Manuel Francisco, Presidente de Junta de Freguesia de Santana

“Falta de emprego fixo e habitação dificulta a vida a todos”

Manuel Francisco Cabral da Costa, de 41 anos de idade é o Presidente da Junta de Freguesia de Santana.
Naquela Junta de Freguesia, o nosso entrevistado já vai no seu segundo mandato. No entanto, já tinha estado durante três mandatos como Tesoureiro no anterior órgão executivo. “Foi uma boa bagagem, porque se assim não fosse seria um bocado difícil”, reconhece. “Deste modo, ao longo dos anos fui adquirindo experiência e quando assumi o cargo foi muito mais fácil, porque já estava a par de toda a orgânica do serviço”.
Nem de propósito, Manuel Francisco diz mesmo que todo o político deveria ter uma experiência a este nível. "Quando fiz parte do anterior executivo, recordo-me que caímos ali quase sem saber como e isso traz algumas dificuldades. Ter alguma experiência e alguma continuação no exercício das funções, ou noutras, é importante para poder depois dar seguimento aos processos".

Receita anual parca

Com poucos recursos, até porque a freguesia não é assim tão grande, "surge dificuldades em todas as áreas", por isso "há a necessidade de se avançar para as secretarias, em termos de projectos. Deste modo, socorremo-nos da Secretaria Regional dos Transportes e Obras Públicas, Secretaria Regional de Agricultura e Florestas ou até mesmo a Câmara Municipal de Nordeste, porque só assim é que conseguimos fazer alguma obra, porque aquilo que temos em termos de receita anual é muito pouco, não chega e só dá para assegurarmos a manutenção da Freguesia ou as limpezas dos caminhos agrícolas e pouco mais".
A Junta de Freguesia de Santana conta com a prestação de seis dedicados colaboradores ao abrigo de programas ocupacionais.
Programas não garantem trabalho 
a termo incerto

Manuel Francisco não concorda muito com estes programas, validando, que "as entidades oficiais deveriam criar empregos fixos para os cidadãos, porque surgem famílias com grandes dificuldades de variadíssima ordem. Depois a banca não facilita porque esses programas não garantem trabalho a termo incerto para que essas pessoas possam depois pagar qualquer prestação que necessitem. A realidade é que necessitamos muito desses colaboradores porque serviço não falta, mas assim não há uma continuidade e para eles fazerem a sua vida seria mais fácil, e realidade é que o desemprego continua e quando termina a ocupação sazonal, um ano e meio depois regressam ao desemprego e voltam a receber fundo de desemprego, e depois não podemos requisitá-los porque já fizeram o seu percurso".

Habitação é um problema

A par desemprego, a habitação é também um problema, principalmente ao nível dos casais mais jovens, porque estando em situação de desemprego, não podem ir pedir crédito à banca, surgindo também a nova realidade do Alojamento Local, que também surge na Freguesia de Santana. "Muitos senhorios não querem arrendar as casas e têm preferido reabilitar as moradias para Alojamento Local e na freguesia já existem algumas. Cinco ou seis", precisa.
A este propósito, Manuel Francisco acredita que num futuro próximo regressar-se-á ao passado, com as edilidades a terem de avançar para a aquisição de terrenos para loteamento. "Só em Santana são várias as famílias que estão a necessitar de habitação".
Com um orçamento de pouco mais de 23 mil Euros anuais, a Junta de Freguesia só pode pensar na manutenção da freguesia, na limpeza dos caminhos agrícolas, na contribuição dos salários de alguns dos seus colaboradores e pouco mais.

Polidesportivo reabilitado

Em termos de obras, a Junta de Freguesia terminou recentemente a obra de reabilitação do seu polidesportivo, através de fundos comunitários, surgindo agora um ringue com relvado sintético, boa iluminação e vedação do espaço.
Uma outra obra a consolidar, que já está adjudicada a uma empresa é a reabilitação do percurso de algumas águas, que desaguam na Rua de Santana através de saneamento básico.
Uma não menos obra importante para Santana está a ser tratada com a Câmara Municipal de Nordeste é a reabilitação do centro da Freguesia.
Fora da esfera do executivo, Manuel da Costa é operador de máquinas dos Serviços Municipais de Nordeste, onde está já há 32 anos. É também o mestre dos romeiros de Santana e não raras as vezes colabora na catequese da Paróquia.
 

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