funcionária “estava a angariar clientes para outra seguradora”, o que representou uma grande “quebra de confiança” para o empresário em relação à sua colaboradora.
Questionado pelo colectivo de juízes, esta testemunha afirmou em tribunal que as únicas instruções que terá dado aos restantes funcionários passaram por “dizer que já não trabalhava ali” sem acrescentar os motivos que levaram a esse término, e por contactar os clientes que esta havia angariado ao longo dos anos sempre que algum seguro estivesse próximo de caducar.
Em relação às funções da arguida na empresa de mediação de seguros, o empresário afirmou no seu testemunho que estas passariam por angariar e monitorizar a carteira de clientes, assegurando assim o fluxo de negócios.
Já no que diz respeito às motivações que podem ter levado à abertura deste processo, a testemunha salientou que “a única motivação” que vê como possível é o facto de a sua antiga colaboradora se ter sentido “ferida” em relação à forma como saiu da empresa, uma vez que a arguida e a ofendida “não tinham qualquer tipo de relação pessoal uma com a outra”, tendo em conta que trabalhavam em sedes diferentes da mesma empresa.
Segundo o que terá afirmado a demandante deste processo, este período da sua vida terá sido marcado por várias crises de ansiedade e de grande tristeza, fazendo com que para além de crises de choro, tivesse também perdido peso e consultado o serviço de urgência devido a esta debilitação do seu estado de saúde.
Contudo, de acordo com o ex-patrão, esta debilitação não lhe terá sido visível, uma vez que a antiga colaboradora para além “de nunca ter sido gorda (…), não se alimentava bem e tinha até uma aparência frágil”.
A esta testemunha seguiu-se o depoimento do ex-colega de trabalho que continua, no entanto, a trabalhar no mesmo local que a arguida, que classifica como “uma grande profissional e honesta”, e embora “não esteja zangado” com a ex-colega, não entende as motivações que levaram ao levantamento deste processo, procurando deixar claro que “não havia motivos” para que nenhum dos dois difamasse a demandante.
No seu entender, a maior motivação poderá prender-se com a impossibilidade de ficar com os clientes angariados ao longo dos anos, reforçando a ideia de que não haveria qualquer relação pessoal entre a arguida e a ex-colega, uma vez que para além de trabalharem em locais diferentes, “apenas se encontravam nos jantares de Natal e na reunião anual para apresentação de resultados”.
Assim, adiantou em julgamento que depois da saída da ex-colega da empresa responsável por vender vários tipos de seguros, terão também recebido ordens “para alterar todas as passwords do sistema”.
Contudo, no que diz respeito ao estado de saúde da antiga colega, adianta que, à semelhança do patrão ouvido anteriormente, não notou nenhum agravamento da sua condição.
No entanto, foi ouvido um conhecido da demandante que terá notado várias alterações de comportamento e de humor na mesma, coincidindo – segundo o próprio – com os momentos em que esta transição ocorria na vida da ofendida, salientando que foram vários os desabafos feitos e que esta “chorava, não comia e não tinha vontade de trabalhar”, sendo-lhe visível que esta terá emagrecido.
No local onde trabalham, onde há uma bancada que é ocupada por mediadores de seguros, relatou que durante este período – e por várias vezes – alguns clientes chegaram a dirigir-se à demandante com o objectivo de reclamar dos seguros vendidos, o que de acordo com esta testemunha deixava-a “afectada”.
Por outro lado, de acordo com o actual patrão, a transição para a empresa onde hoje trabalha decorreu normalmente, afirmando em tribunal que a sua funcionária é “competente, dinâmica e tem os melhores resultados da empresa a nível nacional”.
 

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