Pianista Susana Rodrigues vai ser homenageada nas Furnas

No próximo dia 27, Domingo, pelas 15h00 a pianista micaelense Susana Rodrigues, será homenageada com o descerramento do seu busto na Quinta de Santana – Queimadas, Furnas. 
Hoje a pianista completaria 83 anos, tendo falecido em 2013. Na cerimónia, após o descerramento pelo neto, Rodrigo Beleza Martins, João de Freitas amigo da família e autor do livro estatuária micaelense fará uma pequena alusão histórica sobre a pianista seguindo-se a bênção pelo Pároco local Pe. Ricardo Pimentel.
O jovem músico Afonso Costa, de seguida executará a peça Toque do Silêncio da autoria do músico compositor americano de Daniel Butterfield.
Susana Rodrigues, foi uma pianista de rara sensibilidade na opinião do pai o conhecido músico-compositor açoriano Benjamim Rodrigues que durante muitos anos foi funcionário da extinta Sociedade Terra Nostra organização criada por Vasco Bensaude e e autor de diversos hinos regionais e composições célebres para bandas de música. 
Desde muito nova a jovem Susana sentiu-se fortemente atraída pela música, influenciada pela família, a mãe Ana Maria da Silva Rodrigues, percursora do fenómeno das serenatas furnenses e o pai professor de música, maestro e compositor em diversas agremiações e sociedades filarmónicas da ilha de São Miguel.
Maria Susana estreou-se em público em 1952 na sala do Casino Terra Nostra das Furnas, local onde desde pequena acalentara sempre o sonho de actuar. Mais tarde naquela emblemática sala realizou a sua boda de casamento tendo sido a primeira a fazê-lo naquele espaço. Após a conclusão dos seus estudos primários, estudou particularmente, Solfejo, Piano e História da Música, praticou intensamente todos os clássicos, destacando sempre os que mais admirava, Franz Schubert e Franz Liszt. Era muito solicitada para matinés culturais e saraus privativos realizados em casas de veraneio das Furnas. Na década de 50 do século XX far-se-á notar no Casino da Sociedade Terra Nostra a solo e outras vezes a quatro mãos com pianista jorgense José Meireles Pamplona que quem era muito amiga, conhecidos pelos admiradores como a “dupla perfeita.”
Possuidora de uma técnica e estilo únicos, hábil no teclado a sua mão esquerda impressionava quem com ela partilhava o piano, dificilmente se enganava ou trocava os dedos à procura da nota certa. Na opinião daquele músico-pianista jorgense, o que mais impressionava em Maria Susana “era a sua experiência e a facilidade que tinha em tocar partituras dos mais variados géneros musicais.”
Maria Susana Rodrigues, simboliza também, a mulher açoriana no tempo do Estado Novo, interditada na juventude e castrada nos seus direitos cívicos e sociais, predestinada à vida doméstica e em família abandonou o sonho que acalentava de prosseguir numa carreira musical que tanto ambicionava.

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Autor: CA

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