20 de outubro de 2019

Dos Ginetes

Turistas por um dia

Na passada terça-feira um pequeno grupo de gente dos Ginetes, do qual fiz parte com minha mulher, saturado provavelmente da rotina que se multiplica nesta idade, em que pouco ou nada sucede, decidiu unir-se para um passeio até ao outro extremo da Ilha de S. Miguel.
Cada um custeou o seu bilhete de transporte, pois o motivo principal foi mesmo o de respirar ar de outros lados da Ilha beneficiando ao mesmo tempo de um convívio agradável. Para tal foi feito apelo à experiência de uma empresa local especializada no turismo que tranquilamente tem feito um notável percurso, “A Quinta das Raiadas”. Conduzidos pelo seu proprietário, Salomão Oliveira, que apesar de estar nesse dia ao serviço de “conterrâneos” colocou o seu empenho no bem-estar de todos, como se de “estrangeiros” se tratasse. Foi uma experiência enriquecedora a repetir pois são tantas as maravilhas naturais desta linda Ilha para “encher olhos e coração” que só com alguma calma é possível apreciar.
Igualmente uma óptima ocasião para todos, quer acomodados ou mesmo críticos, conseguirem com justiça apreciar o trabalho de uns assim como a “inércia” de outros. 
Sempre apreciei a beleza do Concelho do Nordeste.
Após ter regressado à minha terra em 1996, durante cerca de seis anos trabalhei por conta de uma empresa em que ocasionalmente percorri a Ilha de S. Miguel em viatura e solitário. Confesso que a tranquilidade, a limpeza e o embelezamento que envolve as pitorescas e silenciosas estradas onde parte desse mesmo silêncio apenas interrompido pelo cantar dos pássaros que lá encontram o espaço ideal para a liberdade que só a eles pertence me transportava a um mundo diferente. Todo este ambiente transformava o meu dia de trabalho paradoxalmente num excelente repouso. Em tais momentos ao chegar à minha terra, que apesar de tudo me orgulha, sempre tive um pouco a sensação de algum abandono ao qual todos nós nos habituámos, para estes lados.
De pequenas coisas por vezes surgem maravilhas, basta saber utilizar o que a terra nos entrega utilizando graças à formação mas também orgulho natural que deve ser parte de qualquer um de nós.
As estradas para estes lados mereciam um pouco mais de atenção. Não basta que sejam cuidadas quase exclusivamente em vésperas das nossas festas de verão mas tem de haver um olhar mais atento de quem tem responsabilidade na manutenção das mesmas.
Continuamos aqui nos Ginetes à espera de uma verdadeira limpeza que contribua para uma eficiente utilidade do “Jardim das Três Grotas” que há vários anos se encontra aparentemente esquecido mesmo se já várias vezes aqui referi o seu estado.
Quando jovem adolescente lembro-me de algumas vezes servir de ponto de encontro este espaço para algumas famílias mais idosas sobretudo dos Ginetes que não tendo capacidade para grandes deslocações lá encontravam um pouco de sossego nas tardes ensolaradas do Domingo, sem esquecer o divertimento em determinados momentos, como o 15 de Agosto, que perduram na memória de vários da minha geração. Hoje dizem que tal espaço é propriedade do Governo Regional. Sinto pena pois talvez seja esta a causa por que passou a fazer parte de mais uma propriedade da vasta colecção de um reino esquecido.
Sei que durante algum tempo os nossos jovens dos Ginetes igualmente utilizavam tal espaço como ponto de encontro para agradáveis convívios. Tudo vai lentamente partindo com o “visto” do não regresso. E é isso que me incomoda. 
O Governo é o mesmo, a Ilha igualmente a mesma, mas os cidadãos parecem usufruir de estatutos diferentes.
Porque os meus princípios se regem através de uma “crítica construtiva”, não que eu seja perfeito, mas amigo da justiça, embora também “pecador”, quero agradecer a quem finalmente tomou ao seu cuidado colocar as respectivas duas lâmpadas que faltavam no famoso Candeeiro frente à Loja da RIAC que se encontra a funcionar na Sede da Filarmónica Minerva de Ginetes. Foi há 3 semanas que tal assunto foi aqui abordado. Não sei quando foi reparado, mas o importante é que alguém cumpriu o seu dever. Não é vergonha para quem quer que seja mas apenas um gesto responsável de cidadania e respeito pelas gentes dos Ginetes que também pagam os seus impostos.
Quanto aos “turistas por um dia” será uma boa iniciativa a repetir. Ficar em casa nem sempre é o mais relaxante sobretudo para quem luta e quer vencer a solidão.
 

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Categorias: Opinião

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