Valter Correia, Pároco da Freguesia de Santana

“Existem situações de pobreza escondida que não são fáceis de detectar”

Valter José Pacheco Correia é o pároco da Freguesia de Santana, Achada, Achadinha e Salga, da Ouvidoria de Nordeste.
Natural de Água d’Alto foi ordenado padre a 21 de Junho de 1992 e tem 53 anos de idade.
As suas primeiras paróquias, como sacerdote, foram Faial da Terra e Água Retorta, onde esteve durante cerca de cinco anos. Depois esteve dois anos e meio em São Jorge, nas freguesias de Rosais e Santo Amaro, no Município das Velas. Em Santo Amaro, encarregava-se ainda dos Curatos da Camada e Toledo. Regressou a São Miguel, em Setembro de 2000, para os Fenais da Ajuda, onde esteve cerca de 12 anos. No Nordeste começou com duas paróquias, Achadinha e Santana. Depois, quando o Nordeste passou a coincidir a Ouvidoria com o Concelho, a Salga passou a fazer parte da Ouvidoria do Nordeste, já que as SCUTS propiciaram esta nova nomenclatura. Assim, a Salga, a Achada, a Achadinha e Santana, que faziam parte da Ouvidoria dos Fenais da Ajuda, com esta nova mudança, passaram a fazer parte da Ouvidoria do Nordeste. 

Santana tem gente dinâmica

Sobre Santana “não tem dúvidas que é uma Freguesia dinâmica, em qualquer contexto, quer a nível religioso ou civil”. “Aliás”, prossegue “qualquer coisa que seja necessário, eles por sua iniciativa estão atentos e a par da situação. É uma população sensível a qualquer realidade”, enaltece.
Inclusivamente, a população mobilizou-se para as comemorações dos 150 anos da sua Igreja, comemorados no dia 28 de Julho. “Fez 100 anos em 1969 e este ano comemorou os 150 anos. O povo mobilizou-se e houve grandes iniciativas nesse sentido, quer da própria Comissão Fabriqueira quer também da parte da população”.

150 Anos, 12 sacerdotes

Nestes 150 anos passaram pela Paróquia de Santana 12 sacerdotes, entre eles, o padre Francisco Moniz da Silva Furtado, acérrimo defensor dos interesses da freguesia de Santana, onde exerceu o seu cargo durante 52 anos. Nasceu em 1877 e faleceu em 1955.
Em termos de necessidades, o padre Valter Correia valida que na freguesia existem algumas situações de pobreza escondida. “São situações que existem e que às vezes não são fáceis de detectar e se são detectadas, ajuda-se pontualmente. São dificuldades que não saltam à vista e que não se manifestam, a não ser que a carência seja tão grande que leva as pessoas a apelarem à Igreja ou a qualquer outra instituição”.

População adere às eucaristias, 
já os jovens nem tanto

No demais, a população adere às eucaristias de uma forma “mais ou menos razoável. Em comparação com outras comunidades, ainda comparece um número razoável nas eucaristias”.
Já em relação aos jovens, “a assiduidade tem sido pouca” e estão cada vez menos religiosos. A maioria dos jovens deixam a freguesia e vão morar para outras localidades, surgindo depois o problema de não se identificarem com essa nova localidade. No entanto, “a falha maior surge ao nível educacional porque a educação já não é a mesma e sendo a cultura muito volátil, surgem novas modas”.
Mesmo assim, a paróquia não deixa de ter o seu grupo coral, composto por cerca de 10 elementos e tem a sua catequese organizada, com alguns auxiliares.

Sempre que pode regressa 
a Água d’Alto

Sempre que pode regressa à sua terra natal, onde tem em Água d’Alto a casa dos seus pais e é lá onde encontra algumas das suas memórias e convive com alguns dos seus amigos de infância.
Quando chegou à Ouvidoria do Nordeste trabalhava in solidum conjuntamente com os colegas José Agostinho de Sousa Barreiro e o diácono António Rocha.
A terminar, o padre Valter Correia releva “a importância de estarmos seriamente empenhados na missão”, tal como o Papa Francisco releva, “a necessidade de haver uma igreja aberta para a missão, onde há muito que fazer e implica não só, nós os padres mas todos os leigos. Os pastores são os primeiros e aqueles que orientam, mas também todo o povo, ou seja, uma igreja em missão nesse sentido de evangelização, dentro da fora”.

 

Print

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima