20 de outubro de 2019

O custo da hipocrisia política

1 - A Região declarou o “estado de calamidade pública “ depois de conhecido o cálculo dos prejuízos originados pelo furacão Lorenzo, que ascendem a 330 milhões de Euros. 
2 - Concomitantemente, foi requerido o accionamento da solidariedade do Estado no âmbito da Lei de Finanças Regionais, bem como o pedido da activação do Fundo de Solidariedade da União Europeia destinado a apoiar catástrofes nos países da União.
3 - O custo com a recuperação das infra-estruturas regionais e municipais, e dos apoios às famílias que sofreram com a destruição e perda dos seus haveres, representa 50% do valor previsto para o Plano de Investimentos representando uma sobrecarga considerável para o Orçamento da Região.
4 - Foi neste contexto que apontamos há uma semana atrás, como indispensável, o empenho do Presidente da República nesta difícil conjuntura para a Região, sabendo bem o valor que tem o poder da palavra. 
5 - A deslocação de Marcelo Rebelo de Sousa neste fim-de-semana às Flores e ao Faial, para se inteirar das feridas deixadas pelo Lorenzo, é uma boa noticia, e acreditamos que será um suporte importante aos pedidos formulados pelo Governo da Região à República e à União Europeia. 
6 - Muitos dos estragos causados nas infra-estruturas portuárias não são aparatosos ao comum do cidadão. São danos submersos, padecendo de mal profundo, mas pouco propícios para serem percebíveis pela população que está mais atenta ao espectáculo efémero e mediático proporcionado pelas redes sociais da era digital. 
7 - Espera-se que a resposta das entidades nacionais e europeias tenham a mesma celeridade que teve o rescaldo que coube à Região logo no seguimento da tempestade. 
8 - Falando ainda de espectáculo, embora noutra dimensão, somos levados à delicada situação política em que se encontra a União Europeia, e que se desenrola em três palcos assaz complexos, a saber:
9 - O Brexit que está longe de estar resolvido apesar do aparente acordo alcançado, para salvar a honra do convento e para todos ficarem bem na fotografia. 
10 - Vamos esperar pela decisão da Irlanda do Norte e da Escócia, esta quanto à realização do referendo sobre a independência daquele importante país do Reino Unido.
11 -    Depois vem a agitação política em Espanha resultante da condenação dos líderes independentistas Catalãs, a mais de dez anos de cadeia para cada um. 
12 -    Trata-se de uma condenação política, executada pela justiça, violando as normas universalmente consagradas, sobre o direito à autodeterminação dos povos e consequentemente à sua Independência. 
13 -    A Espanha está a mostrar-se num reino absolutista, reactivando a sua matriz colonial e sem capacidade política para perceber que a forma de Estado de Nações que compõem o reino de sua Majestade, pode tornar-se numa nova Jugoslávia na Europa, se não houver uma atempada alteração constitucional que torne a Espanha num Estado Federal. 
14 -     E como terceiro palco temos a chacina levada a cabo pela Turquia que é um pais da Nato, sobre os curdos, que reclamam o direito a serem reconhecidos como um povo e a formarem um Estado próprio. 
15 -    Os curdos foram enganados duas vezes pelos Estados Unidos da América. Uma na Guerra do Iraque e outra agora no papel que lhes coube quanto à contenção e desmantelamento do Estado Islâmico.
16 -    A União Europeia está muda e queda perante este complexo xadrez político, com medo das consequências do desmembramento de importantes países da União, como Espanha, Reino Unido e até a França.
17 -    Não enfrentar o problema das Regiões é um complexo colonial doa grandes países europeus e um atentado contra o direito de liberdade que qualquer comunidade tem em sentir-se capar de assumir os seus destinos.
18 -    Esse é um direito político e tem de ser tratado politicamente e não judicialmente como está fazendo a Espanha, por um preço que poderá ser muito alto para toda a Europa, que tem mantido um silêncio hipócrita.
             
 

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Categorias: Editorial

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