25 de outubro de 2019

4ªs à Canhota

Combate destemido às desigualdades sociais numa região desigual

Sim, vivemos numa região desigual. Desde logo pelo seu território, pela diferença em cada ilha, nas suas gentes e na forma como estas respondem aos desafios do desenvolvimento humano e na presença da economia privada. 
O caminho percorrido em mais de 43 anos de território autónomo é de salientar, mas, sem a menor dúvida, para aqueles que conhecem os Açores, foi a partir de outubro de 1996 que a nossa região se transformou face a um novo modelo social, de inovação e económico, em que a educação, o emprego, o acesso à saúde e os apoios sociais são peças fundamentais do elevador social. 
Combate-se a desigualdade social sempre que uma criança precocemente acede a um espaço de infância, sempre que se cumpre a escolarização até aos 18 anos de idade, sempre que a população empregada aumenta, sempre que a taxa de gravidez precoce diminui, sempre que mais jovens têm acesso ao ensino superior e, mesmo perante o número de beneficiários de Rendimento Social de Inserção (RSI), esta é uma forma de combater as desigualdades sociais, com respostas presentes em todo o território. Finalmente, sempre que a empregabilidade feminina aumenta e sempre que se garante médico de família, combate-se a desigualdade social. Neste parco conjunto de indicadores, como em muitos outros, tem sido feito um percurso positivo, mas há ainda um muito caminho a percorrer. Vive-se num modelo social onde todos contam e onde as políticas públicas vão para além da decência moral (emergência da pobreza e da doença ou dos mais vulneráveis da sociedade) e num modelo económico em que o Estado intervém quando o desenvolvimento harmónico das nove ilhas pode estar em causa, não deixando as soluções à mercê dos ventos únicos do mercado liberal, até porque paradoxalmente esse mesmo mercado “exige” a presença pública quer em apoios ou investimentos. Perante 9 exigentes realidades, em 2018, e pelo quarto ano consecutivo, registou-se o crescimento da riqueza produzida nos Açores acima dos 2%, sendo o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,04% em valor, atingindo os 4.295 milhões de euros.
Face aos desafios constantes de 9 realidades, Vasco Cordeiro tem tido a capacidade de acudir conjunturalmente às necessidades económicas e sociais, e estruturalmente com a invenção de lógicas institucionais, como a Estratégia de Combate à Pobreza e Exclusão Social dos Açores (ECBESA) ou o PROSucesso - dois programas pioneiros a nível nacional, sendo que a ECBESA está na linha do modelo de intervenção preconizado pelos laureados com o prémio Nobel da Economia 2019 - e os diversos programas de Incentivo ao Emprego, o que contribui para a atual taxa de desemprego de 8,2%, e na Aprendizagem ao longo da Vida, com mais de 10179 certificações no programa da Rede Valorizar desde 2009, perante um país  ( imagine-se uma região insular) em que, nos anos 70 do século XX, um em cada quatro portugueses não sabia ler (25%) e com um atraso estrutural de mais de um século em relação a alguns países da Europa.
Tenho muitas dúvidas na vida, e sempre com postura crítica, mas a que não tenho é a de que desde 1996 os Governos Socialistas têm mudado para melhor o quadro social, de inovação e económico da Região e, pela capacidade de o terem feito, são os que melhor asseguram a confiança e determinação de fazerem ainda muito mais, sempre firmado por dois princípios ideológicos do socialismo democrático e progressista: o da proteção social e o da capacitação social, inovação e económica para um fervoroso combate às desigualdades sociais numa Região territorial e culturalmente desigual.

Print

Categorias: Opinião

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima