O Mundo pode ter que enfrentar mais uma guerra de vasta amplitude e uma nova grande crise económica. Assim, porque as potências militares e económicas mundiais parecem querer comprar uma guerra e vender uma crise económica.
Os Estados Unidos afirmam que são a maior potência militar do Mundo. Putin assegura que é a maior potência nuclear. A China em dia de aniversário, numa monumental parada militar para o Mundo apreciar, mostrou, entre muito equipamento bélico, mísseis com ogiva nuclear de longo alcance e com autonomia para atingir o território dos Estados Unidos. O tratado de não proliferação de armamento nuclear foi rasgado.
Putin num recente fórum económico em S. Petersburgo acusou os Estados Unidos de possuir “um egoísmo económico desenfreado” e avisou que “as guerras económicas poderiam conduzir a guerras verdadeiras”. Ao lado de Putin, e querendo assim ser visto, estava Xi Jinping que necessita de um aliado poderoso contra a guerra económica declarada por Trump à China.
Trump há uns dias entregou aos fervores guerreiros da Turquia, que faz parte da Nato desde 1952,as “tropas curdas” que antes apoiava. Quando escrevo este texto, a Rússia e a Síria já estão no terreno e amparam militarmente os curdos contra a violenta e unilateral investida militar turca permitida pela retirada das tropas americanas. Com uma carta “bizarra” - eu não quero destruir a economia turca, não seja tolo, podemos fazer um bom negócio - dirigida ao ditador Erdogan, Trump conseguiu um cessar fogo. Tinham um acordo secreto, não tinham?
A instabilidade e a incerteza aprofundam-se e não só naquela latitude nem no domínio do relacionamento entre Estados. Desenvolve-se também no interior dos próprios Estados. Xi Jinping na passada terça-feira comentando as manifestações em Hong-Kong ameaçava a população daquele território que qualquer tentativa de separação da China resultaria em “corpos e ossos esmagados até ficarem em pó”. As manifestações na Catalunha depois de conhecida a sentença do Supremo Tribunal Espanhol que manda aplicar penas de prisão até 13 anos – que até podem ser cumpridas fora da prisão - aplicadas aos 12 líderes do movimento pela independência daquele Comunidade Autónoma ameaçam transformar-se numa batalha campal e foramjá equiparadas a um “tsunami democrático” ou “tsunami de fogo”, consoante a visão do problema.
Conseguirão os Estados Unidos prevenir a guerra apenas com ameaças de pesadas sanções económicas e com o seu desinteresse pelas instituições e acordos internacionais antes celebrados? Putin está errado? Ele, no mesmo Fórum, ainda acrescentou: a globalização está em modo de crise… é um modelo não adequado à realidade. É possível sustar a globalização?
A reversão do processo de globalização - baseada na elevação das taxas aduaneiras, alterações cambiais, restrições às importações, desejada e anunciada pelas grandes potências económicas e militares, poderá desencadear uma crise económica de grande porte. O comércio internacional como consequência da guerra económica entre os Estados Unidos e a China começa a evidenciar quebras significativas que, naturalmente, afetam a produção industrial das maiores economias por redução das suas exportações. A economia alemã, a maior economia da União Europeia, está estagnada. Globalmente, o rendimento nacional da zona euro já está a ser suportado maioritariamente pelo setor dos serviços, o que representa uma fragilidade dada a sua volatilidade.
A separação do Reino Unido da União, naquele sai que não sai, tem ajudado a aumentar a instabilidade económica e a incerteza relativamente ao futuro próximo da Europa Ocidental. A União Europeia ocupa-se mais do Brexit do que de si própria. Há Brexit a mais e Europa a menos.
Seria positivo que o parlamento britânico aprovasse o acordo celebrado na semana passada com a União. Duvido, todavia. Vai haver batalha na House.
O relatório de Outono do FMI e a perspetiva económica relativamente a Portugal - 2019/20 – não indiciam que o “diabo” esteja a espreitar pela janela ou a rondar a casa à procura de um meio de entrar, mas julgo que já sente a sua proximidade porquanto o ambiente geral aquece. O Banco de Portugal e o Governo afirmam que Portugal tem dinheiro nos cofres, está preparado para uma crise. Ainda bem!